Amor e treino em tempo de quarentena

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O técnico sadino acompanha à distância os guardiões vitorianos e mostra-se confiante no trabalho realizado

 

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Parou tudo devido à COVID-19. Como encara esta crise de saúde pública?

Primeiro, com muito respeito pelas orientações fornecidas pelos profissionais da área da saúde. Vou tentando acompanhar as notícias, converso muito com minha esposa, que é enfermeira. Ela vai-me passando alguns artigos, matérias do género, que vou lendo e por consequência, vou tendo um melhor entendimento da gravidade dos últimos acontecimentos. Apesar de confiar e ter fé que os cientistas logo encontrarão um meio de erradicar o vírus e um tratamento para a doença, vejo com grande temor o cenário sócio-económico que teremos nos próximos meses. Para vencer essa guerra, nossa principal arma é a consciência e o isolamento social, que permitirá o quanto antes, estarmos juntos novamente.

Têm conseguido seguir à risca a quarentena?

Desde o dia que recebi a orientação por parte do Vitória, não coloquei mais os pés pra fora da minha casa.

De que forma se estão a organizar, por exemplo, em relação a quem vai às compras?

A minha esposa, a Michele, nesses dias de quarentena, saiu apenas uma vez para comprar comida. Decidimos, por ela ser da área da saúde, e estar preparada para ter melhores cuidados, sempre que precisarmos de algo essencial, será ela que sairá de casa.

Numa casa onde há um ex-guarda-redes, que agora é treinador adjunto do Vitória, e um jovem promissor guardião – Diego Callai representa tem 15 anos e representa os juniores do Sporting – era inevitável a realização de treinos no domicílio. Quem teve a iniciativa de treinar em casa?

Foi algo que surgiu naturalmente, é como se você percebesse que a pessoa que está ao seu lado precisa de algo que você tem e pode oferecer. Melhor ainda se for pra alguém que amamos.

Quantas vezes treinam e durante quanto tempo? De que forma estão organizadas as sessões?

O meu filho segue um plano de treinos enviados pelos treinadores do Sporting. A sua rotina é realizá-los durante as manhãs. À tarde, realizo treinos específicos de guarda-redes. Confesso que, devido ao contexto, é impossível aplicar a minha metodologia porém, é o que menos me importa. Quero que meu filho através do contato com a bola, acredite que logo poderá voltar a ter a sua rotina normal, fazendo aquilo que ama.

É mais fácil ou difícil trabalhar com o seu filho do que imaginava?

Acima de tudo, é sempre uma emoção muito grande para mim como pai, treinar meu filho. É fácil trabalhar com ele, é um menino muito disciplinado e segue bem as orientações. Além de ser fácil, fortalece nosso vínculo. Como eu frisei anteriormente, para mim o que importa é o lado psicológico, o facto de dividirmos a mesma paixão facilita as coisas e os momentos em que estamos treinando ajuda-nos a esquecer um pouco o contexto negativo que está do lado de fora de casa.

É possível atenuar os efeitos da paragem com os treinos?

É possível atenuar. Substituir nunca. Mas as consequências ao certo não podemos afirmar porque ainda não temos datas previstas de retorno. Por mais que tentemos controlar vamos sempre depender da responsabilidade e profissionalismo de cada atleta.

 

«Os guarda-redes com quem trabalho já me deram provas no dia-a-dia do quanto respeitam a instituição Vitória»

 

Como tem sido trabalhar à distância com os guardiões do Vitória?

Os guarda-redes com quem trabalho, são muito profissionais e comprometidos e já me deram provas no dia-a-dia do quanto respeitam a sua profissão e a instituição Vitória. Eles têm planos individualizados de treinos que servem para a manutenção da condição física. Em relação ao trabalho específico de guarda-redes, tenho o mesmo pensamento que já expressei em relação ao meu filho. Preocupa-me a parte psicológica e através dos exercícios específicos que faço com meu filho e filmo, passo para eles e para os demais guarda-redes da formação do Vitória, para que dentro da realidade de cada um, consigam reproduzir da melhor maneira. Assim, vão mantendo o contacto com a bola que a nível mental faz bem para eles. Além disso, damos muitas risadas criando desafios que se tornam transversais, que todos os guarda-redes tentam realizar da melhor maneira, dos benjamins aos da equipa principal. Vale salientar que todos os atletas da formação do Vitória receberam planos e tem acompanhamento individualizado, orientados pela coordenação e respectivas equipas técnicas, num contexto multidisciplinar, que também contempla orientações dos nossos profissionais do departamento médico.

O que tem transmitido e o que lhe transmitem os seus familiares que estão no Brasil?

Perguntamos sempre, é claro, como estão as coisas. Fazemos troca de ideias e de orientações. Vamos uns dando força para os outros e tentando minimizar a distância e as preocupações.

E em Itália? Creio que têm lá família? Estão todos bem? Há alguma história que possa partilhar?

Apesar de a minha família ter nacionalidade italiana, nossos familiares estão todos no Brasil. Nós sofremos com as notícias que vêm da Itália e nos solidarizamos porque também nos sentimos parte integrante da família. A empatia e a solidariedade é para com todos os que sofrem neste momento de angústia, com esta nova doença que assola o mundo, com os que perderam seus entes queridos e com os que estão nos hospitais doentes e aguardando pela sua recuperação. Acredito na humanidade, que com fé e consciência seremos fortes o suficiente para ultrapassar o período mais assustador da nossa era até o momento.

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