Julio Velázquez sublinha importância de “recuperar aos poucos a normalidade”

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Técnico espanhol debateu desafios que os treinadores enfrentem neste período de pandemia.

 

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Julio Velázquez, treinador do Vitória FC, revela que a chave dos treinos que a sua equipa está a fazer desde o passado dia 4 de Maio, no Estádio do Bonfim, passa por “tentar, dentro da complexidade que se vive, naturalizar o dia-a-dia para que o jogador seja capaz de evadir-se e recuperar aos poucos a normalidade”.

A opinião do técnico espanhol, de 38 anos, foi dada à agência de notícias espanhola EFE numa conversa em que também participaram os treinadores portugueses Pedro Martins (Olympiacos, Grécia) e José Peseiro (seleccionador da Venezuela) e em que os intervenientes debateram os desafios que os treinadores enfrentem neste período de pandemia.

O timoneiro dos setubalenses revelou que numa situação como a que se vive actualmente houve a necessidade de dar ainda mais atenção aos pormenores na forma como se lida com os atletas. “Neste desporto colectivo cada pessoa é totalmente diferente e a maneira de actuar com as diferentes pessoas também é totalmente diferente. Com uns é melhor não falar desta situação e, com outros, é importante ter a cada dois dias uma conversa. Temos de tentar, dentro da complexidade, naturalizar o dia-a-dia para que o jogador seja capaz de evadir-se e recuperar aos poucos a normalidade”.

Afastado da família há já dois meses, Julio Velázquez também do período em que esteve confinado e do regresso ao trabalho. “Graças a Deus estamos todos bem. Passei todo este período em Portugal, em Setúbal. A minha mulher e família estão em Espanha. Em Setúbal já se está a tentar começar a vida normal. Começaram os treinos na segunda-feira (4 de Maio) e aos poucos, dentro da complexidade, procuramos normalizar o dia-a-dia com a equipa”.

Depois da paragem, os treinos no Bonfim regressaram com muitas novidades. “Tivemos de organizar o plantel em quatro grupos e em diferentes turnos, das 9 às 14 horas. Mantém-se a distância social e o trabalho foi totalmente individual, tentando contextualiza-lo no que é a posição do jogador. É complexo e esta semana procuramos fazer um trabalho que se adapte ao esforço”.

Julio Velázquez é peremptório a afirmar que os dias de confinamento não pode ser comparado a um normal período de férias. “Não tem nada que ver com as férias de verão em que brincas com os teus filhos, vais à praia ou à piscina e fazes padel. Neste casa ficaram enfiados em casa e o período foi bastante maior, quase o dobro do que são habitualmente as férias”, sublinhou o técnico.

O treinador, que considera importante para a sociedade que o futebol regresse – “pode servir de ajuda para que uma percentagem importante da população possa evadir-se da problemática em que estamos imersos” –, frisa a necessidade de todos fazerem a sua parte de forma responsável. “Temos de ir com muito cuidado. No nosso caso, por exemplo, nunca nos equipamos no estádio, vamos sempre com a roupa de casa e vamos a casa tomar duche”.

 

Futebolistas assumem código de conduta colectivamente

 

Os futebolistas dos clubes da I Liga de futebol, entre eles os profissionais do Vitória, através do seu capitão José Semedo, vão assumir colectivamente o código de conduta do parecer técnico da Direção-Geral da Saúde (DGS) para o reinício da competição devido à pandemia de covid-19, anunciou ontem o Sindicato.

Em comunicado, o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) deu conta da realização de uma reunião para esclarecer os agentes desportivos, na segunda-feira, convocada pelo presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Fernando Gomes, com a presença de Adalberto Campos Fernandes, um dos especialistas da comissão de emergência criada face à pandemia de covid-19.

“Considerando a intervenção esclarecedora do doutor Adalberto Campos Fernandes” e “as dúvidas colocadas por vários jogadores”, o SJPF promoveu um encontro informal entre o antigo ministro da Saúde e os capitães dos 18 clubes da I Liga. Segundo o SJPF, “a reunião permitiu contextualizar o protocolo, a racionalidade das medidas e os comportamentos que se impõem nesta fase aos jogadores”.

No domingo, a FPF e a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) revelaram o parecer técnico da DGS para o regresso do futebol, que, no primeiro ponto, refere que “a FPF, a LPFP, os clubes participantes na I Liga e os atletas assumem, em todas as fases das competições e treinos, o risco existente de infeção por SARS-CoV-2 e de covid-19, bem como a responsabilidade de todas as eventuais consequências clínicas da doença e do risco para a Saúde Pública”.

Depois da divulgação deste parecer, pelo menos três jogadores do FC Porto e um do Sporting manifestaram desagrado com o teor nas redes sociais. “Face às dúvidas que resultaram, em especial, do ponto um do protocolo sobre as condições de regresso, comunicado pela FPF, os jogadores foram esclarecidos de que o pretendido pelas autoridades de saúde é o seu consentimento informado, isto é, uma declaração de que todos tomaram conhecimento das regras decorrentes do protocolo e assumirão o comportamento adequado ao seu cumprimento”, explicou o SJPF.

Nesse sentido, a estrutura sindical assegurou que “ficou também esclarecido que, em vez de declarações individuais, será emitida uma declaração coletiva deste compromisso, através do SJPF, na qualidade de entidade representativa”. “Em conclusão, ao contrário do que foi sendo especulado, a emissão desta declaração é um mero consentimento informado e não determina a renúncia ou perda de qualquer direito”, sublinhou o sindicato liderado por Joaquim Evangelista.

O SJPF expressou no comunicado um agradecimento a Adalberto Campos Fernandes, reafirmando “o compromisso de contribuir para que os jogadores tenham a tranquilidade e garantias necessárias para levar a cabo a retoma desejada, minimizando ao máximo os riscos existentes e contribuindo para que possam ser tomadas decisões de forma consciente e informada”.

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