Setúbal mostra Vitória enorme

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A cidade juntou-se ao clube e mostrou ao País que a tal da mística é tão grande no Sado como para lá do Tejo

 

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Uma onda frenética de apoio galvanizou o Vitória para mais uma jornada histórica. A cidade saiu à rua para apoiar jogadores e equipa técnica no percurso para o Bonfim, onde os sadinos pouco depois iriam defrontar o Belenenses SAD. Dois golos carimbaram o desfecho mais ansiado por todos. E foram tantos a fervilhar pelas ruas.

Cristina Farinhas, 56 anos, é um dos exemplos de dedicação e amor pelo Vitória. O domingo voltou a ser mais um daqueles dias vividos com extrema intensidade, de coração nas mãos, a torcer pelo triunfo decisivo dos sadinos. Tem lugar cativo no Bonfim, desde que o filho nasceu, porque antes disso apoiava o clube “ao Sol ou à chuva”. “Não havia nada que parasse a malta”, lembra, sublinhando: “Nasci e hei-de morrer vitoriana.”
Está entre a massa adepta de indefectíveis. “Quando os horários são compatíveis, acompanhamos o Vitória fora de casa, desde o Porto ao Algarve. Sentimos o Vitória de uma forma tão intensa, que não conseguimos explicar”, revela, ainda com sinais de uma rouquidão provocada pelos incentivos lançados à equipa, às portas do Bonfim.
“O calor era muito e os nervos também. Já passei vários anos por isto. É assustador pensar sequer que o clube pode ser despromovido”, vinca, adiantando que seguiu as incidências da partida com os de Belém em casa. “Quando marcámos o segundo golo, voltámos logo para a rua. No final, os jogadores vieram agradecer-nos ao pé do portão e foi lindo.”

As emoções estiveram ao rubro, tal como acontecera em várias outras ocasiões. Uma delas jamais esquecerá. “Foi a subida à I Divisão, a 27 de Maio de 2001, no dia do baptizado do meu filho. Nem conseguia estar na festa. Tive de deixar os convidados e ir para dento do carro ouvir o relato. Assim que acabou, a festa foi a dobrar”, conta.

Haja coração

Mário Paixão, 47 anos, é outro vitoriano dos sete costados. Corre o mundo pelo Vitória. No domingo, juntamente com o filho, também não deixou de participar na calorosa onda de apoio que acompanhou e recebeu o autocarro do clube, nas imediações do mítico Bonfim.

É o sócio 827. E a voz sumida era sinal evidente do que gritara pelos sadinos.

“Desde que nasci que sigo o Vitória. Ninguém gosta mais do seu clube, do que eu gosto do meu Vitória. Podem gostar igual, mais não”, garante, acrescentando: “Tenho camarote e vou a todos os jogos. E fora também.”

O duelo de domingo, desvenda, assumiu carácter especial para Mário Paixão. E não apenas pelo facto de estar em disputa a continuidade do clube entre a liga maior. “Ou ganhávamos ou o clube corria um sério risco em termos futuros. Mas o jogo era também para mim muito importante por acontecer no Dia dos Avós”, afirma. Até porque, explica, o cordão umbilical que o liga aos sadinos tem uma razão de ser muito particular. “A minha história vitoriana está muito ligada ao meu avô. Foi com ele que comecei a ir à bola, ao Bonfim, a todos os jogos.”

O triunfo no domingo foi mais do que um alívio. Apesar de reconhecer que, enquanto vitoriano, não consegue comemorar manutenções, Mário Paixão sempre deixa escapar que ficou “de coração cheio”.

Paulo Sousa, mais do que habituado a estas andanças – ex-presidente do VIII Exército –, não escondeu felicidade. “Foi um orgulho ver a cidade estar com o Vitória. A maior parte demonstrou que é vitoriana”, atira, já em dia de descompressão. “É pena é o coração estar sempre acelerado. Mas em Setúbal é difícil o verdadeiro sócio morrer de coração, porque já está habituado a esta pressão. Quando o final é feliz, é sempre mais saboroso”, conclui do alto dos seus 51 anos, ele que segue o clube desde que completou 13 Primaveras.

Apoio nos céus e canto de amor

O VIII Exército preparou uma mensagem que sobrevoou o Bonfim e marcou diferença. “Vitória Vence por Nós”, lia-se na tarja assinada pela claque e “rebocada” por uma aeronave.

Uma forma de apoio “sui generis”, diz José Freire, vice-presidente do VIII Exército, admitindo que a ideia “representou um esforço financeiro significativo, já que a aeronave veio da zona de Cascais”. A claque recebeu inclusive mensagens de parabéns vindas de simpatizantes de outros clubes. Por todas as razões e, sobretudo mais uma, o investimento valeu a pena. “Estaremos sempre com o Vitória”, justifica o responsável, lembrando que a claque nunca arredou pé das imediações do estádio no apoio à equipa.
O Grupo 1910, outra das claques de apoio ao Vitória, cantou o amor ao clube: “É um sentimento que não controlamos”. Um sentimento que no domingo foi de “alívio”, admite o grupo, juntando: “Foi uma época desgastante para todos, completamente atípica, e por isso mesmo e por todas as forças que nos tentaram derrubar, a manutenção teve ainda um sabor melhor”. Os ultras defendem ainda que é tempo de o Vitória inverter o paradigma de lutar ano após ano apenas pela permanência.

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