Liberdade FC: O clube que nasceu de operários da Mutela com o objectivo de ser pioneiro

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Clube da Cova Da piedade completou 100 anos no dia 28 de Maio. É a mais jovem colectividade centenária de Almada

Situado numa estreita e histórica rua da Cova da Piedade, o Liberdade Futebol Clube é a mais jovem das colectividades centenárias do concelho de Almada. Fundado a 28 de Maio de 1920, tudo começou numa conversa entre dez amigos trabalhadores do antigo estaleiro da Mutela, que tinham na mira criar um clube desportivo para a prática de futebol.

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Uma data relembrada pelo Presidente da República que, com a presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, esteve presente no centenário do clube. Para além de deixar uma mensagem de “solidariedade” para com as colectividades do País, apontou o Liberdade como “pioneiro” em diversas modalidades e pelo seu “exemplo de solidariedade e espírito cívico”.

Marcelo Rebelo de Sousa referia-se, em grande parte, à disponibilidade do clube, em protocolo com a autarquia, para ceder um espaço nas suas instalações para acolhimento de pessoas em situação de sem-abrigo. Isto em Março deste ano, altura em que “os números de infectados com Covid-19 subiam de tal forma que não permitia a distribuição de refeições pelas equipa que tradicionalmente o faziam”, referia então o Presidente da República.

Conhecido também como Mutela, nome que tem inscrito na sua bandeira em referência à localidade onde tem sede e actividade, a ideia do nome Liberdade conta-se que veio da parte de um taberneiro local que, ao ouvir a conversa dos fundadores, disse: “Rapaziada já que estamos no tempo da implantação da República e queremos liberdade, porque não por o nome de Liberdade Futebol Clube?”, assim se lê na página da colectividade.

E o nome foi aceite por Bernardino Casimiro, António Luís de Oliveira, Guilherme Alcobaça, Darwin e Filipe, que trataram de angariar sócios e fundos para organizar a equipa de futebol.

Em 1928 o Liberdade recebeu em casa o Carcavelinhos, o então Campeão de Lisboa que venceu equipas como o Sport Lisboa e Benfica, o União de Lisboa e Casa Pia. O clube da Mutela venceu por 4-1.

Anos depois, com a II Grande Guerra Mundial, o clube passou por momentos críticos; faltavam-lhe atletas e meios para continuar. A resposta veio do vizinho Mutelense, com os seus atletas a integrarem a equipa do Liberdade e travarem o desaparecimento da colectividade que tinha no futebol a sua única modalidade. Um desses nomes foi Jacinto Marques, um piedense que veio a transferir-se para o Sport Lisboa e Benfica.

Em 1952, o clube da Mutela foi pioneiro na criação da modalidade de andebol de onze e mais tarde no andebol sete onde chega a ser campeão da II Divisão Nacional. A par disto, criou o Grande Prémio de Atletismo, que durante a década de 60 se disputou no dia de aniversário do clube.

Em 1973 o Liberdade criou uma equipa de futebol salão, ano este em que se realizou o 1º grande torneio de Futebol Salão que continuou até ao final da década de 80.

“Sem dúvida que o Liberdade Futebol Clube contribuiu imenso para a formação pessoal e social dos habitantes de Almada, ao longo de toda a sua existência. Cabe assim à instituição continuar a fazer o excelente e honroso trabalho que tem feito, sempre com vista na formação pessoal, colectiva e social”, refere o clube na sua página oficial.

Mais modalidades e reforço do apoio social

Com modalidades como o Futsal, Basquetebol Feminino, Setas, Pesca Desportiva e Atletismo, para além das camadas de formação, o Liberdade Futebol Clube viu-se, de repente, parado por causa da pandemia Covid-19, mas os projectos vão ter continuidade.

Diz Pedro Miguel, secretário da direcção, que quando o clube puder retomar actividade vai introduzir as classes de Baby Basquetebol e Andebol de formação, e dar novo élan às modalidades que tinha antes da paragem.

Entretanto, mantém activo o apoio à comunidade com a distribuição de bens alimentares à população carenciada. “Em Fevereiro entregámos meia tonelada de alimentos a uma associação na Charneca de Caparica” diz Pedro Miguel.

Também no capítulo do apoio social, a colectividade, actualmente com cerca de 300 sócios, vai manter em funcionamento até o fim de Julho o espaço que cedeu para acolher pessoas sem-abrigo, que motivou a visita de Marcelo Rebelo de Sousa à colectividade em dia de centenário.

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