Misto de esperança e preocupação domina universo vitoriano

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Sandro Mendes, Carlos Cardoso e Chumbita Nunes expectantes sobre resultado do recurso

 

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A notícia do impedimento do Vitória Futebol Clube em inscrever a sua equipa principal de futebol nas provas profissionais deixou os setubalenses incrédulos e, apesar de haver quem acredite no recurso, há também quem tema pelo futuro do clube. Este misto de sentimentos é comum entre adeptos anónimos, bem como entre pessoas que estão ligadas de forma directa à história de um emblema que celebra 110 anos de existência no próximo dia 20 de Novembro.

A decisão da Comissão de Auditoria da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) em reprovar os processos de licenciamento e decretar a descida ao Campeonato de Portugal monopoliza os temas de conversa em Setúbal. Nos cafés e nas ruas os sadinos não falam de outra coisa. Ainda atordoados pelo murro no estômago, depois de no domingo milhares de pessoas terem saído à rua para apoiar a equipa e, após o triunfo 2-0 sobre o Belenenses SAD, festejar a permanência, eis os testemunhos de Sandro Mendes, Carlos Cardoso (antigos capitães de equipa e treinadores) e Chumbita Nunes (presidente entre 2003 e 2006).

Sandro Mendes assustado com momento actual

Quando iniciou o campeonato 2019/20, época em que Sandro Mendes esteve ao leme do Vitória FC nas primeiras oito jornadas, o treinador estava longe de imaginar que os sadinos passassem por um momento conturbado como o actual. “Quem como eu ama o Vitória só pode estar muito preocupado, apreensivo e assustado com o que está a acontecer e, sobretudo, com o que pode vir a resultar desta situação”.

Por estar neste momento totalmente focado no curso UEFA Pro que está a frequentar em regime de internato na Cidade do Futebol, em Oeiras, o técnico, que num futuro próximo terá o nível máximo de treino exigido, frisa não estar por dentro do caso, mas deseja que o clube leve o recurso a bom termo. “Nasci em Setúbal, fui criado aqui e esta é a cidade onde vivo o meu dia-a-dia. O Vitória é parte intrínseca desta terra e não concebo que o clube não possa competir nas provas profissionais”.

Em conversa telefónica com O SETUBALENSE  num intervalo do curso UEFA Pro, onde tem como colegas, entre outros, Silas, Renato Paiva, Tiago Mendes (treinador do V. Guimarães) e Artur Jorge (Sp. Braga), o histórico capitão dos sadinos, que em 2005 e 2008 ergueu, respectivamente, a Taça de Portugal e a Taça da Liga, torce para que o “Vitória permaneça num lugar que é seu por direito”.

Carlos Cardoso afirma que há clubes que querem “andar no futebol ‘à pala’ do tribunal”

Mais esperançoso num final feliz para o Vitória está Carlos Cardoso, antigo capitão e treinador dos setubalenses que mostra-se confiante na resolução do problema durante o prazo de três dias que a actual direcção tem para recorrer da decisão. “Estamos um bocadinho desassossegados, mas não podemos estar muito preocupados porque estas coisas têm surgido e o Vitória tem-se mantido na 1.ª divisão. Por isso, penso que os vitorianos devem estar tranquilos porque, se for igual aos outros anos, é um ‘fait-divers’”.

Aos 75 anos, Carlos Cardoso, antigo defesa nas décadas de 1960 e 1970, lembra que nas temporadas mais recentes há sempre clubes a tentar alcançar na secretaria do que não conseguiram em campo. “Todos os anos as equipas que descem de divisão querem que o Vitória os substitua. O ano passado foi o Chaves a querer tirar partido desta situação e noutro ano foi o União da Madeira. Agora até o Portimonense, clube que, como nós, é do Sul do país e quer aproveitar andar no futebol à pala do tribunal e da Liga”.

Carlos Cardoso não esconde que a decisão anunciada pela LPFP foi um autêntico ‘balde de água fria’ depois de o clube e a cidade terem celebrado a permanência no domingo, após o triunfo (2-0) sobre o Belenenses SAD. “Parece ser sina não poder festejar uma coisa que deve ser celebrada. A manutenção é importante porque se não se ficar na I Liga é uma queda muito grande. Peço aos sócios que tenham calma porque as coisas não hão de ser como essa gente quer. Querem ganhar os jogos sem jogar”.

A antiga glória, que já neste século ajudou como treinador o Vitória a garantir a permanência na I Liga, deixa uma mensagem aos adeptos. “Apesar de um bocadinho de preocupação, acho que os sócios do Vitória devem estar sossegados. Todos os anos temos festa no final do campeonato e o Vitória manteve-se na 1.ª divisão como já tinha acontecido três ou quatro vezes comigo, duas delas em jogos com a Naval, na Figueira da Foz”, recordou.

Chumbita Nunes diz que eventual descida tem “efeitos devastadores na cidade”

Quem também não ficou indiferente ao momento actual é Chumbita Nunes, presidente do clube em 2005, ano em que os sadinos conquistaram a sua última Taça de Portugal. O dirigente revela muita apreensão pela possibilidade de o Vitória cair para o Campeonato de Portugal. “Como é normal, estou muito preocupado. Neste momento qualquer vitoriano deve estar e eu, que fui presidente, ainda mais. Não sei o que se passa exactamente porque não estou lá dentro. Não posso opinar sobre coisas que desconheço. Apenas sei o que vem na comunicação social”.

O advogado, que foi candidato à direcção do clube nas eleições de Janeiro de 2020, teme as consequências que podem resultar da queda do emblema sadino para o terceiro escalão do futebol nacional. “Se o Vitória for para o Campeonato de Portugal tem uns efeitos tremendos, devastadores na cidade de Setúbal e não só. O Vitória Futebol Clube é um histórico de Portugal, está na I Liga vai para 17 anos consecutivos. Tudo isto mói e transtorna as pessoas. O Vitória é a maior referência da cidade e da região”, frisou.

Chumbita Nunes, líder dos sadinos entre 2003 e 2006, considera que o desfecho do processo terá sempre a direcção presidida por Paulo Gomes como responsável. “Quem está a gerir tem responsabilidade sobre as situações. Eles é que estão à frente do clube e tinham de tratar das coisas. Se trataram ou não, não posso comentar porque não sei os contornos todos da situação”, concluiu.

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