18 Janeiro 2021, Segunda-feira
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Gritos e acusações no balneário do Bonfim. Treino foi cancelado

Presidente exibe contratos dos jogadores no balneário e acusa os mais velhos de instigarem a greve aos treinos

 

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Dois dos capitães do Vitória Futebol Clube, José Semedo e Zequinha, abandonaram ontem de manhã o balneário da equipa, no Estádio do Bonfim, depois de terem sido acusados pelo presidente, Paulo Rodrigues, de estarem entre os principais impulsionadores das greves aos treinos feitas pelo plantel na sexta-feira e sábado passados.

O ambiente ‘aqueceu’ ainda mais quando o dirigente expôs os contratos dos jogadores, revelando os vencimentos do médio e do avançado. Incrédulos e indignados com o sucedido, os jogadores desequiparam-se e deixaram o balneário. Depois deste episódio, o treinador Alexandre Santana mostrou-se solidário com os jogadores e informou que não haveria treino.

Fonte do clube revelou ao nosso jornal que quem presenciou o incidente viu os ânimos muito exaltados. “Houve gritos e chegou-se a temer que houvesse confronto físico, o que não se verificou por um triz”, relatou, referindo que os presentes ficaram “surpreendidos pela forma desrespeitosa” como o presidente se dirigiu aos atletas.

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Depois de ser relegado pela Liga ao Campeonato de Portugal, devido ao incumprimento dos pressupostos financeiros, o Vitória atravessa uma grave crise. O plantel tem três meses e meio de salários em atraso e desespera por uma solução, que ponha fim à situação em que se encontram. Recorde-se que Paulo Rodrigues foi eleito presidente a 18 de outubro e já afirmou que só com a entrada de um investidor, cujas negociações estão em curso, se poderá regularizar a situação que herdou dos seus antecessores.

 

Paulo Rodrigues e os salários dos trabalhadores: “Vamos arranjar solução o mais rápido possível”

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Entretanto, depois de revelar na edição de ontem a carta dirigida por 12 trabalhadores do Vitória FC aos presidentes da direcção (Paulo Rodrigues) e da Mesa da Assembleia-Geral (Nuno Soares), em que afirmam ter sido “abandonados”, O Setubalense ouviu o líder da direcção que se mostra solidário com os funcionários, mas recusa a ideia de os ter abandonado. “Recebi a carta. Os trabalhadores têm o direito de a escrever e estou solidário com eles. Não posso é aceitar que digam que estão abandonados porque estive com os funcionários todos os dias nas duas primeiras semanas de trabalho”.

Paulo Rodrigues reforça esta ideia, garantindo que fala diariamente com os trabalhadores no Bonfim. “Entro todos os dias no estádio às 08:00 horas e saio às 22:00. O meu gabinete está sempre aberto para os receber. Não é verdade que se sintam abandonados porque todos os dias temos ajudado funcionários de uma ou de outra forma. Alguns até já têm o salário regularizado”.

Com mais de quatro meses de vencimentos em atraso, os funcionários, “cada um nas suas funções passando da relva à lavandaria, da limpeza aos serviços administrativos”, confessam estar “cansados de promessas, de falsas esperanças e de inverdades a cada dia que passa ao longo destes quatro meses”. Paulo Rodrigues, eleito para a presidência a 18 de Outubro, frisa que a situação actual não é de agora. “Não fomos nós que criámos esta situação, mas vamos tentar resolver a situação deles”.

E acrescenta: “Podem sentir-se abandonados por causa dos salários, mas isso já vem de há três meses e meio. A desgraça que existe não fomos nós que fizemos em 10 dias. Esta desgraça já tem três meses e meio de mentiras, omissões e não pagamentos aos funcionários da direcção anterior”, disse aludindo aos órgãos sociais antes liderados por Paulo Gomes.

Paulo Rodrigues considera que existem neste momento duas versões diferentes entre os trabalhadores: a da carta e a que ouve no dia-a-dia. “Há funcionários que me dizem que nunca tiveram um presidente tão próximo deles. Dizem uma coisa num lado e outra noutro? Há duas versões dos funcionários. O que é verdade é que temos ajudado funcionários todos os dias desde o dia que entrámos até agora. Vamos continuar a fazê-lo e arranjar uma solução o mais rápido possível”.

 

Carlos Chaby já não é coordenador do futebol de formação

Entretanto, o e emblema setubalense informou na sua página oficial deixou no final da passada semana o cargo que exercia no futebol de formação do clube. “Informamos que Carlos Chaby, até ao presente coordenador geral do futebol de formação do Vitória FC, colocou o seu lugar à disposição, e entendeu-se ajustado cessar as suas funções”, lê-se na nota emitida.

“O Vitória FC não pode deixar de destacar a elevação e disponibilidade para colaborar com a atual Direção e novo coordenador do futebol de formação, bem como a forma profissional e exemplar com que sempre representou o clube”, sublinham, deixando uma mensagem de gratidão. “Agradecemos todo o seu trabalho e desejamos felicidades pessoais e profissionais para o seu futuro”.

 

Ricardo Lopes
Jornalista
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