Helder Oliveira: “A tatuagem identifica um personagem interior”

O mais antigo tatuador de Setúbal acredita que a tatuagem é, cada vez mais, uma arte reconhecida, que grava na pele estados de alma.

Tatuador há mais de 30 anos, reconhecido a nível nacional e internacional, mas ainda com muito por descobrir e mostrar, Helder Oliveira revê na imagem “anos de luta reflectidos no rosto de quem nunca abandonou a profissão, sempre com um caminho aberto à novidade e à Arte”. Aqui está, até, mais do que o seu rosto marcado pela experiência, “está um espírito sempre novo”.

Uma carreira marcada por obstáculos “mas sempre com auto-estima para seguir em frente”. Para o artista que também se dedica a criar quadros esta é uma área muito difícil, “especialmente com um desenho e estilo próprios”.

Imagens grandes e ousadas. Peças de arte únicas, gravadas na pele onde “a tatuagem identifica um personagem interior. Perante a sociedade ela mostra posição, experiências, estados de espírito”.

“Há 31 anos tatuar era uma aventura”

Na época em que iniciou a sua carreira “tatuar era uma aventura, uma novidade que todos queriam experimentar”. Os desenhos eram criados de raiz, “muitas vezes no momento em que se ia fazer a tatuagem, com a inspiração daquela hora”. Algo que leva Helder Oliveira a considerar que, na época, “talvez isso fizesse o tatuador mais artista”.

Hoje reconhece que muito se perdeu dessa veia artística espontânea. “A maior parte dos desenhos são adaptações. Personalizados, sim, mas não únicos”.

Experiências vividas por Helder na cidade onde sempre quis trabalhar e espera continuar, “pelo menos nos próximos 30 anos”. E na cidade onde continua a recriar a sua Arte espera pelo dia em que “os artistas deixem de estar no obscuro e não sejam apenas conhecidos quando estão fora”.

Metas de quem não desiste e quer ver mais união entre profissionais e colegas. Afinal, “estar entre estes 20 artistas traz em si uma sensação única de respeito e gratidão”.

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