24 Janeiro 2021, Domingo
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SFUA: A casa onde um comício da oposição ajudou a derrotar Marcello Caetano

Primeira saída da orgulhosa banda do Pinhal Novo foi a Palmela, a 6 de Dezembro de 1987, pela mão do ensaiador, Henrique Isidoro Costa, que era “palmelão”

A Sociedade Filarmónica União Agrícola de Pinhal Novo (SFUA) nasceu a 6 de Dezembro de 1896, por um lote de fundadores que tinha como objectivo dedicar-se à actividade musical.

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Não existe um elevado número de documentação oficial sobre a colectividade – muita foi perdida e outra deteriorada por constantes cheias e infiltrações que ainda hoje se verificam -, mas terão sido fundadores da SFUA Augusto Nogueira Faria, Luiz Faria, João Martins Mortal, José Martins Mortal, Manuel Domingos Margarido e João do Restaurante.
Devido à falta de documentação, tem-se a ideia de que, na primeira metade da década de dez do séc. XX, a vida da SFUA se cruza com a de outra colectividade, o Grupo Dramático 1.º de Julho.

Por volta de 1918, em assembleia geral do Grupo Dramático 1.º de Julho, é apresentado um ofício que propõe a fusão de colectividades, surgindo assim o Grupo Dramático União Agrícola 1.º de Julho.

Depois disto, sabe-se apenas que no início da década de 20 surgem documentos já com denominação Sociedade Filarmónica União Agrícola, aparecendo assim os primeiros estatutos. Este documento, porém, apenas viria a ser aprovado pelo Governo Civil de Lisboa por volta de 1925, com a colectividade a receber o seu alvará.

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De Pinhal Novo para Palmela, a primeira saída da banda

Reza a pouca informação disponível que a primeira saída da banda da colectividade, que depois se transformaria na SFUA acontece logo no primeiro aniversário da agremiação, a 6 de Dezembro de 1897.

Segundo informação recolhida e publicada pelo Jornal do Pinhal Novo, a 6 de Dezembro de 1966, no 70.º aniversário da colectividade, José Baltazar lê um documento escrito pelo pai e fundador da SFUA José Martins Mortal.

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Na nota é dito que essa saída é liderada pelo “palmelão” e distinto músico da região Henrique Isidoro Costa, que foi organizador, ensaiador, mestre de aprendizes e regente da banda filarmónica. O regente pretendia mostrar “às gentes da sua terra” os músicos a seu cargo.

Henrique Isidoro Costa era cantoneiro de profissão, na estrada que passa no Alto das Necessidades, muito perto de Azeitão.

1969, o ano em que a União Nacional e Marcello Caetano saem derrotados em Pinhal Novo

Nas eleições de 1969, em pleno Estado Novo, a CDE (Comissão Democrática Eleitoral), partido de oposição à União Nacional, pede à SFUA que ceda as suas instalações para um comício eleitoral.

A situação foi levada a Assembleia Geral e decidiu-se que sim, o espaço seria cedido, com a ressalva de que a União Nacional também poderia utilizar se assim o achasse, o que não veio a acontecer.

Não só houve comício da CDE, como a União Nacional saiu derrotada na freguesia de Pinhal Novo. A fonte ouvida por O SETUBALENSE, professor, autor e com 70 anos de Pinhal Novo, estava presente quando o último orador, e principal, proferiu a frase que marcou a situação: “Se for preciso, morrerei convosco debaixo de uma locomotiva”.
Foi ainda dito a O SETUBALENSE que a ideia de que “antigamente é que era bom”, relativamente às colectividades, é “falsa”, porque “no caso da SFUA, nunca houve, em quantidade e qualidade, tanta actividade”.

Sede, documentos e actualidade

A colectividade teve a ideia de construir um coreto no ano de 1926, o que se viria a concretizar em 1927.

Relativamente à sede da SFUA, esta foi inaugurada em 1925 e o terreno acabou por ser mesmo comprado pela associação, em 1946.

Uma visita d’O SETUBALENSE à sede da Sociedade Filarmónica União Agrícola confirmou que, apesar de várias remodelações e melhoramento nas instalações, o problema das cheias persiste, o que terá mesmo destruído bastante documentação.

Do espólio documental que sobra, deteriorado, foi possível encontrar actas com mais de cem anos, mas que se tornaram demasiado sensíveis para manuseamento ou, inclusivamente, de difícil leitura devido ao tipo de caligrafia usado na altura em que foram escritas. De qualquer forma, a originalidade, história e beleza dos documentos mantém-se intacta, para bem da SFUA e para os que para ela vivem.

Paulo Pinho, presidente da direcção, que começou este ano o seu segundo mandato de dois anos, admite que as instalações precisam de “um pouco de tudo” no que toca a obras e intervenções nas estruturas, admitindo que, para investimentos de “maior porte”, a SFUA está um pouco dependente do que a autarquia de Palmela “conseguir ajudar”.
Sobre os actuais objectivos da colectividade não conseguiu fugir à questão da pandemia e que, “em Setembro, naquilo que se pode considerar o novo ano lectivo”, espera que tudo já regresse à normalidade.

No entanto, dentro das normas de saúde e higiene ditadas pela Direcção-Geral da Saúde, muitas actividades já regressaram, com restrições, à SFUA, com excepção para “os mais pequenos, que são sempre mais difíceis de se manter afastados”.

BI
Nome: Sociedade Filarmónica União Agrícola de Pinhal Novo
Data de Fundação: a 6 de Dezembro de 1896
Nome pela qual é conhecida: SFUA
Actividades principais: Banda filarmónica, Coro, Actividades Desportivas, Ballet, Danças de Salão
Presidente: Paulo Pinho

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