O diagnóstico confirma diferença assustadora entre região de Setúbal e margem norte do Tejo *

A Plataforma para o Desenvolvimento da Península de Setúbal é uma estrutura informal que reúne, neste momento, as quatro associações fundadoras, representativas de uma parte muito significativa da população e da actividade económica da região, mas está, obviamente, aberta a nova adesões das forças vivas que queiram partilhar os nossos objectivos e aumentar a nossa força.

A plataforma não vai fazer política nem vai levantar problemas, estamos cem por cento focados no objectivo único de conseguir que a Península de Setúbal volte a ter acesso aos fundos comunitários a que tem direito, dado o seu estado de desenvolvimento, ajudando assim a redinamizar a região e o investimento empresarial e social, público ou privado, com as naturais consequências positivas para a criação de emprego e o bem-estar da população que aqui reside.

Antoine Velge – Presidente da Associação da Industria da Península de Setúbal (AISET)

A plataforma não vai descansar enquanto não atingir este objectivo, importante e justo.

A primeira coisa que fizemos foi um estudo sobre o estado da península, porque tínhamos, cada um na sua área, a sensação de que a situação das pessoas e das empresas não estava famosa.

Por detrás dos sucessos incontestáveis e muito mediatizados de empresas como a VW Autoeuropa e a The Navigator company, escondia-se uma região em queda ao nível do investimento, em perda de velocidade ao nível das PME, e uma região empobrecida.

O diagnóstico confirma esta situação de uma maneira assustadora.

O PIB per capita da região de Setúbal passou, de 2000 a 2016, de 68% da média europeia a 55%. A Península de Setúbal é a região em Portugal que mais se afastou da média. Houve um período de convergência, até 2006, mas, com a crise económica, agravada pela perda de fundos comunitários, perdeu investimento e relevância.

A península, em 2016, era a quarta região mais pobre de Portugal e durante o ultimo quadro comunitário de apoio divergiu do resto do país, com perda significativa de investimento, em benefício do norte, do centro e da região de Évora.

A inclusão da Península de Setúbal na AML fez-lhe perder a sua identidade e as suas estatísticas próprias assim como o acesso a fundos comunitários por causa do PIB per capita médio da AML. Mas há duas realidades muito diferentes, entre a margem norte e a Península de Setúbal.

A plataforma foi, em primeiro lugar, apresentar ao Governo de Portugal, em Maio, na pessoa do secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão, este triste diagnóstico, e pedir ajuda. E vamos continuar a alertar e a pedir ajuda a todas as estruturas políticas do país – partidos políticos, Parlamento e Presidência da República – e fora dele, principalmente a Comissão Europeia, que é o guardião do desenvolvimento equilibrado no seio da Europa, sobre esta situação grave, até a Península de Setúbal voltar a poder usufruir dos fundos de coesão.

Não precisamos de sair da AML. Basta reconhecer-se o desequilíbrio flagrante, dentro da NUTS AML, entre a margem norte do Tejo e a Península de Setúbal, que, como sub-região, se está a afastar perigosamente da média europeia.

NOTA. A AISET, fundada em Dezembro de 2014, sob a liderança do antigo director da VW Autoeuropa, António de Melo Pires, setubalense, tem actualmente 64 associados, que representam 3% do PIB nacional, seis mil milhões de volume de negócios e 17 mil postos de trabalho.

*Declaração proferida na apresentação pública do estudo ‘NUTS Península de Setúbal: Caminho para o desenvolvimento’, a 12/07/2018, em Setúbal. Titulo feito pelo DIÁRIO DA REGIÃO.

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