Carlos Clara, CEO do Grupo Clara Saúde: “Os valores humanos e sociais são as nossas prioridades”

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É desta forma que o Grupo Clara Saúde quer “assumir um papel de relevo num sector altamente competitivo como o dos cuidados de saúde”

O Grupo Clara Saúde nasceu em 2010. Há uma década. Um espaço temporal suficiente para colocar a empresa no estágio de desenvolvimento e consolidação “onde foi planeado estar”, revela Carlos Clara, CEO do Grupo em entrevista a O SETUBALENSE. “Temos crescido todos os anos, mas só há cerca de dois abordámos a gestão de uma forma profissional. Eu próprio saí da função pública onde exercia a função de director de serviço num hospital do nosso distrito para me dedicar a tempo inteiro a este projecto familiar. Terminámos há pouco tempo a estruturação e organização do grupo e estamos preparados para enfrentar o futuro com o optimismo que esta crise actual nos concede”, salienta.

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Sendo um “player” novo num sector altamente competitivo, o que trouxe de novo ao mercado? Que factores distinguem o Grupo em relação à concorrência?

O Clara Saúde é um grupo familiar; os seus donos são profissionais de saúde, que trabalham a tempo inteiro no mesmo. Só este facto por si só é um factor diferenciador dos grupos empresariais a actuar na saúde em Portugal. Digo diferenciador sem qualquer tom de crítica; apenas, pela nossa natureza e postura, faz com que a nossa atitude seja diferente.

Penso que temos várias características de diferenciação. Toda a nossa actuação é guiada, em primeiro lugar, por critérios médicos e científicos e só depois vêm os aspectos económicos e financeiros.

Temos uma forte actividade de investigação científica aplicada, sendo membros de instituições dedicadas a esse fim.

Finalmente, a proximidade que mantemos com os nossos utentes e a importância que damos aos valores humanos e sociais têm sido as nossas prioridades.

Estamos a passar por um tempo excepcional. Que balanço faz destes, praticamente, últimos dois meses da actividade do Grupo com todas as restrições provocadas pela Covid-19?

Implementámos no terreno uma estratégia baseada em quatro vertentes principais: por um lado, dotámo-nos dos meios necessários para responder, sem interrupções, como aconteceu à maioria dos laboratórios nacionais, à necessidade de testes de diagnóstico para Covid-19; não fecharmos as portas das nossas unidades para podermos continuar a servir a nossa comunidade nas situações que nada têm a ver com a pandemia; implementámos uma política de manutenção do emprego no seio do Grupo; finalmente fomos dos primeiros a lançar um sistema de rastreio de Covid-19, a Triagem Stop Covid Clara Saúde, para ser aplicado à população em geral e não só aos suspeitos da doença. Foi esta abordagem integrada que nos permitiu estabelecer parcerias com a maior parte do municípios e outras entidades do nosso distrito e do Alentejo.

Estamos igualmente a colaborar com muitas entidades de saúde públicas no diagnóstico, nomeadamente no Alentejo, através da execução, pelo nosso laboratório central, o Labocentro, no Pinhal Novo, dos testes de RT-PCR para Sars-CoV-2.

Internamente que medidas teve de tomar e como consegue manter equipas unidas e motivadas para assumir ao seu lado este desafio?

Em primeiro lugar assegurar a todos que tudo farei para que não haja desemprego no nosso Grupo.

Por outro lado, implementar as normas necessárias para que todos os colaboradores estejam o mais seguros possível, no que diz respeito a questões sanitárias.
Implementámos as teleconsultas, musculámos as equipas de enfermeiros para mais domicílios, mais técnicos nas colheitas, criámos uma linha de especialistas para responder com todo o profissionalismo à Covid-19.

A abordagem assenta numa estratégia de triagem em massa que possa sinalizar as situações que necessitam de testes de diagnóstico RT-PCR, as que não necessitam e as que precisam ficar em vigilância para serem triados novamente. De extrema importância é o início do estudo da imunidade da população por forma a devolver o maior número de pessoas aos seus locais de trabalho, testes esses que fomos dos primeiros a começar a fazer.

Por último, lançar projectos desafiantes, que os nossos colaboradores abraçaram com o empenho, alegria e motivação que os caracteriza: equipas especiais para rastreio de Covid-19; equipas para “fabrico” de máscaras e outro material de protecção individual; constituição de uma equipa científica para efectuar estudos epidemiológicos e de investigação sobre a Covid-19.

No seio do Grupo já está definida uma estratégia de actuação de acordo com as novas “regras” para o caso desta crise se prolongar por tempo indeterminado?

Embora se tenha gerado uma desconfiança relativa à interacção humana, penso que a nossa vida de relação voltará progressivamente ao normal. Já o mesmo não acontecerá, tão cedo, à estrutura da sociedade portuguesa, cujo descalabro económico trará feridas muito difíceis de sarar. Esta percepção já foi transmitida a todos os colaboradores, que estão preparados para as “adaptações” que terão que ser implementadas, muitas delas já em curso.

Do ponto de vista médico, qual a principal mensagem que gostaria de passar para o exterior?

Os portugueses sempre sofreram ao longo do tempo as consequências das mais diversas crises e sempre conseguiram superá-las, com mais ou menos dificuldade. Na actual pandemia já somos exemplo para muitos outros países, na forma como nos comportamos, na forma como abordámos o problema, na competência do nosso Sistema Nacional de Saúde. Digo sistema pois não só o Serviço Nacional de Saúde (SNS) respondeu bem, como também o sector privado, social e convencionado estão a contribuir para que a nossa performance a nível de saúde esteja a um nível tão elevado.

Grupo doa material de protecção pessoal e testes a hospitais do distrito

Desde o início da crise sanitária provocada pelo coronavírus que o Grupo liderado por Carlos Clara, assumiu uma postura activa no combate ao vírus. Atento à pandemia e a todo o esforço que os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) têm vindo a realizar, o Grupo acaba de oferecer aos hospitais que apoiam a população do distrito de Setúbal vários milhares de máscaras cirúrgicas, luvas e viseiras assim como testes RT-PCR para Covid-19 aos profissionais de cada um dos hospitais. A acção de entrega destes equipamentos decorreu na semana passada no Hospital Garcia de Orta e Centro Hospitalar Barreiro/Montijo. Esta segunda-feira será a vez do Hospital São Bernardo Setúbal receber este apoio.

“Mas a maior ajuda que podemos neste momento oferecer é disponibilidade”, frisa o médico e CEO do Grupo Clara Saúde. “As pessoas neste momento precisam de respostas rápidas e alguém que as auxilie, principalmente na sua saúde não relacionada com a pandemia actual”, acrescenta. “Não podemos deixar a nossa população adoecer e morrer por falta de assistência, que neste momento está a ser canalizada para a Covid-19. E isto já está a acontecer por todo o País”, alerta.

Mais de duas dezenas de unidades de saúde e grande diversidade de serviços

O Grupo Clara Saúde, que desde 2010 se dedica à prestação de cuidados de saúde nas áreas clínicas de ambulatório, diagnóstico laboratorial, anatomia-patológica e de imagiologia, conta já com 22 unidades e mais de 100 postos de colheita. Tem a sua sede na Margem Sul, mais concretamente no Pinhal Novo e distribui as suas unidades pela região da Grande Lisboa e Alentejo. Em termos geográficos a estratégia inicial passou por concentrar o crescimento a sul do Tejo, mas nesta altura, salienta Carlos Saúde, “a presença no Alentejo já importante para o grupo”. “Até porque é uma região do País um pouco abandonada pelos outros players da área da saúde. Assim sendo, estamos preparados…podem contar connosco!”. O CEO do Grupo confessa a concluir: “Embora não tenhamos uma vocação expansionista, o crescimento está sempre no nosso horizonte. Temos planos para crescer mais nas áreas científicas e de investigação. É nesse plano que nos queremos afirmar. Por outro lado, não descuramos a vertente social da prestação de cuidados de saúde (teremos novidades nesta área em breve)”.

Por Luís Pestana

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