Festival de Teatro de Almada quase 100% em português e mais dias nos palcos

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Rodrigo Francisco lembra que o certame apresenta produções que só podem ser vistas fora da capital

Após três meses e meio de paragem, a criação teatral portuguesa volta aos palcos na maior festa do teatro do país

 

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Com 17 espectáculos, 14 deles de companhias portuguesas, o 37.ª Festival de Almada realiza-se de 3 a 26 de Julho, mais uma semana que nas edições anteriores, para dar oportunidade ao público de ver mais espectáculos, uma vez que a lotação nas sete salas vai estar limitada para responder às directrizes da Direcção-Geral da Saúde.

Esta uma das alterações para este ano, tendo em conta a situação pandémica, a outra é que o palco ao ar livre na Escola D. António da Costa, com capacidade para cerca de 600 pessoas, não vai funcionar. “Não foi possível encontrar as condições sanitárias e de segurança necessárias, diz Rodrigo Francisco, director artístico da Companhia de Teatro de Almada.

A companhia que criou e organiza aquele que é “o maior festival de teatro do país”, diz a presidente da Câmara de Almada.

Para Inês de Medeiros, realizar o festival neste momento crítico para as produções culturais, revela a “foça da Companhia de Teatro de Almada e a importância deste Festival”. E se a realização deste anos ainda chegou a ser ponderada, a autarca revela ter recebido da Ministra da Cultura, Graça Fonseca, que “tudo fosse feito para que o festival se realizasse”.

Com menos espectáculos, e quase exclusivamente com produções portuguesas, Inês de Medeiros comenta a O SETUBALENSE que a edição deste ano, “não pode, de modo algum, ser entendida como menor comparativamente com as anteriores”. É sim, um Festival que se realiza “numa altura muito particular”.

E não perde oportunidade para deixar o agradecimento à Companhia de Teatro de Almada e ao seu director artístico, por ter sido desenhado um programa que reforça que este é o momento de “dar um salto de vitalidade, de importância e solidariedade com todos os grupos de teatro, criadores, encenadores, actores e técnicos”.

Para além do apoio ao Festival de Almada, Inês de Medeiros realça que a autarquia “vai continuar a apostar na cultura”, assim como as companhias do concelho “serão ajudadas a reprogramar os espectáculos que não puderam acontecer”. A autarca vinca ainda que “em alturas de crise, o pior que pode acontecer é considerarmos que a cultura é dispensável; porque não o é”.

Quanto às companhias portugueses, que aceitaram fazer mais espectáculos e vão estar em palcos de Almada e Lisboa, Rodrigo Francisco aponta que a escolha teve também o critério de trazer produções que, normalmente, só podem ser vistas fora da capital.

Com três estreias nacionais, o Festival de Almada abre, precisamente com um espectáculo em estreia pelo Teatro Experimental de Cascais sobre o texto de Tennessee Williams “Bruscamente no Verão Passado”, encenado por Calos Avilez, o homenageado da edição do ano passado.

Agora na 37.ª edição, a escolha recaiu sobre o actor e encenador Rui Mendes. Um homem de teatro que “é referência para várias gerações e que se mantém ainda no activo”, comenta Rodrigo Francisco a O SETUBALENSE.

Com percurso no teatro e cinema, Rui Mendes de 83 anos, subiu ao palco como profissional aos 19 anos, tendo passado por elencos no Teatro Monumental, no Teatro ABC, no Teatro Nacional Popular, no Teatro da Malaposta e no Novo Grupo.

“O actor que queria ser sinaleiro”, vai ter uma exposição sobre o seu percurso artístico, patente no Teatro Municipal Joaquim Benite, da autoria de José Manuel Castanheira.

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