“Barreiro Reconhecido” premeia trabalho de figuras e instituições centenárias [com imagens]

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Frederico Rosa destacou o contributo dos homenageados

Um número reduzido de convidados, entre homenageados, individualidades e autarcas, assistiu à cerimónia de entrega de medalhas e galardões, no AMAC

 

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O Dia da Cidade, no Barreiro, foi este ano festejado de forma diferente, no último domingo, fruto da pandemia Covid-19, que levou a autarquia local a assinalar as comemorações do 36º aniversário, com as limitações impostas à situação do surto epidemiológico, que continua a obrigar a população da zona da Área Metropolitana de Lisboa a prosseguir as suas vidas, respeitando todas as recomendações da Direcção-Geral de Saúde. Frederico Rosa, presidente do município, sublinhou durante a sessão solene realizada no Auditório Municipal Augusto Cabrita (AMAC), e perante uma assistência claramente reduzida que, ainda assim, aquele momento “não deve ser vivido nem com menos emoção, nem com menos reconhecimento”.

O autarca afirmou que a cerimónia, para além de distinguir os galardoados de 2020 do “Barreiro Reconhecido”, permitiu ao executivo camarário “ter a oportunidade de fazer a atribuição de medalhas que não conseguimos realizar no Dia Municipal do Bombeiro”, referindo o caso concreto de José Nunes, da corporação dos Bombeiros Voluntários do Sul e Sueste, que naquela data foi agraciado com uma medalha relativa aos seus 40 anos de serviço, num momento em que os Soldados da Paz “têm prestado um trabalho ímpar a toda a comunidade”, realçou.

O presidente lembrou que aquela cerimónia, “mesmo com todos os condicionantes que temos”, não poderia deixar de recordar “aqueles que marcam a nossa cidade”, exaltando as distinções escolhidas para homenagear pessoas e instituições concelhias, no último caso, três colectividades “mais nobres, com um trajecto mais longo e não mais velhas”, referiu. “Fazem aquilo que tem que ser a imagem do movimento associativo em qualquer lugar e que no Barreiro o fizeram de forma excelente”, elogiou.

O edil dirigiu uma palavra de apreço pelo trabalho desenvolvido pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), igualmente distinguido, que é actualmente “um pilar da nossa democracia e hoje vemos a sua importância, homenageando todos os profissionais de saúde que fazem, na prática, com que este serviço seja um aumento decisivo para o bem-estar das pessoas, mas também na resposta a situações como a que vivemos e que, em bom tempo, a soubemos reconhecer”, desde aqueles que exercem a sua actividade no Hospital Nossa Senhora do Rosário, como nos centros de saúde.

Autarca destaca “o orgulho de ser do Barreiro”

“É fácil pensarmos nestes momentos com uma grande emoção e uma grande euforia, mas olhando hoje para uma sala diferente, num momento diferente, não consigo deixar de referir a força dada por todos ao longo dos anos e o trajecto das vossas vidas, que reflecte algo que nos inspira a todos, para enfrentarmos esta altura difícil que estamos a viver, para a união e que possamos pensar que haja esperança e futuro (por muito difícil que seja o presente), para que tenhamos convicção e força interior, e possamos acreditar que vamos ultrapassar esta fase”, concluiu. O autarca finalizou a sua intervenção, destacando aquilo que deve ser a postura de toda a população e que “é o orgulho de ser do Barreiro”, tendo durante a manhã decorrido a cerimónia do Hastear da Bandeira e a entrega de distinções a vários trabalhadores do município.

GALARDÕES “BARREIRO RECONHECIDO” 2020

Este ano, as condecorações a entidades e individualidades do concelho, com percursos relevantes e de grande impacto na vida e projecção da comunidade, incluíram:

Miguel de Sousa
Trabalho e Desenvolvimento económico

Nascido em Olhão, em 1939, fixou-se no Barreiro no início da década de 50, tendo feito o curso secundário no Liceu Nacional de Setúbal e, em Lisboa, no Liceu Passos Manuel. Licenciou-se na Faculdade de Medicina de Lisboa, entre 1957 e 1964, tendo iniciado a sua carreira nos hospitais civis de Lisboa, tornando-se especialista em Cardiologia no ano de 1969. Já em 1985 é convidado a integrar o quadro do novo Hospital Distrital do Barreiro, onde foi director de vários departamentos, sendo autor de vários estudos científicos e vencedor de dois prémios nacionais de medicina. Foi co-fundador da Sociedade Portuguesa de Cardiologia e, em 1982, da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, entre outras. Desde há 35 anos, participa nas Jornadas de Cardiologia e Hipertensão de Almada, tendo ainda sido médico na Santa Casa da Misericórdia do Barreiro e cardiologista do curso médico da CUF.

Sociedade Democrática União Barreirense – “Os Franceses”
Associativismo, Intervenção Social e Multiculturalidade

Fundada a 4 de Agosto de 1870, a colectividade ficou associada a várias transformações sociais e políticas, tendo a sua sede sido construída em 1930. Mais tarde, é erguido o ginásio, sendo desenvolvidas diversas actividades de âmbito cultural e desportivo, que lhe valeram o estatuto de utilidade pública. Outro passo importante foi o nascimento do Externato “O Início”.

Em 1997, foi assinada a cedência de um espaço para o Teatro de Ensaio do Barreiro (TEB) e, em 2016, foram inauguradas as novas instalações da creche. Com o estatuto de IPSS, a instituição tem um protocolo com o Centro Distrital de Segurança Social de Setúbal, para as respostas sociais. Actualmente, encontra-se “em apreciação a candidatura a serviço de apoio domiciliário”, atuando junto de 238 familías, num trabalho feito por 31 colaboradores. Recentemente, a sede foi alvo de obras, com a pintura da fachada e a substituição das janelas, intervenções nos WC e balneários.

José António do Carmo Batata
(a título póstumo)
Cultura, Desporto, Educação e Ciência

Nascido a 1 de Setembro de 1950, o barreirense viveu no Alto do Seixalinho, no “seio de uma família apaixonada pela música” e, desde essa altura, decidiu dedicar-se a esta arte. José Batata estudou na Escola Industrial e Comercial Alfredo da Silva, na década de 60, e frequentou o curso de formação de Auxiliar de Laboratório Químico, altura em que integrou diversos agrupamentos musicais juvenis, aprofundando os seus conhecimentos no Conservatório Nacional de Música de Lisboa, na década de 70.

O ex-responsável pela área da música do departamento de Acção Sociocultural da Câmara do Barreiro, foi ainda membro do júri de atribuição das Bolsas de Estudo Fernando Lopes-Graça e, com alguns dos bolseiros, decidiu fundar a Camarata Musical do Barreiro. Porém, a Escola de Jazz do Barreiro “é o seu incontornável projecto”, tendo sido o seu fundador em 1999. Viria a falecer a 11 de Janeiro de 2019, vítima de doença oncológica.

Jardim-de-Infância D. Pedro V
Associativismo, Intervenção Cultural e Multiculturalidade

Fundado a 15 de Setembro de 1855, com o nome de Asilo D. Pedro V do Barreiro, por iniciativa de Dona Henriquetta Gomes, apadrinhada pela duquesa de Bragança, D. Amélia, o actual Jardim-de-Infância D. Pedro V, cumpre este ano 165 anos ao serviço da comunidade barreirense, sendo “um marco no panorama pedagógico” da região, onde cerca de 330 famílias beneficiam dos serviços desta IPSS, através das valências de “O Comboio” (com creche e pré-escolar), “A Colmeia” (com ATL), e desde 2015, com o Centro de Estudos Colmeia, que surgiu para “dar resposta a uma necessidade permanente, demonstrando a capacidade da instituição em acompanhar a evolução dos tempos”. A cuidar de crianças e jovens estão cerca de 70 funcionários das áreas pedagógicas, administrativa, transporte, cozinha e limpeza.

Sociedade de Instrução e Recreio Barreirense “Os Penicheiros”
Associativismo, Intervenção Social e Multicultulturalidade

O percurso da SIRB “Os Penicheiros” ficou desde o início marcado por momentos políticos e sociais agitados. Este ano, a colectividade comemora o seu 150º aniversário, tendo iniciado recentemente a reabilitação da sua sede, com o objectivo de “oferecer à cidade um espaço de qualidade”, tendo a 1 de Janeiro de 1892 inaugurado a sua sede, no Largo Gago Coutinho e Sacadura Cabral, conhecido por Largo Casal.

A sua biblioteca inclui cerca de 3000 obras, seguindo-se um período áureo de teatro, bailes e festas, com a sua filarmónica a assumir um papel fundamental. O seu salão inaugura em 1950 e foi palco dos primeiros discursos políticos da Revolução dos Cravos, em Abril de 74. Com 400 sócios, a sociedade dispõe de actividades como ginástica e dança latina, tendo acolhido diversos concertos, num espaço que requer uma nova intervenção.

Serviço Nacional de Saúde (SNS)
Luta pela Liberdade, Democracia e Cidadania

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) nasceu a 15 de Setembro de 1979, altura em que a democracia dava os primeiros passos, sendo que a partir daquela data, o acesso a este serviço passou a estar garantido a todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica e social.

António Arnaut, falecido em 2018, foi considerado o pai do SNS, que persistiu e atingiu este ano o seu 40º aniversário, sendo hoje “presença diária na vida de uma população” que acabaria, nos momentos presentes, por ser confrontada com uma pandemia, da qual todos devem se proteger. É neste âmbito que o SNS tem surgido na linha da frente de combate a um inimigo invisível, num “esforço de gestão e resiliência”, com a existência no concelho do Hospital Nossa Senhora do Rosário e um conjunto de equipamentos do ACES Arco Ribeirinho.

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