Sindicato alega que Misericórdia do Barreiro está a coagir enfermeiros para realizarem trabalho extraordinário

O SEP afirma que a situação vivida pelos enfermeiros evidencia uma preparação inadequada do Plano de Contingência

Após denuncia da direcção do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Arco Ribeirinho, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) denunciou o que considera ser “coacção”, por parte da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro, para que os enfermeiros a desenvolver actividade profissionais nos equipamentos dessa instituição realizem hora extraordinárias, face à falta de profissionais.

O SEP considera a situação “inadmissível”, ressalvando o facto de os enfermeiros deste ACES, nos dias 14 e 15 de Agosto, terem sido “coagidos a fazer trabalho extraordinário na Santa Casa da Misericórdia (SCM) do Barreiro por forma a colmatar a carência estrutural existente”, devido ao surto de Covid-19 que afectou, para além de 26 utentes, 10 profissionais do Lar de São José, segundo os últimos números divulgados pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT).

Os dirigentes sindicais também acusam a SCM do Barreio de estar a protelar a saída do Hospital de Nossa do Rosário, dos seus utentes com alta hospitalar. Situação que “pode comprometer a resposta a outros utentes que necessitem de uma resposta hospitalar”.
Para o SEP esta situação evidencia “a impreparação da instituição no que se refere ao seu Plano de Contingência, tendo já solicitado informações acerca do mesmo à SCM Barreiro, bem como o ponto de situação quanto a Equipamentos de Protecção Individual e organização de equipas, desde logo por meio de correctas dotações de profissionais”.

Falta de profissionais desvalorizada há vários meses

No parecer do sindicado e dos ACES do Arco Ribeirinho, a SCM do Barreiro está, desde há vários meses, “a desvalorizar a necessidade de contratar e fixar enfermeiros, chegando a fazer propostas de trabalho indignas, abaixo de 4,00 Euros por horas”. Motivo pelo qual o SEP afirma não estar surpreendido “que as equipas estejam reduzidas e enfrente sérias dificuldades na contratação”.

Aliás, o SEP tem vindo a denunciar o número insuficiente de enfermeiros face ao número de utentes neste tipo de instituições, “sendo a situação mais evidente em Lares e Unidades de Cuidados Continuados Integrados”, como é o caso da SCM do Barreiro.
Os cálculos para a contratação destes profissionais não estão a ter em conta “a norma do órgão regulador (Ordem dos Enfermeiros), o que subdimensiona as equipas e, consequentemente, limita as intervenções de saúde no âmbito dos cuidados de enfermagem, tornando ingeríveis situações imprevistas como a ocorrida recentemente, em consequência da Pandemia por SARS-CoV-2”, acusa o sindicato.

Medida que, a ser colocada em prática, “melhoraria as condições de trabalho e remuneratórias, “equiparando os profissionais à tabela remuneratória do sector público” e promoveria a estabilidade nas equipas, “por meio da correcta valorização do tempo de serviço na instituição e conseguiriam assim estar melhor preparados para esta pandemia”, conclui o sindicato.

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