Bombeiros Voluntários de Setúbal protegem a cidade há quase 137 anos

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José Luís Bucho, presidente dos BVS, entre responsáveis do comando operacional, com a presença do vereador da CM Setúbal Carlos Rabaçal

Uma reunião entre cinco homens marcou para sempre o destino dos bombeiros de Setúbal

 

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A 19 de outubro de 1883, Henrique Augusto Pereira, Joaquim José Corrêa e António Avelino Silva foram convidados, por Álvaro José Batista, para reunir com Artur Mena, o comandante dos Bombeiros Voluntários do Beato, em Lisboa. O propósito desta reunião era fundar uma associação de bombeiros voluntários para suprir as dificuldades existentes no combate as chamas.

Ofereceram uma bomba para extinção de incêndios, os respectivos utensílios, e puseram à disposição da corporação o pessoal das suas fábricas, sendo proposto pelo presidente da Câmara um voto de louvor, que foi aprovado de forma unânime.

Manuel Maria Portela, seu filho Alfredo Augusto Portela e Joaquim Caetano da Veiga, juntaram-se ao grupo dos cinco e, juntos, proclamaram-se sócios fundadores da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Setúbal (AHBVS).

Numa tentativa de obter mais inscritos, foram informados os comerciantes e as indústrias que a formação para os futuros bombeiros já estava a acontecer, na Praça de Touros S. João, sendo a formação dada por Artur Mena.

Os estatutos foram aprovados no dia 6 de Dezembro. Houve várias iniciativas de angariação de fundos, tendo sido decidido, em assembleia-geral, criar uma banda de música, embora a cidade contasse já com as filarmónicas Capricho e Firmeza e com a banda regimental de Caçadores. Era um projeto ambicioso, tendo em conta a precariedade inicial.

No dia 9 de Março de 1884 foi inaugurado o quartel, ao som do hino da associação, composto por António José Camacho Júnior, mestre da banda de Caçadores.
Os conflitos não demoraram a surgir. Naquela altura, a Câmara mantinha o seu serviço de incêndios a uma eficácia mínima, enquanto os bombeiros tentavam resolver os problemas. Os debates políticos arrastavam-se, mesmo estando em jogo a vida da população.

Também no seio da associação começaram os atritos, com alguns pedidos de demissão. Em 1885 houve necessidade de se fazerem duas reuniões da assembleia-geral para eleição dos corpos gerentes, embora na primeira tivesse sido aprovado o relatório e contas de gerência de 1884.

A 15 de agosto de 1885 foi inaugurado o Clube dos Bombeiros Voluntários, com um baile no salão do Clube Dramático. O quartel esteve instalado, durante dezenas de anos, no imóvel onde funcionara o hospital de Nossa Senhora da anunciada (hoje Paço Episcopal). Ali permaneceu até 1983, ano em que foi inaugurada a nova sede.

O actual comandante é José Paulo Palhas Lourenço, oriundo de Sesimbra, tendo como Segundo Comandante Isabel Alexandra de Jesus Flores Ferreira e como Adjunto de comando Nélio António Pacheco Condeço.

Em entrevista a O SETUBALENSE, o presidente José Luís Bucho confessa que a AHBVS atravessa um bom momento financeiro, mas recorda que nem sempre assim foi. Quando tomou posse a divida era de um milhão de euros. Para agravar ainda mais a situação, as viaturas não estavam em condições e não existia equipamento para os bombeiros, chegando a haver quem fosse para os incêndios de “calças rotas e ténis”. José Luís Bucho refere a insuficiência do apoio do Estado e as dificuldades de atrair os mais jovens para a vida de bombeiro.

B.I
Nome: Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Setúbal
Também conhecido por: BVS
Localidade: Setúbal
Data de Fundação: 19 de outubro de 1883 – 136 anos
Principais atividades: Socorro e transporte de doentes
Actual presidente: José Luís Bucho

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