“Calceteira” quer reinventar conceito da filarmonia no país

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Rui Gambóias, o presidente, aposta em actividades “fora da caixa” para dinamizar a colectividade que completou 190 anos a 11 de Julho

 

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A história da Sociedade Filarmónica Amizade Visconde de Alcácer começa com quem lhe dá o nome. Existia em Alcácer do Sal, no ano de 1830, uma banda chamada “Sete Estrelas” que realizava convívios e outros eventos. O Visconde de Alcácer decidiu, nessa altura, associar-se a essas pessoas e fundar a colectividade que é hoje a mais antiga em terras alcacerenses e uma das mais antigas do país.

“Os nossos primeiros estatutos vêm de 1830. Quando a colectividade foi fundada ainda não tinha sede, mas o sítio onde hoje estamos foi a primeira sede da sociedade”, começa por dizer Rui Gambóias, presidente da SFAVA desde 2018. “O Visconde era considerado quase um revolucionário, tanto que esta sociedade tem uma carga histórica grande por tudo o que aqui se passou”, declara, recordando que “até mesmo no 25 de Abril, as manifestações partiram daqui e a nossa sociedade sempre foi conotada com a atitude do Visconde”.

Por agora, as actividades da colectividade assentam na Banda Filarmónica, na Escolinha de Música e nas danças de salão, mas existe o desejo de fazer mais, e diferente.
“Estamos a tentar abrir outro tipo de actividades. Pretendemos arrancar com um grupo cénico, que já tivemos, mas em moldes diferentes. Preparava-se um espectáculo para uma vez por ano e gostaríamos de voltar a fazer teatro, mas com mais regularidade”, partilha o presidente da colectividade.

“Desde que a actual direcção tomou posse, fizemos várias actividades que não são normalmente actividades das filarmónicas e é nesse sentido que queremos ir. Queremos ir um bocadinho mais além do que a própria música”, explica. Como exemplo neste sentido há a realização de uma conferência sobre o livro “Levantado do chão”, de José Saramago, passado no Alentejo, com David Frier, que escreve sobre o autor e as suas obras; e os encontros de jogos de tabuleiro:

Para este ano, não fosse a pandemia Covid-19, estavam planeadas várias iniciativas para comemorar o aniversário da colectividade. Foram adiadas e o momento aproveitado para reflexão. “Quer queiramos ou não, as filarmónicas hoje, e ainda mais no Sul, têm uma actividade cada vez mais pequena”, considera o Rui Gambóias.

Planos para o futuro

Face à forma como a actual direcção projecta a SFAVA no futuro, muitas novidades estarão para vir. “A música consegue ser aproveitada para muita coisa para além dos habituais e típicos eventos. Temos músicos capacitados para fazer muito mais que isso”, afirma. “Estamos a tentar sair ‘fora da caixa’ do que é a filarmonia hoje. Somos candidatos a património pelas bandas filarmónicas, mas queremos mostrar que é possível adaptar e colocar a filarmonia noutro tipo de situações”, continua.

A banda filarmónica, dirigida pelo maestro Nélson Caetano, conta com aproximadamente 40 músicos. Apesar de forma lenta, escola de música tem vindo a crescer: “há cerca de cinco anos tínhamos entre 10 a 12 alunos, hoje temos o dobro”. Rui Gambóias foi músico da casa durante cerca de dez anos, antes de 1995, quando foi para a faculdade, mas foi através dos filhos, que frequentam a Escola de Música, que há dois anos chegou a presidente. “A direcção actual é composta por músicos e por pais de músicos, só gente da casa, e é uma dinâmica completamente diferente do mundo das finanças, no qual trabalho. Andamos todos aqui pro bono, por amor à camisola”, conta.

Porquê “Calceteira” e “Pazôa”?

Sobre o nome como a Sociedade Filarmónica Amizade Visconde de Alcácer é por muitos carinhosamente conhecida, Rui diz que “há várias teorias”. No início da existência de duas bandas em Alcácer do Sal, verificava-se entre elas uma grande rivalidade. “Havia uma senhora, que dizem que era calceteira, que na altura vivia esta banda como se fosse tipo Padeira de Aljubarrota, e outra senhora, mais alta, que era a Pazôa. Elas batiam-se pelas bandas. Viviam isto de uma forma muito forte e cada vez que passava esta filarmónica as pessoas diziam que era a banda da calceteira”. Estima-se que tenha sido assim que surgiram os nomes por que ainda hoje são conhecidas a Sociedade Filarmónica Amizade Visconde de Alcácer, a Calceteira, e a Sociedade Filarmónica Progresso Matos Galamba, a Pazôa.

B.I.
Nome: Sociedade Filarmónica Amizade Visconde de Alcácer
Também conhecida por: Calceteira
Localidade: Alcácer do Sal
Data de fundação: 11 de Julho de 1830 – 190 anos
Principais actividades: Banda Filarmónica, Escolinha de Música, danças de salão, jogos de tabuleiro e outras actividades culturais “fora da caixa”

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