Sociedade Samouquense, a mais jovem das duas centenárias do concelho de Alcochete

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Banda constitui ADN da colectividade e é referência nacional a abrilhantar espectáculos tauromáquicos

 

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É a mais jovem das duas únicas colectividades centenárias existentes no concelho de Alcochete, tendo celebrado pela primeira vez, no final do ano passado, o aniversário com três dígitos. A Sociedade Filarmónica Progresso e Labor Samouquense distingue-se, sobretudo, pela sua banda, uma das mais prestigiadas do País a abrilhantar espectáculos tauromáquicos, com a interpretação de “pasodobles”.

A Banda surgiu com a Sociedade e vice-versa. Foi numa segunda-feira, carregada de nevoeiro, que a filarmónica debutou pelas ruas da povoação, apenas com bonés como fardamento comum, dando início ao trajecto da vulgarmente conhecida Sociedade que caminha hoje para os 101 anos e que veio enriquecer o património cultural local, regional e nacional. O amanhecer do dia 1 de Dezembro de 1919 ficaria assim gravado na memória colectiva das gentes locais. Daí para cá, a instituição, que ganhou estatuto de utilidade pública em 1989, granjeou prestígio (aquém e além-fronteiras), conquistou êxitos e ultrapassou dificuldades – conseguir o ressurgimento da sua banda em 1971, após os 13 anos de interregno da filarmónica, é um dos exemplos de superação na história da colectividade.

Actualmente, com duas sedes, cerca de 700 associados, banda (com cerca de 50 elementos e dois CD gravados), escola de música (que tem à volta de 20 aprendizes), coro (composto por 26 coralistas), charanga e várias actividades, a Sociedade Filarmónica Progresso e Labor Samouquense é uma referência no movimento associativo e cultural.

A instituição “tem vindo a crescer”, mas este ano “não houve praticamente qualquer tipo de actividade”, revela Dário Moura, presidente da colectividade, lembrando que “as prestações do coro e da banda têm, nos últimos anos, reforçado imenso o prestígio da Sociedade”. Prestígio que a pandemia impediu que saísse ainda mais reforçado este ano. “O coro tinha prevista uma deslocação à Polónia para Outubro. Já foi cancelada. A banda teve a temporada tauromáquica e de festividades parada”, lamenta.

Além disso, “o impacte financeiro foi brutal”, com “grande parte das despesas a manterem-se” e sem que tivessem entrado receitas. “Manter esta casa tem um custo grande”, admite o responsável, realçando um cenário que foi transversal a todas as outras instituições do género até então.

“A única coisa que temos a funcionar é o bar, com todas as medidas de segurança. Tudo o resto não foi possível realizar, nem os ensaios nem qualquer outra actividade presencial”, aponta.

Aulas de Hip Hop e Zumba, assim como a realização de bailes populares com grande regularidade ao longo do ano são as actividades que preenchem a agenda da Sociedade. Os bailes de Carnaval, na denominada sede nova (uma das maiores do distrito, construída nos anos de 1960 mas remodelada e ampliada em 2004) ganharam fama, galgando fronteiras e acabando por constituir momentos únicos que arrastam sempre gentes de vários concelhos limítrofes e até do outro lado da margem do Tejo. Mas a tradição também se cumpre com os bailes da Pinha e a celebração do “réveillon”. Ano após a ano, a Sociedade continua a enriquecer história e a honrar pergaminhos.

B.I.
Sociedade Filarmónica Progresso e Labor Samouquense
Fundação: 1 de Dezembro de 1919
Sócios: Cerca de 700
Actividades: Banda de Música; Escola de Música; Coro; Hip Hop; Zumba; Bailes Populares (regulares e de comemoração, como Carnaval, Pinha e Passagem de Ano).

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