Misericórdia de Alcochete: Um marco na vida da vila com dedo de rei e generosidade de barão

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A Santa Casa foi fundada por decreto régio de D. Manuel I e engrandecida por legado de Carlos Ferreira Prego, III Barão de Samora Correia. E até teve agregado a si um hospital

 

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Actualmente, a Santa Casa da Misericórdia de Alcochete “acolhe 85 idosos na valência de lar”, abrange “40 no Serviço de Apoio Domiciliário” e “15 no Centro de Dia”, além de fornecer “diariamente mais de 250 refeições a pessoas carenciadas”. Os números resumem a actividade da instituição e o balanço “é positivo”, diz a provedora Manuela Boieiro.

A história desta misericórdia, como a de tantas outras, começou a ser escrita há séculos, nos primórdios de 1500. Pelo menos há registo de existir em 1511. Certo é que foi fundada por decreto régio de um dos filhos mais famosos da terra, D. Manuel I.

Segundo o historial apresentado pela instituição, a Santa Casa de Alcochete começou “por funcionar no antigo Hospital da Misericórdia, anexo à Capela de Nossa Senhora da Vida”. Depois passaria “para o actual edifício deixado em testamento pelo III Barão de Samora Correia, Carlos Ferreira Prego”, o qual “legou parte significativa do seu património à instituição”.

Localizado no Largo Barão Samora Correia, junto à marginal, baptizada como Avenida D. Manuel I e onde se encontra erigida uma estátua do rei, o edifício-sede da Santa Casa foi remodelado entre 1966 e 1970.

Durante anos viria a agregar o Hospital de Alcochete, com serviço de maternidade, que a administração central haveria de encerrar.

Objectivos e falta de apoios

Nos dias que correm, esta instituição particular de solidariedade social “carece de recursos financeiros” para investir em infra-estruturação no edifício-sede, afirma Manuel Boieiro, dando como exemplo a necessidade de “substituição do sistema de águas, remodelação da instalação eléctrica, sistema de energias renováveis, entre outros”. Mas também para aquisição de “duas carrinhas com plataforma para melhor acesso dos utentes”, “equipamento diversificado”, “reforço de quadros técnicos especializados em Geriatria” e “organização de formação profissional especializada”.

Além disso, em termos de objectivos futuros a provedora destaca a “obra de restauro da Capela N. Sra. da Vida, cujo início está previsto para breve”.

“Trata-se de um imóvel classificado de interesse público pelo Ministério da Cultura/IPPAA em 1996, situado no Centro Histórico da vila”, lembra. E acrescenta: “Decorrente da candidatura apresentada e após a sua aprovação, a obra é financiada parcialmente pelo Fundo rainha D. Leonor/Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, arcando a Misericórdia de Alcochete com o restante num enorme esforço financeiro”.

Ao mesmo tempo critica a falta de ajuda do município no processo. “Apesar de ter sido solicitado à Câmara Municipal de Alcochete o apoio financeiro possível, ainda não o recebemos”, vinca, juntando que a Santa Casa decidiu salvaguardar este seu património “que se encontra em muito mau estado”. A importância histórica desta capela, reforça, “merece ajuda financeira por parte do município de Alcochete”, até porque, defende, “é um edifício simbólico da vila”.

Lar para doentes de demências

Outras das metas em agenda são as “obras de conservação do edificado da Misericórdia e manutenção dos equipamentos” bem como a “construção de uma unidade assistencial/lar para doentes de Alzheimer e demências afins” .

A Santa Casa de Alcochete “possui terrenos disponíveis, em zonas urbanizadas nas freguesias de Alcochete e S. Francisco assim como um esboço/projecto adaptável”. Porém, não tem capacidade financeira e faltam “os apoios dos respectivos organismos estatais (Governo e autarquias)” para concretizar esse objectivo. “Portugal carece deste tipo de resposta institucional, especializada, em prol daqueles doentes. Infelizmente a Humanidade confronta-se com estas galopantes doenças”, sublinha Manuela Boieiro, a concluir.

Da Capela de N. Sra. da Vida às marinhas

O património da Misericórdia de Alcochete é inestimável, não só pelo valor como também por tudo o que representa para a história local. Carlos Ferreira Prego, III Barão de Samora Correia, foi um verdadeiro benfeitor da Santa Casa, deixando à instituição “o Monte da Bela Vista, Marinha da Bela Vista, Herdade da Bela Vista e Marinha Nova da Bomba”, além do edifício-sede.

De acordo com o historial divulgado na página da Misericórdia na Internet, Carlos Ferreira Prego deixou ainda expresso em testamento que “deveria ser criado um asilo para mulheres pobres e impossibilitadas de trabalhar, naturais das freguesias de Nossa Senhora da Oliveira (Samora Correia) e de São João Baptista (Alcochete), cujas admissões deveriam ser feitas em número igual das pretendentes das duas freguesias”. Para criação e sustento do referido asilo “legou, desde logo, à Misericórdia de Alcochete a quantia de vinte contos de réis, em dinheiro, que foi pago no prazo de um ano a contar da data do seu falecimento”. Ficou ainda nota de que nos mesmos termos deveria ser criada “uma dependência para homens”.

No edifício-sede, pode ler-se Santa Casa da Misericórdia de Alcochete “Lar Barão Samora Correia”.

B.I.
Santa Casa da Misericórdia de Alcochete
Fundação (conhecida): em 1511
Actividades: valência de lar, serviço de apoio domiciliário, e centro de dia

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