Operária Amorense: Velhinha com mais de um século cheia de saúde

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Actual presidente da SFOA, Alexandre Gil

Um presidente entre o optimismo e a apreensão numa sociedade de preocupações e de sonhos

Alexandre Gil, 55 anos de idade, é o presidente da Sociedade Filarmónica Operária Amorense, velhinha de 122 anos que espraia o olhar pelas águas paradisíacas da Baía.
Gil pertence aos corpos directivos da sociedade há 11 anos, sendo presidente há nove. “Quando tomei conta dos destinos desta casa, encontrei uma sociedade envelhecida, mergulhada numa situação económica difícil”, começou por narrar. “A verdade é que, quando tomámos posse, não havia dívidas, mas também não havia dinheiro para, no mês seguinte, pagarmos a água, a luz e as outras despesas. Claro que tivemos de recorrer, como posteriormente faríamos repetidas vezes, à Câmara Municipal e à Junta de Freguesia de Amora”.

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São as autarquias que suportam os “custos da aquisição e reparação dos instrumentos musicais, do fardamento da banda, das obras de restauração, como a do novo telhado, e melhoramento das instalações”, frisa o presidente, para quem não “faz sentido haver nesta região uma sociedade sem uma banda, o coração desta casa, consagrada de alma e coração à cultura”. Mas, como a manutenção de uma banda acarreta muita despesa, que inclui a remuneração, ainda que muito modesta, do maestro e dos professores de música, “fomos obrigados a recorrer a outras actividades, tanto desportivas, como taekwondo, judo e ciclismo, como dança e música, como aulas de guitarra e de teclas e de dança moderna, zumba e hip-hop”.

Os melhoramentos a curto prazo estão definidos: restauração do balcão, “que vem do tempo em que havia cinema na sociedade e está completamente destruído”, e a “construção de um balneário”.

Outro projecto é o museu do cinema, já que a SFOA tem conservado um espólio razoável de material que deu vida à sétima arte. Ocupará um espaço no segundo piso, já demarcado, que será protegido por uma parede de vidro transparente. “Temos para expor duas máquinas de projecção, filmes, blocos de bilhetes, plantas da plateia e do balcão”, pois queremos dar a “conhecer à população do Seixal e aos alunos dos estabelecimentos de ensino um pouco que seja do que era a vida cultural de há algumas décadas”.
O presidente alimenta o sonho de “adquirir o terreno aqui ao lado, para ampliar as instalações da nossa sociedade”.

Uma colectividade do mundo do trabalho

Indica-se 1898 como data da fundação da SFOA. Foi um engenheiro inglês, apaixonado pela música, que convenceu os trabalhadores da Fábrica de Amora, de produção de vidro, a arrancarem com uma filarmónica. Em 1900, a fábrica fechou e os trabalhadores procuraram outros cantos para o seu ganha-pão.

Alguns anos depois, a fábrica reabriu e a Sociedade, moribunda, ganhou novas forças, com demonstração da capacidade organizadora dos trabalhadores, que conseguiram uma sede e promoveram, através de uma subscrição pública e de trabalho voluntário, a construção do coreto, que ainda lá está.

Entretanto, a fábrica, que fazia oscilar a vida associativa, encerrou definitivamente e o espaço deixado vazio pelos trabalhadores vai sendo preenchido pelos corticeiros, ao serviço das duas unidades da Mundet, no Seixal e na Amora.

Em 1958, a benemérita D. Branca Saraiva de Carvalho, cede um terreno para se erguer, com o dinheiro de João Guilherme Duarte e o trabalho de muitos associados, o actual edifício sede, na Rua da Sociedade Filarmónica Operária Amorense.

BI
Nome: Sociedade Filarmónica Operária Amorense
Também conhecida por: SFOA
Data Fundação – 1898 – 122 anos
Localidade: Amora
Principais Actividades: Banda filarmónica, escola de música, dança, taekwondo, judo e ciclismo
Actual presidente: Alexandre Gil

Por José Augusto

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