Sociedade 5 de Outubro, entre o sonho de reerguer a banda e a certeza dos campeões nacionais de dança

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O grande sonho dos dirigentes actuais é ressuscitar a banda, mas o dinheiro é pouco e chega atrasado. Mesmo assim, a confiança e o entusiasmo não faltam

 

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Hugo Teixeira e Ricardo Oliveira, presidente e tesoureiro da colectividade, aceitaram encontrar-se com O Setubalense em tempos pandémicos. Ambos já tinham exercido outras funções de responsabilidade na Sociedade Musical 5 de Outubro (SM5O). Portanto, embora a direcção de que fazem parte tenho poucos meses, desde há muito que os cantos da casa não lhes escondem segredos.

“Como todos sabem, a colectividade – esta e as outras do concelho – tem estado fechada, em obediência ao Plano Municipal de Emergência, caso contrário estaria em pleno andamento”, começaram por esclarecer a situação.

Ambos os dirigentes são de opinião que a “sociedade tem estabilidade económica, mas apenas para fazer face às despesas correntes”. No entanto, manter o edifício não é fácil, como não o é a criação de uma actividade nova. “Mas criar com que meios? Eis a primeira preocupação. E a segunda: e essa nova secção vai ter futuro? É que a linha que define o nosso equilíbrio financeiro é muito ténue”.

Neste aspecto, a exploração do bar, que está concessionado, constitui uma grande ajuda. “Para além do aspecto monetário, há o social. As pessoas vêm ao bar e passam a conhecer melhor a sociedade, a gostar dela e a respeitá-la. Alguns, fazem-se sócios. Enfim, é um instrumento de atracção”, salientam. Outra ajuda a não menosprezar são os contratos-programa com a Câmara Municipal do Seixal. “O mal é que a sua concretização está muito atrasada. Por exemplo, não conseguimos participar nas marchas populares de 2019 porque a verba correspondente a esse ano só nos chegou nos primeiros meses de 2020”.

Além disso, a autarquia “prometeu-nos um apoio de 4 700 euros para dar um empurrão, digamos assim, à nossa Escola de Música, que geraria os elementos para o relançamento da Banda, o nosso grande sonho”.

As várias secções e o objectivo de ressuscitar a banda

Recorde-se que a Banda da 5 de Outubro extinguiu-se há cerca de década e meia, devido, em parte, à “incompatibilidade que se estabeleceu entre o maestro e os corpos directivos”. Os novos dirigentes acreditam nas suas forças para ressuscitarem a filarmónica, mas até lá têm outras secções muito procuradas pelos associados e, claro está, também elas suscitadoras de canseiras. Estão neste caso, a Dança de Salão, inscrita na Federação Portuguesa de Dança Desportiva, que tem dado à 5 de Outubro, ao Movimento Associativo do Concelho e ao Município do Seixal campeões e vice-campeões nacionais, tanto em termos individuais como colectivos. Os próprios professores são campeões nacionais.

A sociedade tem ainda escolas de Zumba e de Artdu, uma arte marcial recente, além do Grupo Coral Alentejano “Lírio Roxo”, sobejamente conhecido.

No entanto, as apreensões imediatas dos dirigentes vão noutro sentido. A sede da SM5O foi projectada e levantada pela Câmara Municipal. “Só que agora, passados que são 30 anos, precisa de obras, até para estar de acordo com as normas da legislação vigente”, sublinham Hugo e Ricardo. “Os associados vão acudindo conforme podem às pequenas emergências, mas a casa necessita de uma intervenção profunda, que contemple a substituição da instalação eléctrica e da rede de água”.

“Os encargos são muitos para as nossas posses. Por exemplo, pagamos o IVA a 23 por cento, e as telecomunicações à taxa do que pagam essas empresas que divulgam lucros anuais de milhões”, lamentam os associativistas.

Seja como for, o sonho comanda-lhes a visa: “A partir de Outubro, teremos crianças a dançar neste belo salão. É uma alegria. Até ouvir-lhes os primeiros acordes, desajeitados ainda, quando se iniciam na música, é uma alegria!”, exclamam, confiantes.

Hugo e Ricardo aproveitaram a oportunidade para agradecer publicamente à Sociedade Filarmónica União Arrentelense e à Sociedade Musical Sesimbrense o “espírito de ajuda e solidariedade de que sempre deram provas quando nos viram em qualquer momento mais difícil”.

Por José Augusto

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