União Arrentelense: 148 anos com sangue novo a correr nas veias

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Alcançar a independência financeira é o grande sonho da instituição que está a atravessar “um dos melhores momentos da sua existência”

 

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A Sociedade Filarmónica União Arrentelense (SFUA) assinalou, no dia 23 de Março, o 148.ª aniversário da sua fundação.

Em virtude do ocasional impedimento de António Araújo, presidente da SFUA, foi outro dirigente, Jorge Nascimento, que se encontrou com O SETUBALENSE para falar sobre a instituição. “A colectividade atravessa um dos melhores momentos da sua longa existência, tanto em termos musicais como estruturais”, assegura o dirigente. “Fizemos um grande investimento a pensar no futuro, com a finalidade de aliviar os encargos das gerações vindouras”.

A SFUA remodelou a instalação eléctrica e colocou painéis solares, para que, futuramente, a factura da energia não seja tão pesada, além de ter criado um espaço para eventos, como aniversários e festas familiares.

O bar foi dado em exploração, “mas depois de sujeito a obras para que as pessoas que tomaram conta dele possam usufruir de condições de trabalho condignas e os clientes se sintam num espaço agradável”.

Todavia, são as realizações culturais, neste caso, na área da música, que Jorge Nascimento refere com mais entusiasmo.

Em 2019, no concerto de Ano Novo, no Pavilhão Municipal da Torre da Marinha, “cerca de 1900 pessoas aplaudiram a nossa banda. Foi um espectáculo memorável, bem demonstrativo da grande projecção que a filarmónica tem presentemente”.

Repare-se, prosseguiu o dirigente, que “todos os executantes da filarmónica saíram da nossa Escola de Música, agora frequentada, gratuitamente, como sempre, por 68 jovens alunos”.

Há que prestar homenagem a António Baptista, ligado há 50 anos à escola, que ostenta o seu nome. “O António Baptista foi músico, formou a Orquestra Ligeira e, durante 30 anos, esteve na Filarmónica como maestro. Hoje, é o coordenador da Escola de Música”. A direcção técnica é de Luís Moreira da Silva.

Os monitores também se formaram como músicos na escola e são “excelentes executantes nas bandas da Marinha ou da Força Aérea”. A sua colaboração é gratuita. Apesar de serem músicos de grande qualidade, reconhecidos no país e no estrangeiro. “Por exemplo, o clarinetista Nuno Silva é, sem sombra de dúvidas, um dos maiores executantes da Europa”.

Jorge Nascimento lamenta o desinteresse das entidades governativas. “Se não fosse o Poder Local, se calhar já nem a SFUA existia”.

A Câmara, “não nos apoia por sermos lindos meninos. É porque mostramos trabalho, sobretudo, com o mestre novo, Luís Moreira da Silva, que incutiu na banda uma grande dinâmica e um ambiente de grande e saudável solidariedade.” E exemplificou: “Estamos há um mês separados uns dos outros, mas contactamos todos os dias. Não estando presentes fisicamente, sentimos e vivemos os problemas de todos”. A banda é jovem, 70% dos elementos têm menos de 20 anos, “embora já com muita experiência”.

O Festival Internacional de Bandas, organizado pela SFUA e as autarquias, que o ano passado viveu a sua 30.ª edição, “é um marco na história da instituição”, sublinha Jorge Nascimento, embora esteja em causa a sua realização esta temporada.

As origens na Companhia de Lanifícios e na Sociedade Honra e Glória

A SFUA tem quase século e meio de existência. Segundo documentos fidedignos pelos quais se guiaram todos os estudiosos da vida das colectividades do concelho do Seixal, foi um grupo de operários da Companhia de Lanifícios de Arrentela que, naquele ano, deu vida à Filarmónica. Uns anos depois, outro punhado de arrentelenses segue-lhe o exemplo e funda a Sociedade Honra e Glória Arrentelense. Ambas viriam a ser agraciadas com o título de Real, a primeira, em 1900, a segunda, dois anos depois.
Em 1914, já em pleno regime republicano, as duas instituições fundem-se para formaram a SFUA, filarmónica em cuja designação figura o termo união.

“O teatro foi outro aspecto cultural que não foi descurado e, entre 1920 e 1965, foi também um raio de luz que a Sociedade Filarmónica União Arrentelense fez penetrar na escuridão cultural do fascismo”, incutindo nos “associados e restante população da terra a possibilidade e o gosto pela arte de Telma”, sublinha-se num texto dado à estampa por uma direcção dos anos 80.

Em 1995, a SFUA melhora e amplia as suas instalações, intervenção custeada a 100 por cento pela Câmara Municipal do Seixal.

BI
Nome: Sociedade Filarmónica União Arrentelense
Também conhecida por: SFUA
Localidade: Arrentela
23 Março1872 – 148 anos
Principais actividades: Banda filarmónica, escola de música, teatro, danças de salão e karaté.
Actual presidente: António Araújo

Por José Augusto

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