Academia Almadense é sinónimo de música há 125 anos

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Academia Almadense - Helena Azinheira, presidente, e Fernanda Leitão, directora

Banda continua a ser a alma da instituição e a escola de música é o elo que faz a ligação afectiva às novas gerações

 

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O SETUBALENSE foi recebido no primeiro dia de Julho, em plena campanha pandémica, por Helena Azinheira, presidente da Academia de Instrução e Recreio Familiar Almadense, e por Fernanda Leitão, directora da colectividade.

A Academia celebrou, no passado dia 27 de Março, o seu 125.º aniversário. “Hoje, como há 125 anos, oferecemos às populações cultura, recreio e desporto a preços simbólicos, coisa que o Estado não está em conduções de fazer”, salientam as directoras.

A banda é a ‘menina dos olhos’ da casa. “Temos uma banda muita activa e, é claro, uma escola de música. Há quem julgue possível a existência de uma banda sem escola, mas tal não se nos afigura real”. E mais adianta: “Respeitando as tradições, continuamos a ser uma casa de família, como indica o nome. É comum ver-se nas nossas instalações, ao mesmo tempo, pais, filhos, tios, ou seja, famílias inteiras. E a verdade é que os jovens crescem envolvidos por este ambiente e parecem tornar-se melhores, como pessoas”.
Agora, falam do seu trabalho associativo: “O que nos distingue é o que nos move. Gastamos muito tempo das nossas vidas neste trabalho benévolo. Isso explica os preços módicos que os nossos associados agradecem. Repare-se que, mesmo em tempo de pandemia, não parámos. As actividades culturais e desportivas continuaram a funcionar, ainda que dentro das limitações”.

Muitos projectos

São muitos os projectos nas mentes das duas directoras. “A partir de Setembro, vamo-nos lançar na gravação de um CD da banda, num espectáculo de teatro musical (há um em curso), no IV Encontro de Teatro Comunitário, no Fórum sobre Bandas Filarmónicas da Grande Lisboa; ao mesmo tempo, esperamos relançar todas as actividades desportivas, logo que haja abertura para tal”. Além disso, “temos já elaborado um projecto em parceria com o Instituto de Cardiologia Preventiva de Almada, do qual beneficiaria grande parte da população. Precisamos, tão-somente, dos apoios da autarquia e do Instituto Português para a Desporto e a Juventude. Sabemos que não será fácil, mas continuamos confiantes”.

“Estamos também empenhadas no Cine-Eco, um festival de cinema consagrado à problemática do ambiente, em colaboração com a Faculdade de Ciência e Tecnologia do Monte da Caparica. E, por fim, uma exposição do artista Louro Artur, autor de um belo painel em azulejo numa outra parede do edifício”. As directoras planeiam, também, dar outro espaço ao museu da colectividade, agora instalado no 4.º andar, que alberga fotografias antigas, instrumentos musicais, documentos vários, peças de teatro e pautas de música manuscritas. “Precisava de um espaço diferente, mais acessível, mais visto”, dizem Helena Azinheira e Fernanda Leitão.

Para a quase totalidade destas actividades, o grande problema com que as colectividades se debatem é a carência de fundos.

Entretanto, actuações mais recentes mereceram os aplausos e cumprimentos públicos de personalidades como o ex-Presidente da República, Jorge Sampaio, o Prémio Nobel da Literatura, José Saramago, e o presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão.

“O querer muito forte tudo conseguiu” com a entrega de populares como José Maria Oliveira

A Academia Almadense foi fundada no dia 27 de Março de 1895, oferecendo aos associados, quase desde a sua génese, cinema, banda filarmónica, coro, natação, ginástica, dança e artes marciais. À frente do grupo de fundadores, homem do povo, está José Maria Oliveira, a seu lado, o maestro Artur Ferreira, que um ano depois apresenta publicamente a Banda Filarmónica, então com 22 elementos.

O crescimento da colectividade é imparável, com uma nova geração de músicos, entusiasta e talentosa, e a música, seccionou-se em vários ramos: banda filarmónica, orfeão, coro infantil, teatro e grupos musicais, merecendo particular destaque a Orquestra de Saxofones, a Orquestra de Jazz e ainda o famoso Septimino Feminino de Saxofones, composto por sete jovens.

A actividade musical nos anos 30 a 50 foi extraordinária, devendo-se, em parte considerável, aos executantes de excepção, mas em igual medida ao maestro Leonel Duarte Ferreira e ao seu irmão, o dedicado maestro Hilário dos Santos Ferreira.
Aqui ficam os nomes de outros directores da banda: Artur Ferreira de Paiva, Castro Vieira, Manuel Inácio da Encarnação, José Lourenço, Francisco Matos, Leonel Duarte Ferreira, Hilário Santos Ferreira, Filipe Sabino da Conceição, António das Neves Ramalho, Manuel Jerónimo e Francisco Pinto.

BI
Nome: Academia de Instrução e Recreio Familiar Almadense
Também conhecida por: Academia Almadense
Localidade: Almada
Data de fundação: 27 de Março de 1895
Principais actividades: Banda filarmónica, escola de música, cinema, teatro, ginástica, dança e artes marciais.
Actual presidente: Helena Azinheira

Por José Augusto

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