Grândola. Vila morena repousa entre a serra e os marcos históricos centenários

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Câmara Municipal de Grândola

Fonte da Apaulinha e outros monumentos contam a história de um concelho que serviu de ponto de partida para hino à liberdade

 

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Foi depois de participar nos festejos do 52º aniversário da colectividade Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, em 17 de Maio de 1964, e de ter ficado impressionado com o ambiente fraterno e solidário da sociedade alentejana, que José Afonso escreveu a primeira versão do poema “Grândola, vila morena” – que viria a ser um dos símbolos da Revolução de Abril. É de Abril a primeira ideia que vem à memória quando ouvimos falar de Grândola, mas a história do concelho começou há mais de seis séculos. D. Jorge de Lencastre, filho de D. João II e figura homenageada actualmente em vários locais e eventos grandolenses, criou o concelho por foral de 22 de Outubro de 1544.

Em 1878, o município de Grândola mandava construir a Fonte da Apaulinha para reforçar os pontos de abastecimento de água. Da maior importância para os grandolenses até princípios do século XX, esta fonte pode hoje ser visitada a qualquer dia e a qualquer hora.

Também a história da Casa Luís Alves Serrano, onde funciona actualmente a Universidade Sénior de Grândola, remonta ao século XIX. Construção elegante e sóbria, aberta ao exterior por diversas janelas, foi mandada edificar por Luís Alves Serrano, que desempenhou, entre outros, o cargo de presidente da Câmara Municipal de Grândola entre 1914 e 1916.

Depois do 25 de Abril de 1974, o imóvel passou a ser propriedade da União das Cooperativas e em 1990 foi adquirido pelo Município de Grândola – que nele instalou alguns serviços, entre os quais a Universidade Sénior de Grândola que lá lecciona desde 2008.

Edifícios guardam tradições, memórias e cultura dos grandolenses
Construídos na década de 20 do século XVIII, os antigos Paços do Concelho são um dos edifícios históricos mais importantes de Grândola, onde funcionaram os serviços do município, o tribunal, a cadeia e o registo civil. O edifício como hoje o conhecemos é resultado de intervenções levadas a cabo entre os séculos XVIII e XX.

Do passado para o presente, o edifício onde estão instalados os actuais Paços do Concelho remonta à segunda metade do século XVI. Foi adquirido pela Câmara Municipal de Grândola em 1937 e na década de 80 sofreu profundas obras de remodelação em que se mantiveram apenas a fachada e as paredes laterais.

A Casa Frayões Metello é, por sua vez, um edifício da primeira metade do século XVIII e considerada uma das mais importantes casas nobres da vila de Grândola. Foi residência de famílias da governança local, destacando-se entre os seus proprietários Francisco de Paula Frayão Metello.

O imóvel foi adquirido pela Câmara Municipal em 1867, tendo vindo aí a instalar-se diferentes serviços ao longo do século XX. Desde 2004 que neste edifício está instalado o Sector de Museu e Património Cultural do Município de Grândola onde se encontram patentes a exposição História Arqueológica de Grândola – vestígios e artefactos, que mostra tradições, memórias e cultura dos grandolenses; a reconstituição de uma sala de aula do ensino primário; de um consultório médico da década de 50 e a área de reservas museológicas do município de Grândola – que respira na sua serra e noutros espaços verdes.

No que diz respeito ao património religioso centenário, destaque para a Ermida da Nossa Senhora da Penha de França, cuja construção em 15 de Maio de 1664 foi autorizada pela Ordem de Santiago, a Ermida de Nossa Senhora do Rosário de Tróia, do século XV – construída sobre as Ruínas Romanas de Tróia, e para a Ermida de Santa Maria do Viso, que estima-se que seja uma construção do século XV.

A par destas, a Igreja Matriz de Grândola, do século XV, a Igreja de São Pedro de Melides, do século XVII, a Igreja de Nossa Senhora de Azinheira dos Barros, cuja construção teve provavelmente início por volta de 1510, e a Igreja de Santa Margarida da Serra, que tudo indica que tenha surgido na segunda metade do século XV, são outras das referências a ter em conta pelos anos de história que guardam consigo até aos dias de hoje. Sem esquecer a Igreja de Santa Marinha, que foi sede da paróquia de Melides até ao último quartel do século XVII e o seu abandono data da segunda metade do século XIX, a Igreja de S. Barnabé, cuja ermida, após o 25 de Abril de 1974, foi vandalizada e em parte destruída e as Ruínas da Igreja de São Mamede do Sádão. Numa estrada da antiga freguesia com o mesmo nome, estas ruínas são o que resta de um tempo rural medieval ou tardo-medieval num vale junto ao rio Sado.

Vários monumentos megalíticos e romanos

Pelos vários monumentos megalíticos presentes no território, pode concluir-se que a localidade foi habitada pelo menos desde o Neolítico.

O Monumento Megalítico da Pata do Cavalo, o Monumento Megalítico da Pedra Branca, ambos da Pré-História/Neolítico final – Calcolítico, o Monumento Megalítico do Lousal, e a Necrópole das Casas Velhas, que, pela sua importância arqueológica, foi classificada como Imóvel de Interesse Público em 1990, são alguns exemplos deste tipo de património.

Posteriormente, marcaram presença neste espaço os romanos, que deixaram vestígios da sua estadia na Barragem do Pego da Moura, do século I/III d.C., no Cerrado do Castelo, dos séculos I e III/IV d.C., nas minas da Caveira e no lugar de São Barnabé. As Ruínas Romanas de Tróia completam o role de vestígios da presença romana em terras grandolenses.

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