Sobredense. “Tentamos fazer o mais possível com o pouco que temos”

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Direcção do CRIS

Convencer as pessoas a participarem é uma das tarefas mais difíceis, do lado dos sonhos sobressaem o campo e pavilhão desportivo

 

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O Clube Recreativo e de Instrução Sobredense (CRIS) foi fundado no início da segunda metade do século passado, mais precisamente a 21 de Outubro de 1911. Está à porta das comemorações do 109.º aniversário.

Uma colectividade pequena, se nos limitarmos a avaliá-la pela dimensão das suas instalações, localizadas na parte antiga da Sobreda, mas eclética pela oferta de actividades culturais, desportivas e artísticas que oferece aos associados e à população.
À volta de uma mesa, O SETUBALENSE encontrou Vítor Sousa, o presidente do clube, bem como Cristina Cabeça, Anabela Aguiar, Paulo Santos e António Abrantes, os restantes membros dos corpos gerentes. E, compreensivelmente orgulhosos, enumeraram as disciplinas que o CRIS movimenta em termos normais. São elas: danças sevilhanas, pilatos, hip hop, Almasenior (ginástica para a 3.ª idade), teatro, salsa, grupo de folclore, grupo de danças antigas e Porbatuka (conjunto de percussão). Ao todo, cerca de 200 amadores destas artes.

No sector desportivo, realce para o futsal e o rugby, com todos os escalões de formação e equipas que competem, em termos federados, a nível distrital e nacional. São cerca de centena e meia de praticantes.

Como é que se alimenta o funcionamento de uma máquina destas? “Basicamente, através de patrocínios, de subsídios da Câmara de Almada e da Junta da Charneca e Sobreda e das quotizações dos associados, que são praticamente simbólicas”.
Entretanto, as dificuldades de que padece o CRIS não são estranhas ao Movimento Associativo tomado no seu todo. “Trata-se de chegar lá fora, quer dizer, de convencer as pessoas e virem participar nas actividades que enunciámos. Ora, o que acontece é que vêm praticar o que lhes interessa, pagam e vão-se embora, não sentem a vida da colectividade”. No entanto, há outras dificuldades, “como as de cariz logístico, por exemplo, a necessidade de transporte quando o calendário obriga as nossas equipas a jogarem ‘fora’. Aqui, entra a dedicação dos pais, dos directores e dos treinadores. A Junta pouco pode fazer, pois tem um só autocarro para servir as duas freguesias”.

Entusiasmo não desfalece

Os dirigentes do CRIS encaram o futuro com alguma apreensão. “A nossa preocupação é o cumprimento dos compromissos. É que a mola real disto tudo é o dinheiro, e os patrocinadores também estão preocupados”.

E mais preocupações: “A sede necessita urgentemente de ser restaurada, mas não temos capacidade financeira para tal. A Câmara vai-nos apoiar? Não sabemos. E sonhamos com um campo e um pavilhão desportivos e com festas comemorativas que nos possibilitem angariar fundos”.

Esta direcção está a cumprir o segundo mandato e, apesar das agruras do trabalho associativo, não deixa desfalecer o entusiasmo: “Procuramos sempre fazer o mais possível, tendo tão pouco â nossa disposição. Ajudamo-nos uns aos outros e, no trabalho, somos todos iguais”, sublinham.

Estes associativistas estão a fazer um trabalho que compete ao Estado. “As crianças da rua precisam de sentir o apoio de um colectivo, para evoluírem física e mentalmente. Muitas caiem na dependência das novas tecnologias. Temos a percepção que há pessoas que precisam de nós. Ajudá-las é a nossa maneira de ser e de estar”.

BI
Nome: Clube Recreativo e de Instrução Sobredense
Também conhecido por: CRIS
Localidade: Sobreda da Caparica
Data de Fundação: 21 Outubro 1911 – 109 anos
Actividades Principais: Futsal e o rugby a nível distrital e nacional
Actual Presidente: Vítor Sousa

Por José Augusto

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