Lagar do Parral, fundado em 1906, continua a fornecer o melhor azeite, da aldeia para o país

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Manuel João António Nunes, fundador do lagar

Perto de Santa Cruz, os descendentes continuam a arte de Manuel João Nunes. Além de azeite, a loja vende azeitonas e sabão feito à moda antiga

 

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Perto de Santa Cruz, em Santiago do Cacém, mora uma antiga unidade produção e comércio de azeite, com bem mais de cem anos. A tradição do Lagar do Parral vai na quarta geração de descendentes de Manuel João, o bisavô fundador.

A concorrência é “cada vez maior e mais desleal”, mas na família o lema “sempre será primar pela qualidade em detrimento da quantidade e talvez por isso, vamos conseguindo ultrapassar as várias adversidades”, contou uma das sócias gerentes a O SETUBALENSE.

Determinado em seguir sempre avante, ultrapassando os obstáculos que se foram e vão impondo, o Lagar do Parral está de pé desde 1906 e foi fundado por Manuel João António Nunes, bisavô da sócia gerente e do seu primo direito, que está também ele à frente do Lagar. De acordo com a mesma, este primava à época por ser “um homem muito curioso e interessado em todas as áreas”, algo que se confirma com a “vasta biblioteca que colecionou ao longo da sua vida”.

Em 1926, Manuel João António Nunes faleceu, com 59 anos, e quem fica à frente do negócio é o seu filho, José António Nunes. No início da década de 80, são os sobrinhos de José António Nunes que passam a gerir o Lagar, aquando do falecimento do tio. Trata-se de “uma empresa familiar que neste momento vai na quarta geração”, mas ainda conta com o apoio da terceira.

A “qualidade do nosso produto” é o ponto forte da empresa, resume a responsável. Destaca também a importância “de ao longo de todos estes anos tanto as gerações mais novas quanto os nossos antepassados, tentarmos estar sempre actualizados no processo de fabrico”. Com o passar do tempo foram sendo feitas remodelações ao equipamento e às instalações.

“Em 2000 plantámos um olival de regadio em cultura intensiva, com recurso às melhores práticas agrícolas para proteção dos solos e do meio ambiente e fazemos a colheita da azeitona mecanicamente.“ Ainda com os avanços, uma das maiores dificuldades nos dias que correm é arranjar “mão de obra para a colheita da azeitona e manutenção do olival“, no entanto a fonte também afirma que “este parece ser um problema comum a todas as empresas agrícolas que têm trabalhos sazonais“.

Outras adversidades são “sem dúvida o clima que faz com que os ciclos vegetativos sejam alterados e não se consiga muitas vezes planear os trabalhos. Acresce o facto de os rendimentos serem muito incertos, nos diferentes anos, quer em termos de quantidade de azeitona obtida, quer no rendimento em azeite obtido”. Porém, no reverso da medalha, há também pontos muito bons. A responsável refere o facto do Lagar do Parral ser uma “empresa reconhecida a nível da região”, com “clientes fidelizados, de norte a sul de Portugal, sem esquecer os emigrantes”.

Uma das grandes conquistas foi aumento do portefólio de produtos, concretizado há cerca de um ano. “Actualmente temos, para além do azeite, uma unidade de produção e embalamento de azeitona de conserva, ao natural, assim com uma saboaria, onde já estamos a produzir sabonetes naturais de azeite“, clarificou. A produção de sabão passou a ser feita devido ao facto de da família dar “valor ao que é mais natural e ecológico, mas também por saudosismo e em jeito de homenagem” ao bisavô e ao tio avô, explicou a sucessora.

O Lagar do Parral tem sociedade constituída desde 2004, conta com cinco funcionários, e na campanha de colheita são normalmente contratadas mais quatro pessoas. O produto mais vendido é o Azeite Virgem Extra e o grosso das vendas é feito na loja junto às instalações do Lagar. O azeite é também comprado por alguns restaurantes na zona e distribuído por entidades de comércio local.

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