Alcomonias: Há mais de um século a adoçar a região

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Doce de origem árabe continua a vender-se em feiras e festividades

 

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De origem árabe, as alcomonias são um doce típico português, da região do Litoral Alentejano. Produzidas em pequena escala em Santiago do Cacém e em Grândola, mais concretamente na aldeia de Santa Cruz, na freguesia da Lagoa de Santo André e na aldeia de Melides, podem ser encontradas nas feiras e festividades da zona.

Nomeadamente, na Feira do Monte, em Santiago do Cacém, na Feira de Santo André e na Feira de Melides, realizadas uma vez por ano. Ainda assim é um doce que pode ser feito ao longo de todo o ano.

Antigamente, as vendedeiras que produziam o doce de forma caseira, juntavam-se na rua e vendiam as alcomonias em cestos e toalhas brancas estendidas, às dúzias, embrulhadas em papel. Hoje continuam a ser assim encontradas, embrulhadas da mesma forma.

O doce idêntico a bolachinhas moles, em formato de losango, é feito com mel e pinhão e trata-se de uma receita simples, porém pouco económica. Embora leve parcos ingredientes, o pinhão tem vindo a ter o seu preço cada vez mais elevado à medida que os anos passam, sendo impossível por vezes compra-lo de modo a que a venda do doce compense. Substitui-lo não é uma carta totalmente fora do baralho, mas a essência do doce ficaria alterada.

As alcomonias são um doce de origem árabe, conforme indica a Direcção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR). A forma particular, os ingredientes usados e o próprio nome são vestígios dessas raízes. A palavra “alcomonia” é de origem árabe e significa “da cor do cominho”. A farinha torrada com o mel, deste doce, tem essa cor. Além disso a própria forma de confecção, como o amassar, remete para os tempos de ocupação árabe.

De acordo com a DGADR, “encontra‑se já o vocábulo alcomonia registado em documentos quatrocentistas para referir um bolo ou doce romboidal e também como termo utilizado no Minho para designar um tipo de doçaria preparada com mel. Também há notícia da sua venda ambulante em Lisboa, pela ‘preta do mexilhão’ que também vendia gergelim e alcomonias”. Mas, não foi apenas a cozinha portuguesa que a adotou. Também no Brasil, nos séculos XVIII e XIX começaram a ser feitas alcomonias, porém, com farinha de mandioca. O doce vai bem acompanhado por uma aguardente, moscatel, porto ou até mesmo whisky.

De acordo com a edição número 24, do jornal Vida Alentejana, publicado a 26 de fevereiro de 1935 a receita original é a que se pode ver na imagem. Este jornal, segundo a hemeroteca digital de Lisboa, era um semanário agrícola, pecuário e turístico, criado em 1934, com objetivo de defender o Alentejo, promovê-lo e propagá-lo, e aconselhar os trabalhadores alentejanos.

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