Sociedade “Loureiros”: Ramos de loureiro baptizaram colectividade que envolve corações dos 8 aos 80

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É uma das mais antigas associações da região e gaba-se do intercâmbio geracional. Na banda há músicos octogenários ao lado de crianças com menos de dez anos

 

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Contam as histórias e os livros que, entre os anos de 1848 e 1852, das várias bandas de música que iam até Palmela animar a população, a que mais agradava aos populares era aquela a que chamavam “Voluntários da Guarda Nacional”. A banda era dirigida por um afamado professor de música, de seu nome José Cipriano Arronches.

Da simpatia passou-se às ideias, umas das quais, e a mais importante, a de que uma filarmónica, dirigida precisamente por José Cipriano Arronches, fosse criada em Palmela.
E a concretização da ideia deu-se a 25 de Outubro de 1852 quando, numa reunião em casa de Joaquim José Correia, presidida por Arronches e com inúmeros ilustres da vila presentes, foi fundada a Sociedade Filarmónica Palmelense.

Algum tempo antes de “loureiros” ser acrescentado ao nome, era Sociedade dos Morgados o ‘apelido’ da nova colectividade, muito provavelmente, segundo bibliografia, devido à boa condição social de fundadores e músicos.

A primeira saída à rua e os ramos de louro

Decorria o verão de 1853 quando nasceu a mãe de todas as actividades que ainda hoje se encontram na Sociedade Filarmónica Palmelense “Loureiros”: a primeira saída da banda.

Foi no dia de São Pedro, a 29 de Junho de 1853 que a sociedade saiu pela primeira vez à rua, de traje de veludo verde e vermelho.

Partindo da primeira sede no Largo da Boavista, em Palmela, em direcção à igreja, a banda passeou pelas ruas e, chegando à casa santa, entoou pela primeira vez o seu hino, também criado por José Cipriano Arronches.

A banda fez furor e passou a animar grande parte das festividades e arraiais da vila, onde abundavam ramos de loureiro, muito usados na altura, também para decorar a sede da colectividade em ocasiões de festa. Vai daí e “Loureiros” juntou-se ao nome da sociedade.

De destacar que, por motivos políticos, alguns dissidentes viriam a criar a Sociedade Filarmónica Independente Humanitária, ficando a banda dos Loureiros inactiva em grande parte da década de 1860.

Dos 8 aos 80, uma imagem de marca

Longe de essa curta paragem do final do Séc. XIX está a colectividade nos dias de hoje. Dinâmica, cultural e sobretudo musical. Em conversa com O SETUBALENSE, João Lança, de 37 anos, vice-presidente da direcção, admite que o caminho, apesar em crescendo, não tem sido fácil.

“Curiosamente desde que estou na direcção, há cerca de dez anos, fomos sempre apanhados por algumas crises. O covid, a troika… e essas coisas acabam sempre por influenciar. Mas o que mudou mais nos últimos anos foi o número de actividades, que são mais, principalmente a nível desportivo. Existe também uma importante manutenção do trabalho que tem vindo a ser feito, agora que os cortes e apoios são cada vez menores”, frisou.

Envolvido nos Loureiros há cerca de 20 anos, desde que lá começou a aprender clarinete, João Lança destaca, acima de tudo, uma “forte tradição cultural e intergeracional”. “Em tudo o que fazemos há um grande intercâmbio de gerações. Na banda temos pessoas com 85 ou 86 anos e miúdos com 8, 9, 10 anos. Existe muitas gerações a trabalhar em conjunto e acho que isso é um dos aspectos mais positivos. Esta colaboração é assim desde que me lembro. É giro ter as histórias das gerações mais velhas a trocarem experiências com os mais novos, que querem fazer tudo”, destacou.
Objectivos, “esquecendo agora o Covid”, são claros e contínuos: “crescer a nível desportivo e musical, continuando a formar mais alunos para a banda. Todos os elementos da banda vêm da nossa escola de música. Além disto, estamos a tentar desenvolver um projecto de ginástica rítmica de competição. Veremos até onde conseguiremos ir”.

BI:
Nome: Sociedade Filarmónica Palmelense “Loureiros”
Data da fundação: 25 de Outubro de 1852
Nome pelo qual é conhecida: Loureiros
Actividades: Banda, Coral Loureiros, Orquestra, Escola de Música, Coro infantil, Orquestra juvenil, Ginástica Rítmica, Ballet, Aikido, Karaté e Ginástica de Manutenção
Presidente: Rogério Almeida

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