Encontro da Canção de Protesto dedicado a José Mário Branco e ao exílio em Grândola

A edição deste ano do Encontro da Canção de Protesto, em Grândola, no distrito de Setúbal, vai ser dedicada a José Mário Branco e à temática do exílio com espetáculos musicais, exposições e documentários, foi hoje divulgado.

Promovido pela Câmara Municipal de Grândola em parceria com o Observatório da Canção de Protesto, o evento, que vai decorrer entre os dias 17 e 20 de setembro, conta com a presença de figuras ligadas ao universo da canção de protesto em Portugal.

Espetáculos musicais, exposições, documentários dedicados à temática do exílio, colóquios e sessões testemunhais e de canto livre são algumas das iniciativas que compõem o programa do encontro, que abre com a exposição “Emigração, exílio da canção de protesto”, no Cine Granadeiro, seguindo-se o espetáculo “À Margem (de uma certa maneira) O canto do exílio”, leituras encenadas da associação artística Andante.

No segundo dia do evento, o parque de feiras e exposições de Grândola recebe um espetáculo de Sérgio Godinho e os Assessores para uma “viagem musical pela profusa carreira do cantor, compositor, escritor, ator de teatro e cinema”, com a recriação de algumas canções que marcaram os discos “Os sobreviventes” e “Pré-Histórias”, gravados em 1972 e 1973.

O espetáculo recorda canções de uma altura em que o cantor Sérgio Godinho “se encontrava no exílio em França” e “outras, mais ou menos recentes, poeticamente associadas ao conceito do exílio”, explicam os promotores, em comunicado.

No dia 19 de setembro, o Cine Granadeiro vai acolher, ao longo do dia, a conferência “José Mário Branco, Arquiteto e Ator de Canções”, a cargo de Manuel Pedro Ferreira, e um conjunto de sessões testemunhais dedicadas ao universo de José Mário Branco, que vão tratar temas como “Cantos no Exílio”, “Sons e Cenas”, “Novos Protestos, Outras Canções” e “Uma Mão Cheia de Vozes na Luta”.

Nas sessões participam Agnès Pellerin, Alexandre Alves Costa, António Branco, Ana Matos Fernandes (Capicua), Carlos Fragateiro, Domingos Morais, Flávio Almada (LBC Soldjah), Francisco Fanhais, Hélder Costa, João Madeira, Luís Cília, Manuel Deniz Silva, Manuel Pedro Ferreira, Mário Vieira de Carvalho, Nuno Santos (Prétu Chullage), Rita Azevedo Gomes, Rui Cidra, Sérgio Godinho e Tino Flores.

Durante a noite, no mesmo espaço, decorrerá um espetáculo inédito intitulado “Uma mão cheia de vozes na luta”, com a atuação de membros do Grupo de Ação Cultural – Afonso Dias, António Duarte, Carlos Guerreiro, Tino Flores e João Lóio.

O encontro encerra no dia 20 de setembro, no Cine Granadeiro, com o colóquio “Contra as ditaduras erguer a voz e cantar”, com a participação de membros do conselho consultivo do Observatório da Canção de Protesto, entre eles Adelino Gomes, Ana Matos Fernandes (Capicua), Nuno Santos (Prétu Chullage), João Carlos Callixto, José Fortes, Joaquim Vieira e Manuel Freire.

O colóquio, que tem como convidado Alberto Carrillo Linares, vai contar ainda com a presença de Salwa Castelo-Branco, Viriato Teles, Soraia Simões de Andrade e Rui Vieira Nery, seguindo-se a exibição do documentário “Les Printemps de L’Exil” e a atuação do coro da Casa da Achada – Centro Mário Dionísio.

O Observatório da Canção de Protesto (OCP) tem como objetivos o estudo, a salvaguarda e a divulgação do património musical tangível e intangível da canção de protesto produzido durante os séculos XX e XXI, através da realização de iniciativas culturais diversas.

A entrada em todas as iniciativas é gratuita mediante reserva antecipada e sujeita a lotação da sala.

Lusa

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