“Projecto Jardim das Nascentes e Casa da Música representa conceito mais amplo de património”

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O presidente da Câmara explica a função ambiental do investimento que considera “estratégico para a estrutura verde principal da cidade”

 

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A construção do Jardim das Nascentes e da Casa da Música Maestro Jorge Peixinho, que no total ascende a um investimento superior a 2,2 milhões de euros co-financiado em 50% por fundos comunitários, representa mais do que apenas a concretização de uma obra há muito sonhada ou uma das principais marcas do actual mandato da gestão camarária socialista de Nuno Canta. O chefe do executivo autárquico do Montijo afirma que o projecto “é o conceito mais amplo de património que se pode conseguir”.

Na véspera do Dia do Ambiente, que se assinala a 5 de Junho, Nuno Canta explica a relevância do investimento em termos ambientais e salienta que a obra “adiciona património natural, edificado e património cultural imaterial, como é o caso da música”.
Para o presidente da Câmara , o Jardim das Nascentes constitui “um projecto estratégico para a estrutura verde principal da cidade”. Estrutura verde que, “desde o Moinho de Maré da Mundet e atravessando toda a zona baixa da cidade”, permitirá “preservar terrenos que funcionam como esponja para absorver as águas pluviais” e evitar cheias, destaca. A sua importância, reforça Nuno Canta, é por isso “crucial”. “Preservamos no centro da própria cidade um elemento que absorve as águas.”

Associada está também a ideia de “tornar todo aquele espaço num grande jardim, com vegetação e arbustos, como elemento estético além de ecológico”. Igualmente funcionará como “resposta às alterações climáticas, absorvendo dióxido de carbono e libertando oxigénio”. Ou seja, “minimiza as emissões de gases com efeito de estufa e purifica o ar”.
“Desde os terrenos à vegetação autóctone, que ali vai ser plantada (conforme a original), teremos ali um património natural muito relevante para a cidade”, afirma.

O socialista destaca que, além disso, a Câmara Municipal está “a desenhar ciclovias em torno do jardim”, o que possibilitará às pessoas “deslocações em bicicleta, ajudando à redução do tráfego automóvel” no local.

Casa da Música e… do cinema

O projecto municipal para a Quinta das Nascentes engloba ainda a construção da Casa da Música Maestro Jorge Peixinho, cuja adjudicação por 980 mil e 545 euros foi aprovada na última reunião do executivo camarário, com votos a favor da maioria PS e as abstenções de CDU e PSD.

“Estamos a falar da remodelação de um edifício rural de uma das primeiras quintas que existiu no Montijo e que era denominada ‘Quinta de São Pedro das Nascentes’, como consta num documento muito antigo. A sua origem remonta a pelo menos ao Século XIV”, revelou o autarca.

O edifício da Casa da Música “vai acolher no 1.° andar o Museu Jorge Peixinho”, sendo que o rés-do-chão albergará igualmente um espaço museológico, mas como “parte expositiva”. Haverá ainda na parte exterior “um grande auditório (tipo ‘black box’)”, com palco hidráulico”.

A casa rural, de resto, pertenceu “à Tobom” e foi onde viveu “durante muitos anos o doutor Branco, veterinário e pai do cineasta Paulo Branco”, que “tem cedido algumas informações sobre aquele espaço onde cresceu”. Tal como já havia revelado anteriormente a O SETUBALENSE, Nuno Canta voltou a sublinhar que a Casa da Música irá também contemplar um espaço, no piso inferior, para destacar esta outra personalidade da cultura, neste caso do mundo da sétima arte. “Vai ter um espaço dedicado a Paulo Branco”, admitiu.

A finalizar, o presidente da autarquia lamentou que o sentido de voto (abstenção) da oposição na adjudicação da obra. “É incompreensível que a CDU e o PSD não tenham acompanhado a gestão numa obra tão relevante para a cultura montijense como o é a Casa da Música e que, sobretudo, vem homenagear a grande figura do Maestro Jorge Peixinho que até foi eleito do PCP na Assembleia Municipal”, concluiu.

Sonho antigo dos autarcas do PS

Nuno Canta considera que este é “um projecto único”, quer em termos culturais quer ambientais, em toda a região de Lisboa” e, ao mesmo tempo, não esconde que a obra é um sonho antigo dos autarcas do PS.

O Jardim das Nascentes, cuja construção encontra-se em fase de conclusão, e a Casa da Música, com a obra recentemente adjudicada à empresa Rockwork – Soluções Construtivas Unipessoal, envolveu o trabalho de “vários autarcas do PS”. E lembrou que até se chegar aqui houve “lutas jurídicas” travadas pelos eleitos socialistas, que “não cederam a pressões urbanísticas”.

“Este é assim um projecto de sonho dos autarcas do PS, que nós temos a honra e o orgulho de concretizar”, já havia afirmado o presidente da Câmara a O SETUBALENSE, adiantando então que o referido projecto começou por constar, numa forma diferente, “no plano geral de urbanização do PS em 1978”. Depois, foi “sofrendo naturalmente alterações” até se chegar aos dias de hoje.

O projecto é assim visto por Nuno Canta como “muito interessante” para a história do Montijo e “muito significativo para todos que sempre o defenderam”. O socialista não esquece que “houve muitos que quiseram loteamentos, escolas, para aquele local”, numa crítica implícita à oposição.

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