Álvaro Amaro: “Se a tutela não realizar testes de despistagem no pré-escolar a autarquia vai avançar”

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Álvaro Amaro. Fotografia de Alex Gaspar

O presidente da Câmara Municipal assume que a testagem será sempre feita às funcionárias da autarquia

 

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A reabertura do ensino pré-escolar está prevista para o início de Junho e se a tutela não avançar com testes de despistagem da Covid-19, aos funcionários, a Câmara Municipal de Palmela assumirá essa missão.

A garantia foi dada ontem por Álvaro Balseiro Amaro, presidente da autarquia, em entrevista a O SETUBALENSE.

“As assistentes operacionais são funcionárias da autarquia. Gostaríamos de ver também os nossos trabalhadores envolvidos nesse plano [que o Governo anunciou para profissionais das creches]. Se não estiverem contemplados nesse âmbito, a autarquia avançará ela própria com a realização de testes a essas, esses, profissionais”, afirmou o autarca, que mostrou ainda abertura para ajudar no processo a realizar nas creches, previstas reabrirem já no próximo dia 18. “São da responsabilidade da administração central, mas cá estaremos para disponibilizar todo o apoio.”

No que toca à realização de testes, o município acaba de ver concluída a primeira fase de rastreios a lares no concelho, no âmbito do plano decidido na Área Metropolitana de Lisboa.

“Num dia ultrapassámos os 250 testes. Aproveitámos toda a capacidade instalada. Os testes cobriram a totalidade das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) e ainda permitiram entrar já no campo dos lares privados”, frisou Álvaro Amaro. Por isso, foi “um arranque muito satisfatório”, considerou. “Teremos de ver num próximo momento, que será a 13 de Maio, como conseguiremos fazer uma bateria de testes na ordem das três centenas aos restantes lares”, apontou, deixando críticas à demora de actuação.
“Esta é uma medida preventiva, era essencial e demorou muito tempo a chegar ao terreno. Gostávamos de entrar também num outro grupo, os dos lares não licenciados, porque aí há um universo muito mais numeroso do que o que conhecíamos de início”, salientou, reforçando: “Seria importantíssimo até final de Junho poder-se varrer todos estes equipamentos, bem como centros de acolhimento de crianças, jovens e de portadores de deficiência.” E, ainda sobre os lares por legalizar, acrescentou: “Estimávamos ter 25 lares, casas de repouso, nessa situação. Com o levantamento feito pela protecção civil, com a colaboração dos bombeiros, rapidamente chegámos a 68 equipamentos por licenciar.”

Sobre os mais de 250 testes entretanto já feitos, o autarca disse desconhecer os resultados. “Não conheço nem tenho de conhecer, por ora, os resultados. São comunicados às pessoas testadas. Se até à data não houver alteração do número de casos confirmados e activos por parte da Direcção-Geral da Saúde é porque tudo se mantém com tranquilidade.”

Transportes insuficientes

O fim do estado de emergência e início do desconfinamento faseado marcou o dia de ontem, com a reposição de carreiras e reforço da oferta nos transportes públicos a centrar atenções.

“A oferta já não era a ideal e a nossa expectativa, no plano do transporte rodoviário, é que com a nova concessão possamos chegar a novas carreiras que são indispensáveis à nossa população. A redução que houve pôs em causa o direito à mobilidade para o trabalho de muitos cidadãos. Temos hoje a boa notícia da reposição da carreira 565”, lembrou o edil. “No transporte ferroviário os níveis de serviço, progressivamente este mês, vão aproximar-se dos existentes antes da pandemia. No rodoviário, creio que vai ficar pouco acima dos 50%”, assinalou, considerando que a oferta ao dia de hoje, face às necessidades que se avizinham, “ainda é insuficiente”. “Continuaremos a pressionar para que essa oferta corresponda às necessidades da população”. Até porque, lembrou, “os municípios não deixaram de pagar a comparticipação” no novo modelo gizado na Área Metropolitana de Lisboa (AML).

Propostas à AML

À margem destes processos, o município de Palmela anunciou que apresentou um pacote 70 propostas à AML.

“Visam levar a AML e o POR Lisboa a equacionar a possibilidade de redefinirmos as prioridades de investimento, pensando no período pós pandemia”, explicou, desvendando de seguida: “Medidas de apoio à economia local, aos pequenos produtores, também à área do turismo, da restauração, para as quais são necessárias linhas de apoio”, revelou, olhando sobretudo para este último sector que foi dos que “mais sofreu”.

O documento foca também quem opera na animação turística, nas indústrias criativas e culturais e contempla “medidas específicas para reforçar a competitividade das PME’s, na agricultura e na pesca, também na área da utilização eficiente dos recursos e questões que apoiem a criação de auto-emprego”.

Além disso, avança ainda com propostas para o sector da educação, ao nível do “apetrechamento de equipamentos”, que permitam o ensino à distância e que “não devem sair do orçamento das autarquias”, fez notar o presidente da Câmara. Redireccionar fundos comunitários, redefinir prioridades e reformular a distribuição de apoios para a península de Setúbal, prejudicada por integrar a Grande Área de Lisboa, é a chave.
A finalizar, Álvaro Amaro antecipou um pouco da revisão orçamental do município.
“Vai trazer poucas novidades. O saldo da gerência anterior é de 10 milhões de euros mas está praticamente todo ele afectado às obras previstas”, frisou. Os projectos para o pavilhão da secundária e o novo posto da GNR no Poceirão vão arrancar. Incluídas vão ser as obras resultantes dos processos participativos. De resto, o investimento na rede viária e em infra-estruturação no saneamento básico, estimado em cerca de dois milhões de euros, vai ser realizado.

“Sinto-me um Comando na linha da frente”

Cerca de dois meses depois do impacte provocado pela pandemia na realidade local, o autarca revelou o seu actual estado de alma.

“Como me sinto? Quase como um Comando na linha da frente, procurando dar resposta a tantas situações, algumas impensáveis. Tem sido uma aprendizagem extraordinária que nos leva muitas vezes a ir buscar força, recursos, imaginação que pensávamos não ter”, admitiu.

Os últimos tempos representaram “um desafio enorme”. “Desde a protecção dos trabalhadores e dos concidadãos, ao reforço do material de protecção individual e à pressão junto do Estado Central para a realização dos testes junto das instituições sociais, à reorganização dos serviços e ao apoio social, que obrigam a um esforço muito intenso”, elencou. O desafio, porém, tem sido encarado “com sentido de missão”, apesar de haver “matérias que não deveriam de ser assumidas pelas autarquias”. “Mas não temos cruzado os braços”, concluiu.

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