Amigos da Quinta. “Sem cor política levamos ajuda alimentar a 200 famílias”

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António Mestre, Susana Alves, Miguel Reizinho. Fotografia: O SETUBALENSE

Voluntários ajudam famílias que perderam autonomia alimentar devido à crise da Covid-19. Agora querem respostas para o futuro do apoio social na Quinta do Anjo

 

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Há cerca de dois meses, na Quinta do Anjo, a Tertúlia Os Amigos da Quinta, com o apoio da Sociedade Instrução Musical (SIM), abraçou a causa de levar alimentos a famílias que, devido à Covid-19, começavam a representar “os novos casos de fome”. Hoje, “sem cor política levamos ajuda alimentar a 200 famílias”, contam Miguel Reizinho e Susana Alves, voluntários do projecto, mas as reservas em relação ao futuro começam a surgir.

Todas as quintas-feiras Os Amigos da Quinta fazem 200 cabazes com produtos alimentares e confeccionam as 200 refeições nas instalações da SIM. No entanto, reconhecem que “a ajuda terá de continuar a ser feita de forma mais sustentável, para garantir o apoio futuro a estas famílias”.

Os Amigos da Quinta deram os primeiros passos “com dinheiro do próprio bolso”. Compraram mantimentos e fizeram as primeiras refeições. Miguel Reizinho assume, “nunca pensei que conseguíssemos chegar até este ponto”.

Agora a ajuda vai além da Quinta do Anjo, “chega a Cajados, também no concelho de Palmela e à freguesia de Pontes, em Setúbal”, conta Susana Alves, sem esquecer o apoio do comércio local, como pequenas lojas e restauração, que doam alimentos já confeccionados. Assim como a intervenção da Junta de Freguesia, “pelas mãos do ‘Mestre’ [presidente desta autarquia]”.

A união social surpreendeu Miguel e Susana, que para além de voluntária do movimento, também é membro do executivo da Freguesia da Quinta do Anjo. Representa o lado PS numa junta CDU, e não esquece o trabalho de uma “geringonça” que tem colocado a missão social acima da política. “É isso mesmo que somos: amigos, unidos por uma causa maior, sem cor política”, destaca.

 

Quando ‘Os Amigos’ e o Mestre decidiram ajudar a Segurança Social

 

Com a chegada da Junta da Freguesia da Quinta do Anjo ao projecto, o autarca António Mestre, articulou o contacto com entidades oficiais, para conseguir doações fixas.

Surgiram então os apoios do Banco Alimentar Contra a Fome de Setúbal e da Jerónimo Martins. O autarca tem consciência de que “isto não vai mitigar as necessidades da região”. Os pedidos de ajuda que chegam estão relacionados com profissionais liberais, que antes da pandemia mantinham “um padrão de vida de classe média”. E os projectos de solidariedade local “são paliativos para uma situação que tende a agudizar-se”. Motivos pelos quais António Mestre é determinante ao afirmar que, “será necessário uma actuação mais próxima de quem tem competências para tal”.

A Junta de Freguesia da Quinta do Anjo deu os primeiros passos “quando decidiu que não se podia alhear da Segurança Social [SS], que não estava a conseguir dar resposta a todos casos de emergência alimentar em tempo útil”.

Surgiu então “um canal de comunicação directa”, através do qual a junta sinaliza e encaminha novas situações para a SS. Até porque, sem o balcão local, encerrado há vários anos, “a instituição desconhece as particularidades de cada caso”, alega o autarca.

António Mestre dá como exemplo o caso de alguém que requereu apoio à SS e a quem foi dada uma resposta social de “66,00 Euros mensais”. Apenas depois da Junta de Freguesia reavaliar o caso foram passadas outras informações, “que a Segurança Social teve em conta para outros apoios”.

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