Colectividade de Paio Pires sonha com pavilhão desportivo

12
visualizações

Grupo Recreativo de Santo António fez 55 anos. O presidente acredita que, com a ajuda da Câmara do Seixal, o sonho pode tornar-se realidade. A colectividade está ainda fortemente associada à Siderurgia Nacional

 

- Pub -

O Grupo Recreativo de Santo António (GRSA), colectividade que vive paredes-meias com a Siderurgia Nacional, fez 55 anos na passada quinta-feira. Tudo começou em 1965, em pleno desmando fascista, pelo sonho associativista de um punhado de trabalhadores de todos os pontos do país, a maior parte ligada àquele grande centro metalúrgico. Mas a colectividade só viria a concretizar-se em Março de 1975.

Ao longo deste mais de meio século de vida activa, a colectividade tem sonhado e, com o tempo tem conseguido realizar uma boa parte deles, e nesta linha tem vido a crescer e ganhar nome. Agora, numa primeira linha de prioridades, está a construção de um pavilhão desportivo para poder crescer nas modalidades.

Identificada com as pessoas

Leonel da Encarnação, antigo sindicalista, encabeça a direcção do GRSA há 15 anos. “A colectividade identifica-se fortemente com as pessoas, devido à sua origem”, continuando a “desenvolver-se com a vontade e dedicação de gerações que lhe deram a expressão que hoje apresenta”, salienta o dirigente associativo. E, como o “ritmo da vida não pára”, o GRSA está a “idealizar outro espaço que lhe proporcione melhores condições dsportivas”.

Diz Leonel que “terreno para a construção do equipamento há”, nas traseiras da sede; agora “é preciso que a Câmara Municipal esteja para aí virada. Pensámos que, em colaboração com a autarquia, será possível alcançar este objectivo, que elevaria o bem-estar e as condições de vida tanto dos associados como da população deste bairro operário”.

E com o optimismo que se lhe reconhece, lá vai dizendo que “é bem possível que, ao acordarmos um dia deste sonho, nos belisquemos e vejamos ali a obra erguida frente aos nossos olhos”.

O GRSA é campeão em futsal, a nível do concelho, no escalão de veteranos. Um pavilhão permitiria formar um “cinco” de seniores, o que seria festejado pelos associados. Outras duas modalidades que a colectividade acarinha desde sempre são a pesca e a malha, em todas as suas vertentes. O Grupo é assíduo participante em duas importantes provas, que em certas disciplinas tem expressão nacional, como a Seixalíada e os Jogos do Seixal. “Além das modalidades mencionadas, concorremos, porque temos secções bem estruturadas, em ténis de mesa e karaté e, ultimamente, em airsoft, esta em processo de consolidação”, explica o presidente. “A verdade é que os nossos atletas trazem sempre medalhas em torneios que participam e classificações em lugares cimeiros”.

Junte-se a estas modalidades os jogos tradicionais, os jogos de mesa, onde se conta o xadrez, que constituem sempre, sobretudo, para os mais idosos, momentos de convivência e de companheirismo.

A actividade do GRSA contempla ainda bailes, com realce para os de Carnaval, da Pinha e Passagem de Ano, noite de fado, arraias populares, como o de Santo António, concertos musicais, exposições e debates sobre a Revolução dos Cravos, sempre com um militar de Abril. Além disso, comemora datas que são queridas aos trabalhadores, como o 1.º de maio, por exemplo.

Valor das quotas é pouco mais do que simbólico

Com um valor das quotizações muito modesto – 50 cêntimos por mês, mínimo –, a sobrevivência financeira do Grupo Recreativo de Santo António está dependente dos “apoios financeiros, técnicos e logísticos da Câmara Municipal”. Conta o presidente da colectividade que foi a autarquia “que suportou, na totalidade, os custos da ampliação e restauração da sede”. Ao mesmo tempo, a direcção tem “conseguido a compreensão da União das Freguesia do Seixal, Arrentela e Paio Pires, do comércio local e de várias instituições. Sem estes apoios não poderíamos dar aos sócios e à população o que eles realmente precisam”.

Segundo Leonel, à colectividade não são estranhas algumas das dificuldades que vive presentemente o Movimento Associativo, provocadas pela degradação das condições laborais. “A vida associativa é difícil quando há horários desregulados, trabalhadores em situação de insegurança e precariedade laboral, quer dizer, condições que não favorecem a aproximação ao dirigismo associativo. Ora, neste bairro eminentemente operário, essas situações reflectem-se no quotidiano da colectividade”.

Por José Augusto

Comentários

- Pub -