27 Fevereiro 2021, Sábado
- PUB -
Início Local Seixal População continua a contestar encerramento da estação dos Correios em Paio Pires

População continua a contestar encerramento da estação dos Correios em Paio Pires

O descontentamento com a privatização é geral. Utentes desesperam em longas esperas

 

- PUB -

Longe vai o tempo em que se metia uma carta no marco do correio, com um selo de dez tostões, e ela chegava ao endereço certo, em qualquer ponto de Portugal continental, no espaço de 24 horas. Hoje, tudo é diferente no mundo postal que no passado 6 de Novembro fez cinco séculos de existência.

Na Torre da Marinha, Seixal, os utentes queixam-se pelo muito tempo de espera para serem atendido no balcão dos CTT, não por o movimento postal ter aumentado em tempo de pandemia, mas porque, entre outras, a estação de Paio Pires encerrou.

Entre a população ninguém entende a decisão dos CTT que, há dois anos, decidiram encerrar a loja dos Correios em Paio Pires. Houve manifestações e protestos e os autarcas chegaram a reunir com a administração da empresa, mas o balcão fechou mesmo.

- PUB -

Num dia da passada semana, a fila começava ainda antes da estação abrir, e logo pelas 8h30 é comum já serem muitas as pessoas em espera. “Vim mais cedo, porque me disseram que agora havia muita gente, que se perdia muito tempo. Estou aqui a esta hora e já sou a número quinze”, disse-me Maria da Piedade. “Quando é que sairei daqui?”, indagou a si própria.

Os utentes aguardavam pacientemente pelas nove horas, para então tirarem a ficha e voltarem para a rua esperar pela sua vez, observando as normas do distanciamento social.
“A culpa não é dos funcionários, que até são diligentes e atenciosos. São é poucos para o trabalho que têm”, afirmava José Pereira, um homem de idade, apoiado na bengala.
A política no seu pior

António Santos, presidente da União das Freguesias do Seixal, Arrentela e Paio Pires, diz que “é indecente a entrega de alguns serviços dos CTT a papelarias e outros estabelecimentos particulares”. E continuou: “As filas são intermináveis, com pessoas à chuva, sem qualquer protecção. A população mostra-se muito queixosa, e não se diga que não tenha razão”.

- PUB -

Sobre o fecho da estação de Paio Pires, refere que ele e outros autarcas chegaram à fala com a administração dos CTT e intervieram na comissão da Assembleia da República que se ocupa destas áreas. “Todos discordaram do fecho dos balcões dos CTT e muitos reconheceram que foi um erro a privatização, mas ninguém ainda pôs um travão a tais desmandos, quer dizer, toda a gente está contra, mas ninguém faz nada e a situação prolonga-se. É a política no seu pior”, concluiu.

António Santos lamentou também a situação dos carteiros, que se “expõem completamente para levarem a cabo as suas funções”.

Reclamações em catadupa

A ANACOM (Autoridade Nacional de Comunicações) divulgou, recentemente, que as “reclamações sobre serviços postais subiram 70% em Julho no livro eletrónico, face a igual mês de 2019, para 2,9 mil”.

A uma estação de rádio, Ilda Matos, porta-voz da ANACOM, explicou que “se tem assistido a um aumento do tráfego de encomendas, e eventualmente isso poderá fazer com que se venham a verificar as circunstâncias que justificaram este aumento de reclamações”. O desagrado dos utentes prende-se com atrasos nas entregas, extravios e enganos na morada.

Bons e relevantes serviços

A 6 de Novembro de 1520, há quinhentos anos, D. Manuel II fundou o Serviço Público de Correios, denominação que passou a Administração Geral dos Correios, Telégrafos e Telefones, com o advento da República. Entretanto, em 1969, toma o nome de Empresa Pública CTT, tendo, como muita gente reconhece, alcançado níveis de excelência, quer pela confiança que nela depositava a população no seu geral, quer pela rapidez das entregas, quer ainda pela universalidade de acesso a todo o território nacional. Além disso, as condições de trabalho e direitos dos seus funcionários não se comparam aos de hoje. Outro facto a registar: até à sua privatização entregava uma receita regular ao Orçamento de Estado. A privatização consumou-se em 2014, com a venda de 100% do capital dos CTT.

- PUB -

Mais populares

Morto a tiro em festa na encosta da Bela Vista

Um homem com cerca de 30 anos morreu este domingo baleado com dois tiros numa festa ilegal que decorria na encosta da Bela Vista,...

Várzea veio colmatar necessidade de antecipar o fecho da estação na 5 de Outubro

TST explica que antiga estação apresentava alguns problemas, inclusive ao nível da logística nos serviços   A empresa Transportes Sul do Tejo (TST) inaugurou há cerca...

Dores Meira acusa PS de falsear realidade sobre estacionamento pago na cidade

Dores Meira não poupa criticas às razões que o PS tem alegado. E aponta-lhe os casos de Lisboa e Almada   O estacionamento pago na cidade...
- PUB -