Quinta do Conde: Grupo Folclórico e Humanitário luta por sede própria

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A promoção do folclore e a recolha de dádivas de sangue são as principais actividades

 

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O Grupo Folclórico e Humanitário do Concelho de Sesimbra é uma das mais antigas associações da Quinta do Conde e está neste momento a travar uma luta por uma sede própria. André Antunes, presidente desde 2018, faz um retrato da vida do grupo e explica que desafios têm vindo a enfrentar. “Nos finais dos anos 80, vinham pessoas de vários pontos do país para a Quinta do Conde e da vontade de se associarem e criar laços entre a comunidade nasceram vários grupos folclóricos. Chegaram a existir cinco aqui”, começa por dizer a O SETUBALENSE.

“Apesar de divergências terem levado a que muitos acabassem, a paixão pelo folclore ficava nas pessoas e deu origem a novos grupos. O nosso nasce assim, a 23 de Outubro de 1993”, continua. Os estatutos só viriam a ser aprovados em 1995 e trouxeram consigo uma novidade.

Para além da divulgação e promoção das práticas etnográficas do fim do século XIX e início do século XX no concelho de Sesimbra e na Península de Setúbal, a recolha e divulgação de dádivas de sangue, em colaboração com o Instituto Português do Sangue e da Transplantação do Serviço Nacional de Saúde, é também uma actividade a que este grupo se dedica.

Um dos seus fundadores, José Alberto Pinto, era dador de sangue e trouxe consigo esta vertente que se tem mantido até ao presente. Com 49 pessoas inscritas, a recolha de Março, em período de confinamento obrigatório, foi a dádiva mais participada do presente mandato, iniciado em Abril de 2018. “Danço neste grupo desde os 10 anos. Já tinha 20 quando começaram a existir litígios. Candidatei- -me por não querer que o grupo acabasse.

Já era o único grupo em actividade no concelho de Sesimbra e se acabasse o concelho ficaria sem folclore”, explica. O Grupo Folclórico e Humanitário do Concelho de Sesimbra abraça assim duas actividades distintas, sem esquecer outras de cariz sócio-caritativo a que se associa, mas nas palavras de André Antunes o maior desafio tem sido conseguir uma sede própria. O grupo encontra-se neste momento a utilizar as instalações do Centro Cultural Social e Recreativo A Voz do Alentejo, onde “tem sido muito bem acolhido”, mas falta-lhe “instalações para poder guardar o nosso espólio” e “espaço para dar aulas de etnografia”.

Associação defende proximidade à comunidade

A recolha etnográfica é igualmente uma actividade a que o grupo se tem proposto. “A nossa etnografia baseia-se em recolhas dos anos 80, é limitada e apresenta muitas lacunas, nomeadamente modas inventadas e recolhas não justificadas nem situadas no tempo”, refere André Antunes, explicando que “o movimento folclore pretende retratar a história tal e qual como ela é” para que nas actuações possa apresentar “algo verídico e justificado”.

A proximidade à comunidade é outra das bandeiras da associação, que conta com 64 sócios pagantes actualizados em 2019 e 14 sócios fundadores, dos quais o sócio número um está activo. Em 2019, o grupo contabilizou o maior número de actuações no concelho de Sesimbra da sua história. “Nunca o grupo folclórico teve tantas actuações para as gentes do nosso concelho. Apesar de realizarmos actuações de norte a sul do país, fazemos questão de chegar primeiro à nossa comunidade”, refere. Nos planos para o futuro da colectividade está o objectivo e o interesse de se federar. Por agora, o grupo está dedicado à criação de uma nova imagem e plano de comunicação, que passa por um novo site e uma conta na rede social Instagram.

“Somos um grupo muito jovem. Contamos com 52 inscritos no folclore, e 55 por cento destas pessoas tem menos de 35 anos. Temos eleições em Março e estão reunidas as condições para que entrem pessoas mais jovens também para a direcção. São o futuro das comunidades e queremos mostrar que o Grupo Folclórico e Humanitário está cá, está para durar e com iniciativa”, remata.

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