2 Março 2021, Terça-feira
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“Nosso Bairro, Nossa Cidade”: a união faz a força entre os moradores

Grupo organizador do Encontro de Moradores dos cinco bairros pertencentes ao programa municipal “Nosso Bairro, Nossa Cidade” faz balanço do trabalho realizado até hoje, neste que é o sétimo ano do projecto

 

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O SETUBALENSE esteve à conversa com o grupo organizador do Encontro de Moradores dos cinco bairros, no Espaço da Bela Vista. Ouvidos todos os testemunhos, pode afirmar-se que a causa é comum e a união faz a força para estes moradores e técnicos municipais que juntos trabalham para que o programa “Nosso Bairro, Nossa Cidade” seja o sucesso registado.

 

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“Este programa tem sido muito bom para todos nós no bairro porque veio valorizar todos os bairros e fazer com que o estigma existente se afastasse. As pessoas são pessoas e este programa veio juntar todos os bairros, onde as pessoas vivem, convivem e participam”, começa por dizer Fernanda Rodrigues, moradora do bairro da Bela Vista.

“A união dos moradores tem feito a força para os bairros todos e não apenas para um. Quem der a volta ao bairro consegue ver a mudança, e queremos continuar para que os nossos netos e bisnetos possam realmente usufruir daquilo que nós começámos”, acrescenta.

Da mesma opinião é Elisa Correia, que, por sua vez, vive nas Manteigadas. “Fui das primeiras pessoas a ir morar para o bairro das Manteigadas, que tem vindo a crescer. Temos grupo de danças, a acção Saúde no Bairro, vamos começar com o apoio ao estudo para ajudar os nossos meninos na escola, temos uma catequista a dar voluntariamente catequese às nossas crianças e jovens, que também foi uma proposta nossa, está em construção o nosso espaço e teremos em breve obras no nosso bairro”, conta, acrescentando que “o programa é sem dúvida uma mais valia para todos”.

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Promover a autonomia da população, a participação das comunidades em dinâmicas de bairro, criar sentimentos de pertença e de interajuda entre os moradores e reforçar redes de suporte social são os principais objectivos do programa “Nosso Bairro, Nossa Cidade”, que tem como destinatários e também como protagonistas os moradores dos bairros da Bela Vista, Alameda das Palmeiras, Forte da Bela Vista, Quinta de Santo António e Manteigadas.

 

Amália Arneiro, da Quinta de Santo António, começou por formar um grupo que fazia costura, comer, e ajudava as crianças a ler e a escrever. Hoje, destaca a importância da colónia de férias para os mais jovens e de todas as actividades que abrangem também os adultos e afirma: “Podemos até ter poucos mas os que temos são bons”.

 

Na Alameda das Palmeiras, “A casinha” é o sítio onde moradores se reúnem para desenvolver as mais diversas actividades e debater as ideias que em grupo vão trabalhando.

Manuel de Andrade Júnior, morador neste bairro, conta que “lá se fazem vários convívios, reuniões e até a vontade de ter um espaço maior. Estamos, com força e coragem, a tentar desenvolver mais o nosso bairro e a ver se chegamos mais longe”.

Entre as valências deste espaço, destaca-se a medição da tensão arterial, resultado de formação dada pelo ACES Arrábida, parceiro do programa, aos moradores para que estes possam por si realizar a medição da tensão arterial. “Formámos um grupo e temos todo o material necessário. Há até pessoas que não se podem deslocar ao nosso espaço e nesses casos os nossos voluntários deslocam-se até casa das pessoas”, explica. Em breve, esta valência chegará também às Manteigadas e à Quinta de Santo António.

 

 

“Muitos setubalense não conhecem estes bairros”

 

Estela Costa vive na Bela Vista e é uma das responsáveis pelo grupo “Mudar o Olhar” e explica a importância de mudar o olhar da cidade perante a própria cidade: “Muitos setubalenses não conhecem a parte cá de cima por medo da Bela Vista. Formámos este grupo para mostrar que aqui há pessoas boas como em todo o lado e gostamos de ser tratados com respeito como tratamos os outros”. Também Eduarda Fernandes mora na Bela Vista há 34 anos e recorda os prédios “degradados” antes de começar este projecto municipal que, na sua opinião, “tem sido muito bom, começou com força, com algumas pessoas, e depois foi agarrando outras”.

Eduarda destaca o facto de já se terem fechado os prédios, de já existir luz no bairro, sem esquecer o arranjo das escadas que ainda está em marcha e o apoio que têm por parte da Junta de Freguesia de São Sebastião, que consideram ser um “verdadeiro pilar”.

Domingas Rocha, por sua vez, também é moradora da Bela Vista mas divide-se entre os cinco bairros. Participa nas Férias do Bairro, no apoio ao estudo, no que for preciso. “Vou a todos os bairros se precisarem de mim. Há até quem brinque e diga que a Domingas está em todas”, partilha.

 

 

 

No Espaço Bela Vista, entre as actividades promovidas por grupo de moradores, gratuitas, estão a Ginástica, os Trabalhos Manuais e Artesanato, Grupos de Dança, Oficina de Audiovisuais, e mais recentemente o Estudo Acompanhado. “Começou o ano passado na Alameda das Palmeiras mas este ano conseguimos implementar também aqui no Espaço da Bela vista e no Espaço da Quinta, com os moradores a trabalhar em parceria com o IPS, a Escola Secundária du Bocage e a Associação Querer Mais, tudo em regime de voluntariado”, explica Sara Gonçalves, técnica municipal.

Este projecto está desta forma a permitir que cerca de trinta crianças do primeiro ciclo estejam a receber apoio ao estudo de forma gratuita e pretende chegar também às Manteigadas: “estamos neste momento a tentar reunir mais voluntários para conseguir dar essa resposta” explica. Este espaço da Bela Vista situa-se na Bela Vista mas é de todos, como aliás todos os frutos deste projecto. Quem o diz é Teresa Martinho, moradora do Forte, e uma das pioneiras deste movimento de requalificação. “Na altura, em 2012, houve uma reunião com os moradores, na qual estiveram cerca de seis pessoas. O objectivo era remodelarmos o bairro que, segundo palavras da nossa presidente, estava esquecido. E eu gosto muito dessas palavras dela.

 

 

“O Forte da bela Vista vivia há 30 anos sem uma lâmpada na rua”

 

O Forte da Bela Vista era realmente um bairro esquecido”, recorda. “Já se falava em demolir, falava-se em tanta coisa e a nossa presidente decidiu fazer uma reunião e entregar o bairro aos moradores. Os moradores que estavam lá aceitaram o desafio e decidimos que íamos mudar o bairro. Não caiu muito bem a todos na altura, lembro-me bem, mas depois até quem estava contra acabou por se juntar também, foi uma coisa muito gira”, acrescenta. Fazendo o balanço, Teresa diz que hoje todos se conhecem e o bairro está completamente diferente: “há 30 anos que o bairro existia e não tinha uma única lâmpada na rua. Agora tem. E isto foi a melhor coisa que aconteceu no bairro até hoje porque nos unimos e em conjunto trabalhamos para o bairro”. Para além do passado e do presente, é também o futuro que marca presença no discurso dos moradores. “Tenho filhas, estou a ter netos e eu quero que os meus netos daqui a uns anos se sintam bem no bairro onde vivem. Estamos a chegar ao quinto encontro de moradores e cada ano cada morador propõe o que quer mudar no seu bairro. Não é a Câmara que diz. Somos nós e sempre considerei que é melhor lutarmos por aquilo que é melhor para nós do que esperar que alguém o faça por nós”, refere.

 

Sendo os protagonistas do programa, os moradores, organizados em vários grupos, participam assim nas decisões, nas tarefas e nas acções, numa lógica de formação de lideranças e de mobilização popular para a causa comum: o bem de todos os bairros, de todas as pessoas, alcançado pelo trabalho conjunto de moradores, técnicos municipais e entidades parceiras. “Tem sido um projecto muito positivo, no qual estou desde o início, e fomos nós moradores que nos unimos para conseguir as coisas. Temos de tomar conta do que é nosso. É o nosso bairro, a nossa rua, a nossa cara. Somos nós que aqui estamos”, diz Carla Brito, moradora da Alameda das Palmeiras.

Eugénio Gomes mora no Forte da Bela Vista há 35 anos. “Conheço aquele bairro como conheço a camisa que hoje visto”, garante. “Ajudo em tudo o que posso e sou capaz de ir onde for preciso para ajudar, e não apenas o meu bairro. Todos os bairros”.

 

Pelos resultados alcançados desde 2012, o “Nosso Bairro, Nossa Cidade” foi distinguido com o Prémio de Boas Práticas no concurso da Associação Internacional das Cidades Educadoras, em Julho de 2018, e é, hoje, uma referência nacional e internacional, servindo de caso de estudo em vários locais.

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