Covid-19 pode estar a abrandar no distrito, mas clínicos não avançam previsões

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Fotografia: ALEX GASPAR

Depois de dois dias a registar 571 pessoas infectadas houve um aumento de 24 casos. Almada e Seixal continuam no topo da lista

O número de pessoas infectadas com Covid-19 deu mostras de estabilizar durante esta semana. Segundo os dados diários publicados pela Direcção-Geral da Saúde (DGS), sempre reportados ao dia anterior, os treze concelhos do distrito de Setúbal, a 14 de Abril, somavam 571 pessoas infectadas, e o mesmo número foi apresentado no dia seguinte, embora com pequenas oscilações entre concelhos.

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No entanto, os dados publicados pela DGS ontem, já indicavam 595 pessoas infectadas. O do caso do concelho de Almada, que tem vindo sempre a liderar esta lista, seguido do Seixal, registava 149 infectados. Porém, a 15 de Abril, apresentava 145 pessoas nesta condição, enquanto no dia anterior era 148. Esta variação aconteceu também no concelho do Montijo e Sesimbra onde parece terem ‘desaparecido’ infectados, neste caso um doente entre terça e quarta-feira, em cada um dos concelhos. Ontem os dados já registam estes infectados.


São oscilações que têm levantado interrogações mas, pelo que diz o infecciologista e coordenador da Comissão de Contingência do Hospital de São Bernardo, em Setúbal, “pode existir um desfasamento de tempo entre um caso entrar para as estatísticas e o resultado dos testes, que pode demorar entre 24 horas ou 96 horas”. Clarifica José Poças “que entre a muito mínima suspeição clínica e um resultado de testes pode haver desfasamento”. Portanto, nem todo o pedido de análises corresponde a um resultado positivo.

Com isto, o clínico afirma que “não se pode fazer uma interpretação rigorosa com base em dados publicados num espaço entre poucos dias”.

Contudo, na observação da evolução do número de casos ao fim de um mês, desde que surgiram os primeiros casos, “parece existir um aplanamento da curva do número de casos”, mas “de repente, as coisas podem mudar”. Terá sido o que aconteceu no distrito com um aumento de 24 casos depois de dois dias sem alteração.

Região de Setúbal tem sido das menos afectadas

“Uma coisa é a esperança, outra é a realidade”, aponta o clínico José Poças que mesmo assim acredita que o número de casos em concelhos como Setúbal possam começar a diminuir, “mas não podem existir certezas”, é que sobre a evolução desta pandemia, por enquanto, o comentário só pode ser “sim, não, talvez”.

O que se tem observado é que a região de Setúbal tem sido das “menos afectadas do país”. No caso do concelho de Setúbal, tem a vantagem de não ser periférico a uma grande cidade como Lisboa, o que não acontece com os concelhos do Arco Ribeirinho do Tejo com maior intersecção com Lisboa. É que se verifica com Almada e os seus 148 caso de infecção, o Seixal com 134 e o Barreiro (dados da DGS de ontem). Com menos situações surgem Moita, (56) Montijo (40) e Alcochete (11).

Mesmo apesar da distância da capital, Setúbal regista 60 pessoas infectadas, o que poderá estar relacionado com o movimento pendular casa-trabalho em transportes públicos. “Neste tipo de situação, os transportes públicos são bastante inconvenientes”, considera José Poças.

Seja como for, Setúbal tem menos de metade dos casos verificados em Almada, o que para o director clínico do Hospital da Luz Setúbal, José Ferreira Santos, poderá ser por o concelho “estar mais próximo do modo de estar do Alentejo, do que de Lisboa”. Portanto, “organizado a nível local e com menos movimentação próxima a uma metrópole. Uma postura que será essencial manter, assim como cumprir o isolamento”.

Acrescenta o clínico que, a nível da região, “estamos num planalto da Covid-19” e, portanto, tal como diz José Poças, “ainda não sabemos o que vai acontecer no dia seguinte; não se pode fazer previsões”.

Previsões sobre um possível aplanamento também não são contas a fazer por José Luís Bucho, coordenador do Serviço Municipal de Protecção Civil e Bombeiros. “É muito cedo tirar conclusões”. Considera apenas que Setúbal “respondeu bem a esta situação epidémica e de forma rápida, através do Plano de Contingência da Câmara Municipal”, e prova disso é que “nenhum funcionário da autarquia está infectado”.

E tal como os dois clínicos, também José Luís Bucho afirma que “é importante que a população continue a evitar sair de casa”.

Com Ana Martins Ventura

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