Albérico Afonso: “O livro d’O Setubalense vai ser um marco para a historiografia”

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Albérico Afonso Costa coordena a equipa de historiadores que elaborou o livro que o jornal vai publicar em Julho, nas comemorações do 165.º aniversário

 

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Albérico Afonso Costa, historiador doutorado em História Cultural e das Mentalidades Contemporâneas, é o coordenador da equipa de investigadores que elaborou o livro comemorativo de O SETUBALENSE, intitulado “Setúbal no centro do mundo”. A proposta, recebida “como um desafio que não poderia nunca recusar”, foi encarada com “grande entusiasmo pelo facto de O SETUBALENSE ser um dos jornais mais importantes e dos mais ricos repositórios da memória colectiva da comunidade de Setúbal”, disse Albérico Afonso Costa

“A história contemporânea não pode fazer-se sem ter em conta este jornal que tem uma continuidade na cidade de Setúbal ao longo de mais de século e meio e é uma das mais importantes publicações da imprensa portuguesa”, sublinha. Para o professor, esta obra, criada com o intuito de celebrar os 165 anos do jornal mais antigo de Portugal Continental, “representa um complemento importante na actividade de investigação pessoal” e “um trabalho global excelente que apenas foi possível porque colaboraram para a sua construção 20 investigadores reconhecidos não apenas na academia, mas também a nível local por investigações por si realizadas, com preferência para temas relacionados com Setúbal”. A selecção dos historiadores acabou por se demonstrar fácil por já conhecer “o seu trabalho e a qualidade dos seus estudos”.

Desta forma, “todos colaboraram ao longo dos últimos seis meses para a construção da obra”, que vai contar com “400 páginas divididas por seis capítulos”. Com o livro concluído, Albérico Afonso Costa afirma que “coordenar um projecto com 20 pessoas nunca é simples pois requer sempre muito trabalho”, mas considera que “a experiência foi muito compensadora pois é abordado, com uma perspectiva actualizada, um conjunto muito vasto de temas da história da cidade e da sua região”. No final, “todos os conhecimentos que pretendia transmitir concretizaram-se e todos os colaboradores ficaram satisfeitos com o resultado do seu contributo”.

A estrutura, por si decidida, “foi apresentada numa reunião com a direcção de O SETUBALENSE e com todos os colaboradores, na qual aceitaram as ideias com entusiasmo”. Contudo, ao longo de todo o processo “houve sempre uma abertura para sugestões e espaço para temas que foram aparecendo e que não estavam previstos inicialmente”, ideias essas vistas como “uma riqueza suplementar importante”.
No primeiro capítulo, encontram- -se “um prefácio do professor Viriato Soromenho-Marques, uma declaração do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa e uma introdução redigida pelo director do jornal, Francisco Alves Rito, assim como diversas entradas sobre as genes ecológicas em Setúbal e artigos sobre a sua história e quais os objetivos da sua publicação”.

O capítulo seguinte “expõe os temas locais, no qual foram seleccionadas notícias sobre grandes acontecimentos ocorridos na cidade, como por exemplo o atentado ao director de O SETUBALENSE no seu primeiro ano de existência ou a sua suspensão”. No terceiro capítulo, “designado de figuras históricas setubalenses, constam 40 biografias de pessoas já falecidas que se distinguiram nas mais diversas áreas de intervenção humana”. Para o coordenador este capítulo “foi dos mais difíceis de produzir porque poderiam ter sido colocadas mais figuras importantes”. “A selecção foi feita por mim e o critério integra diferentes elementos da história da cidade e da história contemporânea”, adianta.

Em seguida, no capítulo quatro, são apresentadas “páginas culturais, escolhidas consoante a sua importância e tendo em conta o tempo disponível para a pesquisa”. Os temas nacionais e internacionais estão expostos no quinto capítulo, no qual “são apresentadas 30 temáticas distintas”. Por último, no sexto capítulo, estão “nomeadas vivências do quotidiano, com histórias insólitas e anúncios diferentes publicados pelo jornal”.

No total, para a sua construção “cada autor analisou muitas centenas de jornais pois para este livro cada entrada não corresponde a um mas sim a dezenas deles”. Além disto, “foram muitos os documentos averiguados”, assim como foi necessário basear a pesquisa em fontes primárias “como, evidentemente, O SETUBALENSE, que demonstrou ser um recurso bastante valioso”.

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