DGS esclarece que já pode haver velórios e pede colaboração de autarquias e concessionários

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Fotografia de Alex Gaspar

Graça Freitas promete novas orientações para conciliar “dignidade” na hora da morte com prevenção da transmissão

 

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A directora-geral da Saúde, Graça Freitas, informou ontem o País, em resposta a pergunta feita por O SETUBALENSE, na conferência de imprensa diária sobre a Covid-19, que os velórios podem ser retomados, e defendeu que a gestão deverá ser feita a nível local “pelas entidades que detêm as concessões e gestão de crematório e cemitérios”.

Estas indicações serão incluídas em orientações especificas sobre óbitos que a DGS vai publicar com base em “dois princípios”.

Será tida em conta “a dignidade na hora da morte, as famílias e amigos têm direito a fazer o seu luto e que as cerimónias fúnebres sejam respeitadas” e a conciliação deste direito “com o risco de transmissão” da Covid-19.

Segundo Graça Freitas devem ser “as entidades gestoras dos cemitérios e crematórios a tomar as decisões sobre o número máximo de pessoas”, garantindo o princípio de “respeitar a presença dos familiares nas cerimónias fúnebres”, sendo que “a gestão da situação cabe também às autarquias, nos espaços da sua responsabilidade”.
Recorde-se que, perante a falta de orientações especificas, a maioria das agências funerárias de Setúbal recusa, por enquanto, fazer velórios.

As funerárias Costa, Santos e Filho, Central Setubalense e Funerária Sado, confirmaram ao jornal que não iam avançar sem normas das autoridades de saúde ou comunicação oficial por parte da diocese de setúbal ou das paróquias de que estão reunidas as condições de saúde pública necessárias.

“Há cadeias de transmissão mas não se confirmam activas”

Na conferência de imprensa de ontem, Graça Freitas confirmou que os 42 infectados das fábricas Raporal, Montalva e Carmonti, do Montijo, foram contabilizados como casos nos concelhos do Barreiro, Moita, Alcochete, Setúbal e Montijo, conforme a residência dos trabalhadores. E “nos últimos dias também surgiram dados positivos na base dos laboratórios, com 5 casos identificados no Montijo, 3 na Moita e 3 no Barreiro”, afirmou.
Dados que levam a directora-geral da Saúde a confirmar que “há cadeias de transmissão identificadas, mas não quer dizer que as mesmas estejam activas, isto porque os contactos das pessoas que foram testadas, e são próximos, estão neste momento em isolamento domiciliário sendo possível que as cadeias de transmissão tenham sido interrompidas”.

No entanto, Graça Freitas alerta que “ainda é cedo” para tirar conclusões e será necessário “esperar os 14 dias do período de incubação” para garantir que as cadeias de contágio foram interrompidas.

De acordo com os dados divulgados pela Direcção-Geral da Saúde, o distrito de Setúbal registava ontem 999 pessoas infectadas por Covid-19, mais 26 do que no dia anterior.
O Seixal, com 210 infectados, foi o concelho que registou a maior subida (+11). Em Almada o total subiu para 282 (+4), no Barreiro 147 (+3), Moita 103 (+2), Montijo 94 (+3), Setúbal 69 (+1), Sesimbra 23, Palmela 20, Alcochete 20 (+2), Santiago do Cacém 16, Grândola 10 e Alcácer do Sal conta 5. Sines voltou a não estar descrito nas informações da DGS.

História: O SETUBALENSE foi primeiro regional

O SETUBALENSE foi, ontem, o primeiro órgão de comunicação regional a participar nas conferências de imprensa promovidas diariamente pela DGS, sobre o ponto de situação nacional do combate e prevenção à Covid-19.

Um momento que António Sales, secretário de Estado da Saúde, destacou “como bom exemplo da expressão da imprensa regional”, deixando a porta aberta para mais participações neste espaço de informação diária. Uma conquista do jornal, numa luta pelo acesso à informação que teve o apoio do sindicato dos jornalistas.

Ana Martins Ventura
Maria Carolina Coelho

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