Paulo Ribeiro ganha distrital do PSD contra deputados de Rui Rio

62
visualizações

Divisão por sanar. Bruno Vitorino fala em “derrota estrondosa da coligação negativa e de interesses”. Polémica rebenta no Barreiro

 

- Pub -

Paulo Ribeiro é o novo presidente da Comissão Política Distrital de Setúbal do PSD, depois da vitória sobre Pedro Tomás, na última sexta-feira, por uma diferença de 145 votos. Ganhou a lista da corrente de Bruno Vitorino – ex-presidente do órgão, agora eleito na lista de Ribeiro para a presidência da Mesa da Assembleia Distrital – perante a lista representativa dos apoiantes de Rui Rio, da corrente de Nuno Carvalho.

A candidatura de Paulo Ribeiro venceu em oito dos 13 concelhos – Almada, Barreiro, Grândola, Moita, Montijo, Palmela, Santiago do Cacém e Sesimbra – com um total de 591 votos. Já Pedro Tomás triunfou em Alcácer do Sal, Alcochete, Seixal, Setúbal e Sines, totalizando 446 votos.

No final, Bruno Vitorino mostrou-se corrosivo em relação à candidatura opositora. “Foi uma derrota estrondosa da coligação negativa e de interesses. Foi a derrota dos actuais deputados Nuno Carvalho, Fernando Negrão e Fernanda Velez, dos ex-presidentes da distrital, como Lucília Ferra e Luís Rodrigues. Prova que as pessoas rejeitam coligações negativas”, considerou o social-democrata, deixando à evidência que o machado de guerra entre as duas correntes ainda não foi enterrado.

Do lado da candidatura de Pedro Tomás, fonte que prefere não se identificar admitiu que “foi uma vitória contra a direcção nacional, contra os deputados”. “Os militantes reconheceram claramente o trabalho de Bruno Vitorino. Paulo Ribeiro perdeu em Setúbal e Seixal, mas isso não impede que todas as secções respeitem as decisões da nova comissão política e as suas escolhas futuras”, acrescentou a mesma fonte, reforçando que a nova comissão política “tem legitimidade para fazer as suas escolhas nas autárquicas” que se realizam já em 2021.

Já Paulo Ribeiro lembrou não ser defensor da unanimidade, mas sim da unidade na acção. “Tudo farei para que o PSD se apresente aos eleitores como um partido unido, com u8ma mensagem política clara, que transmita confiança e uma alternativa forte a esta esquerda que nos governa. Para isso conto com todos os que estejam disponíveis”, vincou.

Porém Pedro Tomás lembra que é preciso mais do que palavras para se alcançar unidade. “Não basta vir dizer que se quer união e depois fazerem de nós alvos de ataques constantes. É triste e não é o caminho que o partido precisa. As eleições acabaram. Devíamos estar unidos e não a dividir o partido, a torná-lo enfraquecido”, lamentou.

SMS falso agrava divergências

O processo eleitoral de sexta-feira ficou marcado pela polémica de uma SMS falsa, enviada nesse mesmo dia a militantes do Barreiro, dando conta de um surto pandémico na Misericórdia local e apelando a que todos ficassem em casa. A mensagem, que tinha no remetente a sigla DGS, mencionava: “Alerta Covid-19. Surto pandémico na Santa Casa da Misericórdia do Barreiro. Perigo de contágio. Situação de Estado de Emergência. Por favor fique em casa.” A situação acabou por motivar um desmentido público da Santa Casa, que participou o caso às autoridades para avançar judicialmente.
Tal como Tiago Sousa Santos, presidente da JSD Distrital, Bruno Vitorino estabelece uma relação entre o caso e as eleições. Vitorino deixa implícito que a mensagem terá partido de alguém ligado à candidatura de Pedro Tomás.

É que a SMS apelava a que todos ficassem em casa e logo na concelhia onde viria a registar-se maior número de votantes no distrito e maior diferença a favor de Paulo Ribeiro – 209 votos, contra apenas cinco de Pedro Tomás – desequilibrando definitivamente os pratos da balança. “Este não é um caso de política, mas sim de polícia. Percebe-se quem serve. É tão baixo e inacreditável como inaceitável. Nunca vi nada assim em 30 anos de PSD. Apresentaremos esta semana queixa às entidades competentes”, atirou, explicando a suspeita: “Aparentemente [a SMS] foi só enviada para militantes. Ligámos à provedora e também para a DGS. É tudo falso e mais ninguém de fora do PSD terá recebido [a mensagem].”
Paulo Ribeiro está ao lado de Bruno Vitorino. “É uma questão de polícia. Será feita participação criminal, confiando na justiça para que sejam responsabilizados os autores materiais e morais deste crime”, disse.

Mas do lado oposto, Pedro Tomás devolve as suspeições. “Espero que se chegue ao fundo da questão. Não sei se a SMS veio do PSD, se veio da lista A [de Paulo Ribeiro e Bruno Vitorino], para criar inimigos que não existem. Estou plenamente convencido de que não partiu da nossa candidatura e se beneficiou alguém foi a lista A, criando inimigos que não existem”, disparou.

O caso fica agora entregue às autoridades.

Fernando Monteiro sucede a Nuno Carvalho e aponta objectivos

Em simultâneo com o sufrágio para a distrital decorreram eleições para seis concelhias laranjas. Fernando Monteiro foi eleito para a presidência da Comissão Política da Secção de Setúbal com 129 votos entre um total de 165 votantes, registando-se ainda 28 votos em branco e oito nulos. Sucede assim no cargo a Nuno Carvalho, vereador na Câmara de Setúbal e deputado do PSD à Assembleia da República.

“Foi um excelente resultado, numa votação que, apesar de contar apenas com uma única lista, decorreu com grande sentido de militância”, analisou o novo líder da secção da capital do distrito, adiantando: “Agora é preparar o futuro, construir uma alternativa para Setúbal e contarmos com todos.” O foco está já nas autárquicas. “Um bom resultado será aumentar o número de mandatos mas o objectivo do PSD ganhar a Câmara de Setúbal”, avançou.

Foram ainda eleitos: Nuno Matias (Almada), Luís Murtilhas (Barreiro), Luís Nascimento (Moita), João Afonso (Montijo) e Roberto Cortegano (Palmela).

Mário Rui Sobral
Francisco Alves Rito

Comentários

- Pub -