“Cidade do Conhecimento” avança com definição de Plano Estratégico

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Começou a ser delineado o Plano Estratégico da “Cidade do Conhecimento”, no qual as acessibilidades, os portos e o novo aeroporto são descritos como fundamentais

 

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O Conselho Consultivo da “Cidade do Conhecimento” reuniu na Câmara de Setúbal para dar início à definição do Plano Estratégico (PECC) do projecto que será construído no Vale da Rosa onde, no início dos anos 2000, esteve projectada a “Nova Setúbal”. A primeira fase do PECC está a ser dedicada à recolha de contributos para o desenho do projecto e áreas científicas, tecnológicas e culturais que deve incluir, com o investidor Sam Pitroda a reafirmar o ideal de “terminar o projecto dentro da meta prevista: três anos”.

Algo que espera conseguir com os contributos de todos os parceiros do conselho consultivo, entre os quais se incluem a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS), Administração do Porto de Lisboa (APL) e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDRLVT).

A partir do seu escritório em Chicago, o mecenas que dedica parte da sua actividade ao financiamento e desenvolvimento de projectos de tecnologia de ponta, “agradeceu o apoio político da Câmara de Setúbal que recebeu este projecto “de braços abertos”, reconhecendo a sua importância “para a economia e desenvolvimento, assim como para o futuro da qualidade de vida das populações”.

Uma “vontade política”, sem a qual Sam Pitroda afirma que “nunca seria possível levar a bom termo esta nova cidade”. O investidor destacou ainda o país e a região “pelo tempo ameno, cultura, talento e boas infraestruturas de base disponíveis, propícias ao salto de desenvolvimento”, que ambiciona trazer para a região.

Gustavo Miedzir, presidente do Pitroda Group Portugal, destacou também o facto de uma ideia como a “Cidade do Conhecimento apenas ser possível concretizar com pensamento crítico colocado à disposição do futuro possível”. E referiu a força de “vários factores, para chegar ao momento ideal”. Salientando desta forma o contexto que Portugal vive, com a perspectiva de um novo aeroporto e novas acessibilidades associadas.

A presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira, também espera que as reuniões do conselho consultivo permitam “angariar um conjunto de ideias a partir das quais será desenhado o projecto, que visa criar um ambiente propicio à inovação e à troca de conhecimento”.

Quanto à adesão imediata ao projecto, Dores Meira esclareceu que “o conceito da “Cidade do Conhecimento” enquadra-se perfeitamente no Plano Estratégico de Desenvolvimento Setúbal 2026 (PEDS) e na razão do novo Plano Director Municipal (PDM), actualmente em fase de discussão pública”.

De acordo com a autarca, no PEDS ficou clara a necessidade de um “desenvolvimento, inteligente, sustentável e inclusivo de Setúbal”, com base em investimento externo, “que marque a diferença quer a nível regional como nacional”.

Já a visão estratégica do novo PDM tem como ambição atribuir a Setúbal forte influência do desenvolvimento da actividade portuária, industrial e logístico, assim como do turismo.
Sérgio Barroso, coordenador da equipa do Centro de Estudos de Desenvolvimento Regional e Urbano (CEDRU) apresentou a primeira fase do Plano Estratégico com uma abordagem de “respeito por Setúbal e todos aqueles que aqui vivem”. E salientou que “se Portugal fosse o melhor lugar do mundo para investir não estávamos na cauda da Europa, nem eramos umas das regiões capitais com pior desempenho económico nos últimos 20 anos”.

Apesar de “termos valor e competências, precisamos fazer muito mais” e “assumir este projecto com transparência”, sabendo tirar desta nova cidade “o melhor que nos puder dar”, defendeu Sérgio Barroso. Até mesmo porque, recorda, “a região de Lisboa não recebe um projecto desta envergadura há mais de 20 anos”.

E a razão pela qual isso não aconteceu é, no seu parecer “a falta de massa crítica e de capital para sustentar essa visão global”. Motivo pelo qual, a primeira fase do Plano Estratégico será dar força promocional ao projecto, a nível internacional. “Sem essa promoção o projecto não será exequível”.

Em segundo lugar virá a viabilidade da cidade de Setúbal e da Área Metropolitana de Lisboa como território ideal.

“Para tal é essencial ter cidade, região e país a trabalhar em conjunto”, concretizando as infraestruturas necessárias, tais como “um novo aeroporto em Alcochete e perceber, nos próximos 15 a 20 anos, quais serão as áreas científicas de ponta, que interessam a esta nova cidade”.

APSS quer reforçar ligação portuária a formação académica e investigação científica

Durante a reunião, Lídia Sequeira, presidente do conselho de administração da APSS, reafirmou a importância de assumir as áreas portuárias enquanto elementos potenciadores da criação de start up’s associadas à energia e robótica.

“Para tal Setúbal tem essa frente marítima, esse grande estaleiro naval, que reúne mais condições do que outras cidades portuárias da Europa”, aponta.

Uma possibilidade sobre a qual Lídia Sequeira tem a certeza, “deve ser elencada com estudo e criação nestas áreas, com o desenvolvimento da investigação nas engenharias”, pois esses são os portos do futuro”, concluiu.

Sonho da nova cidade foi assinado em Dezembro

O PECC – Plano Estratégico da “Cidade do Conhecimento” surge depois da assinatura do protocolo de colaboração entre a Câmara de Setúbal e The Pitroda Group em Dezembro de 2019.

Sustentabilidade é desde o início a palavra chave deste projecto que, por essa via, se destaca face à “Nova Setúbal”, que deveria ocupar o mesmo lugar no Vale da Rosa, mas apenas com habitação e um novo estádio para o Vitória Futebol Clube.

“Esse projecto deixaria aquela zona como um dormitório, distante de acessos e sem mais-valias para a sua rentabilização”, explicou em Dezembro o arquitecto Fernando Travassos, que está a trabalhar com o executivo da Câmar de Setúbal o The Pitroda Group, no desenvolvimento deste projecto.

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