Socorros Mútuos garante acesso igual à saúde e quebra barreiras da solidão na idade maior

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Fernando Paulino, presidente da Associação de Socorros Mútuos Setubalense, alerta para impacto da Covid-19 nas colectividades

Associação nasceu a partir da união de trabalhadores na luta por mais saúde. Missão que defende até hoje

 

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Aos 132 anos a Associação de Socorros Mútuos Setubalense (ASMS) mantém a sua missão de levar mais saúde à população de Setúbal, especialmente à comunidade sénior que, no centro da baixa de Setúbal, encontra “a sua casa”, lugar onde “acaba a solidão” e podem ter acesso aos “melhores cuidados de saúde”, afirma Fernando Paulino, presidente da direcção.

A missão da ASMS foi assumida numa época em que não existia Serviço Nacional de Saúde “e as associações mutualistas, de certa forma, deram os primeiros paços para um modelo de saúde pública acessível a todos, antes de existir Estado de Providência”.
Fundada a 15 de Julho de 1888, a Associação dos Socorros Mútuos Setubalense nasceu da união de pescadores, pedreiros, carpinteiros, pintores que se uniam em apoio mútuo, não raras vezes, entre vizinhos, para se ajudarem quando alguma família enfrentava uma situação de doença ou precisa de ajuda, num momento de luto, num tempo em muitas pessoas não tinham meios para pagar um funeral.

Pedreiros, carpinteiros, pintores e pescadores criaram a Associação de Socorros Mútuos Setubalense para entreajuda na assistência à saúde. Na fotografia, o grupo de trabalhadores que integrou a construção do Tunel de Palhais, em 1923.

“Dificuldades que ainda persistem, mas não apenas em Setúbal, em todo o país, no acesso condigno à saúde, no viver a idade maior com dignidade e no momento de partir”, afirma Fernando Paulino, que leva mais de 25 anos de trabalho na associação.
Actualmente, para além do centro de dia, onde acompanha centenas de idosos com alimentação, vestuário e medicação, a assistência na saúde continua a ser uma das garantias máximas da ASMS.

A sua clínica passou por uma grande remodelação em 2018. “O que também permitiu acolher com mais qualidade novos serviços de fisioterapia”, destaca Fernando Paulino. E hoje, tem consultas a baixo custo em 17 especialidades médicas, nas áreas de cirurgia geral, obstetrícia, medicina dentária e próteses dentárias, ortopedia, neuropsicologia, psiquiatria, otorrinolaringologia, oftalmologia, cardiologia, reumatologia, ginecologia, urologia, gastroenterologia, alergologia, fisiatria, neurologia e planeamento familiar.

 

Pandemia trouxe urgência maior para sustentabilidade financeira

 

Mas, em tempo de pandemia, com “o dobro da despesa e os mesmos recursos”, Fernando Paulino, presidente da direcção da ASMS, reflecte sobre “um futuro preocupante”. O próximo semestre será mesmo “um grande desafio de sobrevivência financeira”. Não só para a Socorros Mútuos, como para outras instituições do concelho e do distrito.

Hoje, a ASMS continua a apostar no acesso a cuidados de saúde para todos, mas adicionou à sua missão o apoio à terceira idade em centro de dia e, agora devido à Covid-19, um grande reforço no apoio domiciliário que chega a mais de 100 utentes, “para que nenhum sénior fique em isolamento sem acompanhamento”.

Papel que, tanto a Socorros Mútuos Setubalense, como as outras associações mutualistas do país assumem “desde o tempo em que não existia Estado de Providência Social para dar respostas de saúde e acompanhamento social às populações”, explica Fernando Paulino.

Um papel percursor face ao que hoje é o Serviço Nacional de Saúde e a Segurança Social e que poderá estar em risco “se os apoios financeiros não forem requalificados”.
A Covid-19 trouxe um esforço redobrado de equipas e necessidade de mais equipamentos.

Máscaras, batas, luvas, medicamentos, alimentos, roupa e equipamentos domésticos “vão ser necessários em maior quantidade, para responder a todos os desafios que a Covid-19 trará”.

Aliás, desde que a Covid-19 chegou ao concelho a ASMS já gastou “muitos milhares de euros só em Equipamentos de Protecção Individual, num mercado que pratica preços livres e no qual as instituições estão a comprar sem regulamentação que impeça a prática destes preços”. Situação sobre a qual Fernando Paulino reafirma: “é preciso rever isso com urgência”.

 

A casa de todos onde acaba a solidão

 

Apesar dos desafios, o dirigente garante que a ASMS é uma “instituição aberta, inserida na zona histórica da cidade e não volta costas a ninguém”. Com uma equipa médica, 40 funcionários a tempo inteiro e uma bolsa de voluntários dedicados a levar ajuda aos mais 3 500 associados, assim como “a todas as pessoas que procurem a ASMS em um momento difícil das suas vidas”.

Na Associação de Socorros Mútuos Setubalense a comunidade “encontra a sua casa”, lugar onde “acaba a solidão”, afirma Fernando Paulino, que leva mais de 25 anos de trabalho na associação.

Mas, as últimas décadas, foram o tempo das grandes mudanças, que permitiram manter este apoio constante até hoje.

A Associação de Socorros Mútuos Setubalense passou por grande mudança em Julho de 1996, quando inaugurou o Centro de Dia. Ao qual se seguiu, em 1997, o início do Serviço de Apoio Domiciliário. “Apoio através do qual a população com carências económicas encontra o apoio necessário para aceder ao Rendimento Social de Inserção e cuidados continuados, através de equipas interinstitucionais.

Um trabalho de rede social que se consolidou em 2010 com a criação da Loja Amiga, para recolha e distribuição de bens usados. E, em 2011, na sequência do Programa de Emergência Alimentar foi criada a Cantina Social, para distribuição diária de refeições.

 

B.I.
Nome: Associação de Socorros Mútuos Setubalense
Localidade: Setúbal
Data de fundação: 15 de Julho de 1888, 132 anos
Principais actividades: Cuidados de saúde, apoio social
Actual presidente: Fernando Paulino

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