1 Dezembro 2020, Terça-feira
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Regresso às aulas é preciso mas preocupações são muitas entre pais e professores

A falta de pessoal docente e salas demasiado pequenas estão nas primeiras preocupações do regresso ao ensino presencial

 

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As escolas já estão a funcionar mas, na comunidade escolar, ainda há muitas dúvidas e receios sobre como lidar com a actual nova normalidade. Nas escolas do distrito a falta de pessoal docente e de assistentes operacionais estão na primeira linha das preocupações que passam pelo distanciamento social dentro e fora da escola até, inclusivamente, como será feito o fornecimento de refeições. Mas as aulas presenciais são tidas como fundamentais.

Ontem foi o último dia do período dado pelo Ministério da Educação – de 14 a 17 – para as escolas abrirem portas ao ano lectivo 2020/21, pelo que só durante a próxima semana haverá um conhecimento mais apurado sobre o que está, ou não, a correr bem. Mas há coisas que já se sabe serem quase impossíveis resolver, caso do distanciamento em sala de aula.

“Com turmas entre os 28 e os 30 alunos não é possível existir distanciamento social”, comenta José Feliciano Costa, professor no distrito de Setúbal e presidente do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL), o maior do sector. “Este é um problema que se coloca há muitos anos, mas agora é mais expressivo”, e acrescenta existirem muitas escolas onde os alunos não conseguem estar a 1,5 metros ou 2 metros de distância entre eles.

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Este é um dos indicadores de um inquérito que o SPGL enviou a todos os agrupamentos de escolas, e às fora de agrupamento, antes do início do ano lectivo, a nível nacional. No total são 811 agrupamentos, para além das não agrupadas, em que quase 50% dos directores já responderam ao sindicato, que vai começar a estratificar os dados. Mas uma primeira análise não é famosa.

Por exemplo, “84% das escolas” que já responderam, “afirmam não ter condições nas salas de aula para que as regras de distanciamento sejam respeitadas”. E destas, 52,5% referem que “nem um metro têm entre alunos”.

São dados que, segundo José Feliciano Costa, podem dar também uma ideia sobre a actual condição nos 74 agrupamentos do distrito de Setúbal, isto por ser um dos mais populosos, conjuntamente com os de Lisboa, Porto e Braga.

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Esta é também uma preocupação do presidente da Federação Regional de Setúbal das Associações de Pais – FERSAP. Diz Orlando Serrano que as escolas “estão a fazer o que podem”, só que o espaço que têm é o mesmo do ano passado, quando não havia pandemia. “As escolas têm de ser muito criativas para serem um lugar seguro”, mas só a partir da próxima semana haverá conclusões, ou seja, quando começarem de facto as aulas; até agora os alunos têm estado em fase de apresentação e adaptação às novas condições.

“Queremos que as aulas sejam presenciais. O problema não é nas salas, mas sim quando os alunos saem da escola e se juntam em grupo, muitas vezes sem máscaras”. Por isso Orlando Serrano defende que o ensino e consciencialização dos comportamentos sociais “não cabe apenas aos professores, mas também às famílias”.

Pais exigem que escola comunique mais

Mais ao nível de crítica às escolas, diz este responsável que a comunicação com os pais “tem de ser melhorada”, mais ainda quando estes não podem entrar na escola, e aponta o caso de estabelecimentos de ensino que tardaram a dar a conhecer os horários, e outras onde não se sabem como vão funcionar as refeições. “Actualmente, é ainda mais fundamental a comunicação, e com as novas tecnologias isso é possível”.

Outra das preocupações é sobre o funcionamento do ensino das crianças com necessidades educativas especiais, que foram das mais penalizadas com as aulas não presenciais. “O Ministério da Educação prometeu mais psicólogos ou professores, mas não sabemos se o concurso já abriu”.

Pela informação dos agrupamentos, a nível nacional, que já responderam ao inquérito da SPGL, “91%” queixam-se que o reforço, global, de docentes e assistentes operacionais não chegou. “43% refere que faltam 5 docentes, 35% aponta a falta de 5 a 10 docentes e 8% diz que faltam mais de 10 docente”, revela José Feliciano Costa.

Ora isto associado aos docentes que, entretanto, apresentaram baixa médica por serem de alto risco, mais aqueles que estão de quarentena, “temos um problema acrescido”. Um dos casos que o presidente do SPGL aponta é o de Santiago do Cacém onde, como o SETUBALENSE noticiou na quinta-feira, o director do Agrupamento de Escolas de Santiago do Cacém, Manuel Mourão, deu a saber que “o ano lectivo vai abrir de forma faseada porque estão professores em quarentena depois de um docente ter testado positivo à Covid-19”, pelo que indicou na quarta-feira, estavam 38 professores nesta condição.

Tal como o presidente da FERSAP, o dirigente do SPGL afirma que as escolas têm de continuar abertas, sendo aplicado todo um conjunto de precauções contra a evolução da pandemia, mas também diz que “perderam-se dois meses fundamentais para as escolas abrirem com mais segurança”, e afirma que o sindicato “tinha propostas para apresentar ao Ministério da Educação e à Direcção-Geral da Saúde, mas não tivemos interlocutor”. Na sua opinião isto foi “um erro”, porque “não estamos em tempos de ter entidades com comportamentos autistas”.

Setúbal abre concurso para fornecer escolas

A Câmara de Setúbal abrir concurso público para o serviço de fornecimento de refeições escolares nos anos lectivos 2020/21 e 2021/22. A proposta aprovada na última reunião pública, tem por valor base 2 milhões e 400 mil euros.

O objectivo é “garantir o fornecimento de refeições em todos os jardins de infância e escolas básicas públicas do 1.º ciclo do concelho”, competência que pertence actualmente às autarquias.

A proposta, que segue ainda para apreciação na Assembleia Municipal, especifica que os encargos se repartem em 2 712 euros para o ano de 2020, cabendo, a 2021, um investimento de 1 milhão 692 mil e 288 euros e, a 2022, o montante de 1 milhão e 17 mil euros.

 

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