26 Fevereiro 2021, Sexta-feira
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Convento de Jesus vai reabrir portas com uma nova escultura romana do século III

Obra vai permanecer exposta na sala V dos claustros e pode ser vista a partir de 10 de Outubro

 

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O Convento de Jesus, que se prepara para reabrir portas nos dias 10 e 11 de Outubro, vai passar a contar com a exposição de uma escultura romana do século III, doada à Câmara Municipal de Setúbal pela Fundação Buehler-Brockhaus. O novo tesouro, concebido com o tema “Cautopates”, “um dos dois guardas do deus Mitra”, já se encontra instalado no local e representa a última oferta de Hans-Peter e Marion Buehler-Brockhaus à autarquia antes de cessar funções no final do passado ano, refere o casal em comunicado.

A estátua de mármore, que vai permanecer “exposta na sala V dos claustros”, “pertencia à colecção de arte antiga de Ludwig Beumer de Wiebaden, natural da Alemanha”, tendo estado “desde 1940 na posse de seus avós paternos”. “Durante o bombardeamento à cidade na Segunda Guerra Mundial, a casa onde se encontrava incendiou-se, provocando marcas de queimadura na sua superfície”.

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O casal alemão radicado em Setúbal adquiriu a obra em 2018, também “pela relação que o deus Mitra tem com a cidade”. “Cautes e Cautopates pertencem ao culto de Mithras. São os dois torcheiros representados, ladeando o deus Mithras nas imagens romanas antigas mithraicas. Utilizam barretes frígios e geralmente são representados com pernas cruzadas”, esclarece Hans-Peter e Marion Buehler-Brockhaus.

O culto a Mitra começou “no século XIV antes de Cristo na Índia. Mais tarde, no Irão, converteu-se no representante divino das alianças masculinas. Desde o século I depois de Cristo (d.C.) foi considerado um deus salvador, ligado ao sol e adorado pelos legionários romanos”. “Os templos de culto começaram por surgir em cavernas naturais e mais tarde apareceram construções escuras e sem janelas, que se espalharam desde o século II d.C. em todo o Império Romano e se arrastaram pela Europa até à Inglaterra”.

De acordo com o mesmo documento, “encontram-se também em Troia, provavelmente sob a basílica paleocristã, e também na margem Norte do rio Sado, na Mitrena, que servia de ancoradouro para os navios romanos”.

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