1 Dezembro 2020, Terça-feira
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Empresários e economistas alertam que a região precisa de “decisões e políticas públicas fortes” para voltar a atrair empresas

Bastonário da Ordem dos Economistas e AISET recordam necessidade de separar Península de Setúbal da Área Metropolitana de Lisboa

 

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A urgente necessidade de uma decisão politica que separe a Peninsula de Setúbal da Área Metropolitana de Lisboa, para fins estatísticos e de acesso aos fundos comunitários, foi a ideia mais vincada defendida por empresários e economistas na conferência ‘Novos desafios para as empresas da região de Setúbal’, que teve lugar ontem, no Hotel do Sado, no âmbito do segundo ciclo do ‘Fórum PME Global’ promovido pela Ageas Seguros com a Ordem dos Economistas.

Rui Leão Martinho, Bastonário da Ordem dos Economistas defendeu que a região precisa de “decisões e políticas públicas fortes” como condição para recuperar a atractividade que teve nas décadas de 60 a 80 do século passado. “Grandes empresas como a Secil, The Navigator Company ou a Sapec estão cá há muitos anos, mas ultimamente não se têm instalado outras na região”, disse o economista.

O bastonário referiu que apesar de a península ser uma “região importante” com uma “área grande”, tem hoje um PIB per capita que é apenas 55% da média comunitária e que “150 mil pessoas todos os dias se deslocam da Margem Sul para trabalhar em Lisboa, com custos ambientais e económicos”.

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“Separem a Península de Setúbal da AML, senão o país está a perder 2,5 mil milhões de euros de fundos comunitários”, atirou Rui Leão Martinho, argumentando que essa decisão iria “desenvolver Setúbal e a região e permitir que o emprego seja em maior volume e mais estável”.

De acordo com o economista, estamos “numa zona que merece uma atenção especial e que pode ser muito potenciada” e mesmo “as empresas médias podiam olhar mais para Setúbal e, se houver mais ajudas, é ai que vão fazer a sua escolha final”.

A falta de decisão politica “tem prejudicado muito a região”, concluiu o bastonário.
Um diagnóstico que a Associação Industrial da Península de Setúbal (AISET) considerou “acertadíssimo”. Nuno Maia, director-geral da AISET repetiu que Península de Setúbal e o norte da AML são “duas zonas absolutamente distintivas” em que a zona industrial da Margem Sul fica na situação da divisão do frango “por duas pessoas, em que uma como tudo e a outra não come nada mas, em média, cada uma come metade”.

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Os trabalhos abriram com a intervenção do CEO da Ageas Seguros, José Gomes, que deu as boas-vindas a uma sala cheia – com as devidas distâncias e demais regras de prevenção da Covid-19 – que expressou o desejo de que a conferência fosse uma “partilha de experiências” que possa acrescentar valor” à actividade empresarial.
A seguradora, que aposta na proximidade com a realidade local convidou como oradores responsáveis e empresários da região, como o objectivo de abordar temas relacionados com a actividade económica regional.

Gustavo Barreto, direcor-geral de Distribuição e Marketing apontou a importância de a região conseguir transformar a imagem que passa. “Setúbal ainda está um pouco presa ao passado mas tem condições para ter um futuro brilhante. Mas é preciso ter coragem para fazer esse caminho.”, disse o especialista em marketing.

Na mesa redonda dedicada ao panorama actual sobre a produtividade das empresas, as intervenções de empresários locais deram uma perspectiva da actividade económica regional.

Filipe Cardoso, sócio-gerente da Quinta do Piloto – Vinhos Lda, e que é também o rosto da Sivipa, conhecida adega de Palmela partilhou a sua experiência no sector vitivinícola, e Mário Ramos, CEO da Micromil, relatou a realidade de uma empresa de distribuição de equipamento médico.

O ciclo de conferências ‘Fórum Global PME’, promovido pela Ageas Seguros com a Ordem dos Advogados e vários outros parceiros, nomeadamente Camilo Lourenço, A Cor do Dinheiro, Exame, TSF, Dinheiro Vivo e media regionais, entre os quais O SETUBALENSE, passou já por oito regiões do país, como Évora, Leiria ou Viana do Castelo.

O encontro foi transmitido em directo nos canais digitais da Ageas Seguros e da TSF.

José Gomes, CEO da Ageas Seguros: “Em Setúbal há capital humano que não há noutras regiões”

O CEO da Ageas Seguros concluiu que a conferência identificou os “aspectos específicos” da região de Setúbal, assim como “os instrumentos necessários” para potenciar o desenvolvimento regional.

José Gomes classificou a estratégia da AISET como “muito relevante” e destacou que Setúbal tem um “conjunto de características que outras regiões não têm, a começar pela disponibilidade de capital humano”.

“Aqui existe população, jovens, e capacidade de fazer formação”, afirmou o responsável, vincando a visão que a AISET tem procurado evidenciar, de que a região tem condições únicas para a indústria vencer os desafios da digitalização e descarbonização.

O responsável da Ageas Seguros explicou que a seguradora procura “diferenciar-se e acrescentar valor para as empresas através da identificação dos riscos e de como gerir esses riscos”.

“Temos de posicionarmo-nos como consultores de riscos e não como seguradora tradicional”, transmitiu José Gomes a uma plateia preenchida com muitos colaboradores da marca na região.

Nuno Maia Silva, Director-geral da AISET: “Falta o passo legislativo para reverter a situação da Península de Setúbal”

O director-geral da Associação Industrial da Península de Setúbal (AISET) reforçou a urgência de a região ser uma NUT distinta da Área Metropolitana de Lisboa e destacou que já só falta a decisão politica.

“O assunto arrasta-se há alguns anos, já foi feita a sensibilização e, sendo consensual a injustiça que a situação representa, não há maneira das entidades darem o passo legislativo para a reverter”, disse Nuno Maia Silva. A indecisão do Governo é particularmente mais grave neste momento de pandemia, em que a reindustrialização é um instrumento importante as empresas precisam do pacto verde da União Europeia se modernizarem, rumo à digitalização e à descarbonização.

O responsável da associação que representa as grandes empresas da península recordou que AISET tem a visão de criar “uma região empresarial de referência” e aposta na dinâmica da relação entre as empresas e as universidades. Também nesta área, o mecanismo de financiamento europeu é relevante, defendeu. “Se isto for acelerado, por financiamento europeu, o processo é muito mais rápido”. Nuno Maia sublinhou que “a população da região – cerca de 800 mil habitantes – é relativamente jovem pelo que há capital humano para aproveitar a transição para o digital”.

Mário Ramos, CEO da Micromil: “Conseguimos fazer o mesmo que uma grande empresa faz”

Mário Ramos, CEO da Micromil, explicou que o grande desafio que encontra na área de equipamentos de imagiologia médica é a necessidade de conquistar a credibilidade que permite fazer frente às grandes marcas do mercado.

“Com alguma dificuldades, mas há um nicho de mercado que precisa de nós. O tipo de clientela modificou-se nos últimos anos e passámos de doutores que eram donos de consultórios para grandes grupos industriais que são donos de múltiplos consultórios. Factor de competitividade é a capacidade de apresentar soluções que outros não conseguem apresentar, mesmo os grandes”, disse o empresário.

“Conseguimos fazer o mesmo que uma grande empresa faz, mas falta-nos a confiança do nosso cliente Estado para acreditar que uma empresa como a nossa é capaz de fazer o mesmo que uma multinacional. Temos as mesmas certificações de qualidade, de dispositivos médicos, temos pessoal qualificado, mas não temos a dimensão”, defendeu, acrescentando que a situação pandémica obrigou a Micromil a reinventar-se para ultrapassar o grande desafio que foi o encerramento das portas de 80% dos clientes.

Gustavo Barreto, Diretor Geral de Distribuição e Marketing na AGEAS: “Setúbal tem condições para ter um futuro brilhante”

Gustavo Barreto, Diretor Geral de Distribuição e Marketing da AGEAS, enalteceu o potencial da região ao nível empresarial e industrial mas sublinhou que é preciso “coragem” para que o distrito setubalense possa chegar o mais longe possível

“Há condições materiais na região para conseguir diferenciação e criar um ecossistema nestas vertentes, mas é preciso haver um encontro de vontades e uma utilização em direção a um determinado objetivo comum. Setúbal ainda está um pouco presa a uma imagem do passado mas tem condições para ter um futuro brilhante. É preciso aproveitar, ter coragem para fazer esse caminho e preparar para todo este processo de automação, que não vai tirar emprego mas vai requalificar o emprego”, afirmou o diretor.

Enaltecendo a importância de encontros como o Fórum ontem realizado no Hotel do Sado, Gustavo Barreto afirmou que a AGEAS quer continuar a colaborar e a ajudar as empresas nacionais. “Queremos partilhar mais histórias de inovação e queremos premiar e reconhecer as boas ideias por Portugal fora”, disse.

Filipe Cardoso, Sócio-gerente da Quinta do Piloto:“Quisemos fazer um projeto totalmente diferente”

Sócio-gerente da Quinta do Piloto, Filipe Cardoso admitiu que a produção de vinho é uma das suas paixões e defende que a decisão de abdicar da aposta no mercado de baixo custo foi certeira.

“Optámos por uma estratégia diferente, de colocar o preço lá em cima e não competir com outros mercados. A Quinta do Piloto vem do meu bisavô. Temos um peso grande dentro da região e sabemos fazer vinhos. Antigamente produzíamos esses grandes vinhos, de castas locais, e dávamos o ouro ao bandido. Vendíamos a granel. Em 2013 optei por lançar o primeiro vinho da nossa quinta. Quisemos fazer um projeto totalmente diferente do resto da região”, recordou o empresário, formado em enologia.

Inspirado em bons exemplos do Douro, Filipe Cardoso sublinha que “a península de Setúbal está na moda” e defende que ter uma boa imagem junto do consumidor é mais importante que qualquer prémio. “Nunca metemos uma medalha na garrafa. A marca tem de ser mais importante. Queremos que, quando o consumidor veja o símbolo da Quinta do Piloto, associe a qualidade”, afirmou.

Com Miguel Nunes Azevedo

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