7 Março 2021, Domingo
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APA e ICNF confirmam situação “grave” do Portinho da Arrábida mas enchimento da praia continua longe

Autoridades do Ambiente e da conservação da Natureza têm participado em reuniões com Câmara de Setúbal e APSS mas os estudos necessários ainda são apenas intenções

 

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As autoridades nacionais do Ambiente e da conservação da Natureza estão atentas ao desassoreamento do Portinho da Arrábida, e confirmam a gravidade da situação, mas as soluções, como o enchimento da praia com areia das dragagens, continuam a ser apenas ideias, sem qualquer decisão tomada ainda quanto aos necessários estudos prévios.

Contactos feitos por O SETUBALENSE, após a carta aberta publicada recentemente pelo Clube da Arrábida, mostram que ainda está longe uma solução para reverter a perda de areia que transformou o Portinho numa praia de calhaus.

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) confirma que “a situação descrita na carta aberta do Clube da Arrábida sobre a praia do Portinho da Arrábida de redução acentuada de área da praia de ano para ano, é um facto real”, e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) diz que “está atento à situação e revê-se genericamente nas preocupações do Clube da Arrábida”.

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O ICNF acrescenta estar a “trabalhar ativamente, desde há algum tempo a esta parte, em conjunto com a Autarquia, para se encontrarem as soluções para as intervenções necessárias a curto prazo”, embora não especifique quais são as hipóteses de intervenção possíveis.

Já “quanto à decisão da utilização de sedimentos provenientes das dragagens no porto de Setúbal para alimentação de praias”, o ICNF remete para a Agência Portuguesa do Ambiente.

A agência presidida por Nuno Lacasta dá uma resposta que confirma a gravidade do problema e que deixa perceber que ainda não há qualquer decisão quanto aos estudos que têm de ser feitos para se perceber se a praia pode ser artificialmente alimentada de areia.

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“A APA tem participado em várias iniciativas do Clube da Arrábida, no sentido de se encontrar uma solução para este grave problema, tendo estado envolvida nos contactos com a Direcção do Parque Natural da Arrábida e outros responsáveis do ICNF, com a Câmara Municipal de Setúbal e com a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, com o intuito de se desenvolverem estudos da dinâmica deste troço de litoral e eventual realização da avaliação do impacte ambiental associado a um projeto de realimentação, eventualmente com recurso a areias provenientes das operações de dragagem do canal de navegação de acesso ao porto de Setúbal.”, refere a agencia, em nota escrita.

A Agência Portuguesa do Ambiente sublinha que, além da dinâmica das correntes, é preciso estudar a qualidade dos dragados a usar no enchimento e não esclarece, sequer, se no caso do Portinho da Arrábida, vai ser necessário estudo de impacte ambiental.
“À semelhança do que acontece em toda a orla costeira, a alimentação artificial de praias com areias provenientes de dragagens de áreas portuárias, decorre dos resultados dos estudos de caracterização necessários (incluindo a caracterização do material a dragar e dos locais de depósito), a desenvolver em articulação com as entidades com competência nas matérias em causa e, se aplicável, da respetiva avaliação de impacte ambiental.”, conclui a APA.

A informação de que tem havido contactos regulares entre estas entidades e a Câmara de Setúbal, tinha sido já confirmada pela autarquia. “Há conversações e, provavelmente, vai haver mais uma reunião [em breve] não só sobre esse assunto [Portinho da Arrábida] mas também sobre outras praias”, disse há duas semanas uma fonte da Câmara de Setúbal. De acordo com a mesma fonte, o grupo de contacto, está a “avançar com soluções”.

Dragagens recomeçam no início do mês mas areia já não serve para praias da Arrábida

A draga regressa ao Sado no início do próximo mês, sabe O SETUBALENSE, para aproveitar a janela, de Outubro a Maio, em que a Declaração de Impacte Ambiental (DIA) as dragagens admite dragagens no rio, mas a areia já não pode ser aproveitada para o enchimento das praias.

Sem estudos, quer da dinâmica das correntes quer sobre a qualidade dos dragados e do estado das praias, os dois meses que faltam de dragagens não dão tempo suficiente para que as areias possam ser ainda aproveitadas.

A Câmara de Setúbal recorda que os estudos em falta são um trabalho que “não se faz de um dia para o outro”. Fonte da autarquia salienta que falta de areia não será um problema.

“Também há dragagens de manutenção, onde se poderá obter areia. O problema não é onde se vai buscar a areia, mas como e onde se pode colocar.”, disse a referida fonte, sublinhando que o enchimento das praias da Arrábida envolve riscos.

“Não podemos correr o risco de, para resolver um problema, criar outro ainda maior. Estamos a falar do Parque Marinho Luís Saldanha e pode haver impactos, até no Portinho da Arrábida”, alerta.

 

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