19 Janeiro 2021, Terça-feira
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De Almada a Tomar. Doentes Covid-19 do distrito podem ser transferidos para hospitais do Médio Tejo

Secretário de Estado coloca hipótese em cima da mesa se Garcia de Orta continuar com capacidade de resposta esgotada

 

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António Lacerda Sales, secretário de Estado da Saúde, confirma que a capacidade de resposta à Covid-19 na Unidade Cuidados Intensivos (UCI) do Hospital Garcia de Orta está totalmente esgotada e avança possíveis transferências para o Centro Hospitalar do Médio Tejo, tal como já aconteceu em outros momentos. Mas, sindicatos e comissões de utentes acusam a Saúde de planeamento desorganizado.

Durante a conferência de imprensa da Direcção-Geral da Saúde, realizada na passada sexta-feira, o secretário de Estado afirmou que, apesar das treze camas da UCI do Garcia de Orta afectas ao tratamento de casos Covid-19 estarem ocupadas, “o Serviço Nacional de Saúde [SNS] funciona em rede”. Sendo sempre considerada a transferência de doentes para outras unidades “a nível regional” ou “inter-regional”, Lacerda Sales recordou que “há pouco tempo” foram transferidos doentes do Garcia de Orta “para o Médio Tejo”. Uma solução possível agora, “símbolo de interoperacionalidade dos hospitais portugueses”, afirma.

Recorde-se que o Centro Hospitalar do Médio Tejo abrange os hospitais de Torres Novas, Abrantes e Tomar. E a ser colocados, por exemplo, em Tomar, os utentes podem ficar a uma distância de mais de 150 quilómetros relativamente à península de Setúbal.

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Hospitais de Almada, Setúbal e Barreiro no limite da capacidade

João Proença, dirigente do Sindicato dos Médicos da Zona Sul refere que o Hospital Garcia de Orta, tal como o Hospital de São Bernardo (Setúbal) e o Hospital Nossa Senhora do Rosário (Barreiro) estão “há muito tempo no limite da sua capacidade. Sendo, por isso, urgente duplicar as equipas, desde os auxiliares da acção médica, a enfermeiros, médicos e técnicos de diagnóstico”. Assim como “organizar zonas de resposta adequadas para doentes Covid”.

Corredores de separação total que continuam a não ser possíveis e que têm surgido “de uma forma desorganizada e provisória”, refere.

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Um panorama que representa também grande fragilidade para os doentes não Covid, “sem a devida resposta assistencial num SNS de ‘pensos rápidos’, que entrará em implosão em 2021”, afirma João Proença, destacando o maior índice de mortalidade registado este ano em outras doenças, além da Covid-19.

“No seu dia-a-dia os utentes estão bloqueados, sem respostas adequadas ou demasiado deslocadas e acabam por ficar em casa, sem tratamento, ou a aguardar mais tempo do que deveriam por tratamentos considerados urgentes”.

A situação agrava-se ainda mais nos centros de saúde, “com a dificuldade no acesso a consultas e a impossibilidade de se estabelecerem os contactos telefónicos”.

Com problemas identificados e soluções equacionadas, o dirigente sindical acusa o Governo de incapacidade de concretização. “Não há negociações sobre carreiras e melhores salários e desta forma não é possível reter médicos no público”.

No SNS os salários base, sem horas, “alcançam os 2 200,00 euros, para um total final de 1 600,00 euros após descontos. No sector privado são o dobro”. E esta incapacidade de concorrência traduz-se nos resultados do último concurso público, no qual 30% das vagas abertas pelo Estado ficaram por preencher.

Aliás, para o distrito, estaria prevista a contratação de 80 médicos, entre hospitais, centros de saúde e delegações locais de saúde. O Garcia de Orta receberia a maior colocação: 26 médicos no total, que ainda assim não seriam suficientes.

“Neste momento todos os profissionais são bem-vindos”, afirma João Proença. “Mas serão sempre insuficientes para áreas Covid e não Covid, porque temos o dobro dos médicos a serem reformados por ano”. Faltas que poderiam ser resolvidas se, “os profissionais subcontratados a empresas fossem directamente colocados no SNS”.

Plano     Comissão de Utentes acusa Governo de favorecer grupos privados

A Comissão de Utentes da Saúde do Concelho do Seixal (CUSCS) “não concorda com a deslocalização de doentes para o Médio Tejo”, não apenas pelo distanciamento face à zona de residência e famílias. Mas, também, por considerar que o Serviço Nacional de Saúde “teve tempo para preparar a resposta à 2ª vaga da Covid-19, tendo em conta o que foi observado nos países vizinhos e no norte do país”. No entanto, “o SNS preferiu resguardar-se sobre o alibi de não ter capacidade para entregar respostas a grupos privados de saúde”, afirma José Lourenço, porta-voz deste grupo.

Ainda com uma 3ª vaga Covid-19 já a ser equacionada por especialistas, a CUSCS afirma estar “totalmente de acordo” com o Sindicato dos Médicos da Zona Sul. “Não haverá capacidade de resposta dos hospitais da região nos próximos meses. Nem para a Covid-19, nem para os cuidados de saúde que a população continua a necessitar. Basta olharmos para a subida da mortalidade não relacionada com o novo vírus e analisar os atrasos no acesso a tratamentos”. Nestes casos, “há situações oncológicas graves, em os utentes estão meses a aguardar”, destaca José Lourenço.

Por isso, no decorrer desta semana a CUSCS vai pedir uma reunião com o conselho de administração do Garcia de Orta, “a fim de esclarecer os pormenores da possível transferência de utentes para as unidades do Centro Hospitalar do Médio Tejo”.

 

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