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“Mesmo que montássemos hospitais de campanha não havia médicos”

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Coordenador da Protecção Civil de Setúbal aponta ainda falta de civismo de setubalenses que, estando infectados, não respeitam o isolamento

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No dia em que o Hospital de São Bernardo recebeu novas tendas do INEM no parque de estacionamento, o coordenador do Serviço Municipal de Protecção Civil e Bombeiros de Setúbal (SMPCB), José Luís Bucho, confirmou a O SETUBALENSE que as estruturas “não servirão, à partida, como hospital de campanha, mas sim, como estruturas de apoio à urgência”. Até porque, “mesmo que montássemos hospitais de campanha não havia médicos, enfermeiros ou equipamentos para a sua operacionalização”, afirma.

Ontem, José Luís Bucho destacou mesmo que, “a falta de profissionais, muitos deles também já infectados ou em isolamento profilático, está a tornar-se muito grave no Serviço Nacional de Saúde”.

Sobre outros apoios em funcionamento no concelho, no âmbito do combate e rastreio à Covid-19, o coordenador do SMPCB de Setúbal recorda a “triagem e realização de testes no Centro de Emprego e Formação Profissional de Setúbal”, organizada pela Comissão Municipal de Proteção Civil de Setúbal.

Entretanto também já está a ser realizada “a transferência de doentes do Hospital de São Bernardo para o Hospital da Luz Setúbal e Hospital de Azeitão, [o Nossa Senhora da Arrábida]”, destaca José Luís Bucho.

O SETUBALENSE contactou a administração do Cento Hospitalar de Setúbal (CHS), no sentido de saber se as novas estruturas alocadas no campus do São Bernardo fazem parte do plano de resposta ao Estado de Catástrofe, accionado no hospital desde 11 de Janeiro, e quantos doentes Covid-19 e não Covid-19 já foram transferidos para o Hospital da Luz Setúbal e Hospital Nossa Senhora da Arrábida. Mas, até ao fecho desta edição, não foi possível obter resposta.

“É grave ter cidadãos infectados a desvalorizarem tanto a sua condição”

José Luís Bucho afirma que o controle de contágios Covid-19 em Setúbal vai continuar a ser difícil controlar se a população “não fizer a sua parte”, sendo grave “ter cidadãos infectados a desvalorizarem tanto a sua condição”.

O coordenador do SMPCB de Setúbal aponta casos em que “o uso de máscara é relativizado”, outros em que “agora se exigem cuidados de saúde atempados, mas ninguém pensou no futuro quando fez convívios de Natal” e, os mais graves, “infectados que não respeitam o isolamento profilático”.

Recentemente, numa superfície comercial de Setúbal, uma funcionária identificou uma pessoa que, “tanto quanto saberia estava infectada com Covid-19 e deveria estar a cumprir isolamento profilático”, conta José Luís Bucho.

Após a situação ser exposta ao gerente de loja, “foi realizado um comunicado, ao microfone, para que a pessoa co Covid-19, presente na loja, se dirigisse ao balcão de informações”. No fim, recorda José Luís Bucho, “apareceram nove”.

A última informação de situação epidemiológica publicada pela Câmara Municipal de Setúbal, a 20 de Janeiro, dava conta de 3 146 casos de Covid-19 activos. Mais 179 em relação a terça-feira. Desde Março já foram contabilizados 7 028 casos e 104 óbitos.

Novos equipamentos de apoio chegaram esta semana

A disponibilização das novas tendas instaladas no estacionamento do São Bernardo “foi articulada entre o INEM e a administração do Centro Hospitalar de Setúbal”, explica José Luís Bucho. Ao contrário dos contentores instalados esta segunda-feira, junto à mesma área.

Segundo comunicado divulgado pela Câmara Municipal, essas estruturas, habitualmente utilizadas pela Corporação de Bombeiros Sapadores de Setúbal, foram colocadas no local com o apoio da autarquia, tendo como objectivo o aumento da capacidade de acolhimento de doentes na urgência.

Recursos que surgem depois de, no dia 17 de Janeiro (domingo), o presidente do Conselho Consultivo do CHS, Eugénio da Fonseca, ter referido, em comunicado, que já havia sido solicitado ao Ministério da Saúde, “o reforço de meios humanos e financeiros”, para que o centro hospitalar pudesse sair “do seu estado de emergência sistémica”.

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