1 Março 2021, Segunda-feira
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Idosos e população pobre no centro das preocupações de técnicos e forças de segurança

A condição financeira e isolamento são transversais à condição de saúde da população do concelho de Setúbal

As “Desigualdades no Acesso à Saúde” estiveram em debate ontem no terceiro webinar preparatório do Fórum de Saúde em Setúbal, que irá decorrer a 8 de Abril, onde ficou patente que Setúbal tem de estar atenta às condições sociais da população vulnerável, mais ainda quando alguns indicadores são de alerta.

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Isto acontece quando se “destaca pela negativa” quanto à taxa de retenção e desistência no ensino básico, segundo dados do ano lectivo 2018 – 2019, que foram apontados pela professora Ana Paula Gato, da Escola Superior de Saúde do Instituo Politécnico e Setúbal (IPS), que dedicou a sua intervenção aos “Impactes dos estados de privação material na saúde”.

Outro indicador são os “3 511 desempregados inscritos nos centros de emprego” em 2019, e uma “elevada taxa da população beneficiária do rendimento social de inserção”.
Indicadores estes que acabam por se reflectir na saúde na população mais pobre.

“São dados que nos devem preocupar”, disse a professora no fim da sua intervenção num debate que foi moderado por Francisco Alves Rito, director do jornal O SETUBALENSE.
A “Vulnerabilidade da população idosa no concelho de Setúbal” foi o tema apresentado pelo capitão Rui Quintinha, comandante do Destacamento Territorial de Setúbal da GNR, unidade militar com responsabilidade no território de Azeitão, Sado, Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra e ainda na União de Freguesias de Setúbal.

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Focou o programa Apoio 65-Idosos em Segurança, que, em parte, consiste em explicar aos idosos como agirem em situações de burla, contactos com estranhos, prevenção rodoviária, segurança na rua e em casa, consumo de bebidas alcoólicas e medicamentos, educação ambiental e violência doméstica.

Trabalho similar tem feito a PSP na cidade de Setúbal, em muito feito em articulação com instituições do concelho, transmitiu a comissária Sara Ferreira, que apontou que esta força de segurança pública, em 2020, chegou a 60 pessoas num trabalho porta-a-porta para resolver as suas necessidades, para além do trabalho feito com as pessoas sem-abrigo.

As “Relações de vizinhança e socialização como factores de resiliência e capacitação na saúde no concelho de Setúbal”, foram apresentadas pela professora Carla Cibele Figueiredo, da Escola Superior de Educação do IPS, que apresentou o trabalho feito por um grupo de voluntários, professores e estudantes, no apoio à população idosa, através do projecto IdoSOS.

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“Trabalhamos a saúde na óptica do bem-estar e empatia. É preciso que o outro sinta que o estamos a compreender”, comentava apontado a carência da população idosa que tem vindo a perder a rede familiar com a actual pandemia.

Caso diferente são as “Particulares dificuldades da população migrante no acesso aos cuidados de saúde”, isto segundo a experiência de Setúbal. Um tema que foi apresentado pela chefe de divisão de Direitos Sociais, Conceição Loureiro, serviço que actua segundo o plano municipal para a integração de migrantes.

Parte das dificuldades passam pelo entendimento em serviços públicos, nomeadamente ao nível da saúde, que “por vezes desconhecem os direitos que os imigrantes têm”, o que também é “dificultado quando estes não têm documentação”.

O próximo webinar referente ao Fórum Saúde em Setúbal realiza-se a 28 de Fevereiro, às 16h00, e vai debater entre outros os temas “O que é a cidade saudável” e o “Plano Director Municipal e o Plano Municipal de Mobilidade como instrumentos de promoção da saúde”.

Concelho é o terceiro do País em casos de violência doméstica

Entre 2017 e 2019, os casos de violência doméstica que chegaram ao Centro Hospitalar de Setúbal ditavam uma prevalência de “88% de mulheres”, referiu a enfermeira Rosa Piteira, da Equipa de Prevenção da Violência no Adulto, neste centro.

Outro indicador é que estas ocorrências são transversais a todas a idades, emboram incidam mais entre os “25 e 44 anos”, e também pessoas com “65 anos ou mais”.

Com estes dados, diz a enfermeira que o concelho de Setúbal “está no terceiro lugar do País, com mais casos de violência doméstica”, isto segundo o Relatório Anual da Segurança Interna de 2019.

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