Fecho da central de Sines gera preocupação na autarquia e satisfação entre ambientalistas

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Nuno Mascarenhas reuniu com a EDP e diz que é preciso salvaguardar futuro dos trabalhadores. ZERO aponta benefícios

 

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A EDP decidiu antecipar para 2021 o encerramento das centrais a carvão na Península Ibérica, entre as quais a de Sines (já no início de Janeiro próximo), o que representa um custo extraordinário de cerca de 100 milhões de euros (antes de impostos) em 2020. O anúncio, feito ontem, gerou preocupação na Câmara Municipal de Sines, por um lado, e satisfação, por outro, entre ambientalistas.

A decisão de antecipar o fecho em dois anos (estava previsto para 2023) levou mesmo o presidente da autarquia, Nuno Mascarenhas, a reunir pela manhã de ontem com a EDP Produção na tentativa de se “encontrar soluções que minimizem os impactes” sócio-económicos na região, revelou a autarquia, em nota de Imprensa.

Entre as principais preocupações do autarca estão os postos de trabalho que podem estar em causa com esta decisão. “É necessário salvaguardar o futuro de centenas de trabalhadores, não só dos que operam directamente na central, mas também de muitos outros, que trabalham nos sectores de actividade que lhe estão associados”, considerou Nuno Mascarenhas, citado na mesma nota.

Na reunião de ontem de manhã participaram “Miguel Mateus, administrador da EDP Produção, João Amaral, director da central de Sines, e Adília Pereira, directora de Recursos Humanos da empresa”, indicou a edilidade, adiantando que, durante o encontro, o autarca “teve ainda a oportunidade de falar com o CEO da EDP Produção, Miguel Setas”, o qual “demonstrou total abertura por parte da empresa na procura de soluções”.

De acordo com o município, ficou “acordada uma reunião, a realizar com carácter de urgência, entre todas as entidades que possam contribuir para a elaboração de medidas de política pública que minimizem os impactes sociais e económicos” provocados pelo fecho antecipado da termoeléctrica.

Emissão de gases com efeito de estufa com enorme redução

Satisfeita com a decisão ficou a associação ambientalista Zero, que se congratulou com o anúncio da EDP em antecipar o encerramento da central a carvão de Sines para daqui a menos de seis meses. Ao mesmo tempo, a associação ambientalista considera que o fecho da termoeléctrica tem de ser compensado com o investimento em fontes renováveis.

“É uma notícia excelente. Já tinha sido a antecipação de 2030 para 2023, mas antecipar em mais dois anos é uma boa notícia”, disse à Lusa Francisco Ferreira, presidente da Zero.

De acordo com o responsável, além de excelente, a notícia é também um desafio em termos de descarbonização.

“Nós estamos já com um longo período em que quer a central de Sines, quer a do Pego, que será à partida a última a encerrar em Novembro de 2021, não estão praticamente a funcionar e isso tem significado uma redução enorme em termos de emissões de dióxido de carbono para a atmosfera e um contributo significativo no que respeita à redução das emissões de gases com efeito de estufa e, portanto, a favor de combatermos as alterações climáticas”, concluiu.

Com Lusa

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