A nefasta indiferença

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Francisco Ramalho - Ex-bancário, Corroios

Segundo dados do Observatório de Mulheres Assassinadas (OMA) e da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), recentemente divulgados, num contexto de violência doméstica, foram assassinadas o ano passado em Portugal, 38 pessoas. 30 mulheres, 7 homens e uma criança. Diariamente, houve uma média de 5 tentativas de homicídio só em relação a mulheres. 70% destes casos, eram do conhecimento de vizinhos e/ou familiares, e 40%, já tinham sido reportados à Polícia.

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Números assustadores e inadmissíveis, não é verdade? E a indiferença, não será também ela, inadmissível? 70% dos casos, eram do conhecimento de familiares ou vizinhos, e apenas 40%, foram reportados à Polícia. E mesmos estes, com os resultados trágicos que se constata.

Trata-se de casos da máxima gravidade. Mas também, como se sabe, há tanta indiferença em relação à forma como muitos idosos são tratados. Despejados em casas de acolhimento, tantas delas de duvidosas condições, e por lá ficam esquecidos, assim como nos hospitais até depois de terem alta, ou mesmo maltratados em casa de filhos ou outros familiares que os deveriam tratar como merecem e não apenas à espera que fechem os olhos para, finalmente, herdarem o que amealharam durante uma vida.
E até crianças! Não há tantas negligentemente tratadas? E os vizinhos, familiares, autoridades e instituições vocacionadas para as proteger, estarão sempre atentas como deviam? Ou, mais uma vez, é a indiferença que prevalece?

Indiferença, que também existe, e muita, em relação a maus tratos sobre animais. E não nos referimos aos que são abandonados! Porque em relação a esses, será mais difícil detetar os respetivos donos. Referimos, os que são mal alimentados, que estão permanentemente acorrentados, colocados em varandas, encafuados em cubículos, ao rigor do tempo, etc. Quando deveria haver chamadas de atenção ou denuncias e, em tantos casos, não há. Relativamente a este caso concreto dos animais, a situação é mais ou menos esta: há uma minoria que os maltrata, outra que os protege, e a grande maioria que lhe é indiferente. E os Poderes Públicos, central ou local, com honrosas exceções, refletem isso.

Portanto, referimo-nos à indiferença em relação aos mais fracos e desprotegidos; idosos, mulheres, crianças e animais. Mas podemos e devemos incluir outras situações de indiferença que prejudicam terceiros. O meio ambiente. A sociedade: a corrupção, o nepotismo, os abusos de poder, os desperdícios. Por exemplo, de água e de energia. Quem é que não viu já, tanta iluminação pública acesa em pleno dia? Nos mais variados estabelecimentos públicos ou privados, torneiras automáticas que ficam indefinidamente a correr quando se abrem? Roturas na canalização ou sistemas de rega tantas vezes avariados e a desperdiçarem o precioso líquido?

Ou seja, a indiferença também é, embora porventura involuntária, conivente. “
O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”, Martin Luther King.

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