“Ai aguenta, aguenta!”

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Nuno Carvalho, deputado do PSD

A frase que dá título a este artigo foi proferida por Fernando Urlich, ex-presidente do BPI. Sobre como o país tinha que responder face à crise económica que vivia. Vamos ter uma nova crise, mas para “aguentá-la” a resposta agora é transversal, e envolve incontornavelmente os bancos portugueses.

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Neste artigo o foco é para uma parte da resposta, a que reside.

Sou defensor do papel dos bancos. Acho que são necessários para a economia crescer. Mas o que vivemos hoje com esta brutal pandemia está a ter um efeito brutal a economia. A resposta tem que vir de todos, dos bancos também.

Não há como exigir a empresas que cumpram critérios que até agora seriam padronizados, seriam normais. Porque não vivemos em situações normais. É impossível saber quantas empresas em Portugal estão em situação solvente. Mesmo que estejam hoje podem não estar amanhã, mesmo que estejam solventes nos seus balancetes podem não receber dos seus clientes.

Aliás mesmo que tenham dinheiro no banco, carteira de encomendas e dinheiro por receber dos clientes, não se sabe a dimensão do desafio, logo não se sabe se os ativos que as empresas têm são suficientes para esse desafio.

O que vivemos é diferente de qualquer realidade do passado, por isso não é possível aplicar os critérios normais para conceder às empresas empréstimos que permitam que elas não fechem e não se percam postos de trabalho.

Os 115 mil milhões vindos do BCE a uma taxa negativa são um sinal de que a realidade é e será exigente para os bancos.

As instituições europeias e o governo português têm que dar condições aos bancos para estar à altura deste desafio. Mas atenção, a primeira resposta que assistimos por parte da banca é manifestamente insuficiente.

Os rácios que aplicavam anteriormente têm que ser adaptados à emergência económica que vivemos, a banca tem que ter critérios quando empresta dinheiro, mas se não adaptar esses critérios à circunstância atual o dinheiro não vai chegar a muitas empresas. Refiro-me a muitas empresas que têm condições de ultrapassar esta crise se lhes emprestarem o dinheiro que precisam.

Se não emprestarem as empresas fecham, os postos de trabalho perdem-se. São necessários diferentes agentes para levantar a economia. O governo e o sistema financeiro são agentes fundamentais, as empresas e famílias precisam da sua atuação.
Precisamos de uma bazuca orçamental do governo municiada pela UE e que seja implantada rapidamente. Os 750 mil milhões de euros do BCE seguram o sistema financeiro e dívida soberana que será a porta de entrada para a ajuda que chegará à economia.

Mas esse dinheiro não é para injetar nas empresas. Neste momento estamos ainda estamos sem essa resposta por parte da UE, que ainda está a ser construída a um ritmo demasiado lento. Nem vou considerar os 37 mil milhões de euros da Comissão Europeia uma resposta, porque é uma reprogramação de fundos estruturais que já iam ser gastos.
Enquanto isso, a resposta que temos com os três mil milhões de euros disponibilizados pelo governo tem de chegar rapidamente às empresas a que se destinam.
Não podemos ter impasses. É fundamental não criar nenhum vazio na resposta a dar esta situação.

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